{"id":17052,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17052"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"comunhao-no-sentido-da-fe-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/comunhao-no-sentido-da-fe-ii\/","title":{"rendered":"Comunh\u00e3o  no sentido da f\u00e9 (II)"},"content":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II <!--more--> O sensus fidei n\u00e3o \u00e9 uma opini\u00e3o arbitr\u00e1ria de cada crist\u00e3o. \u00c9 isso, sim, uma capacidade interior conferida pela gra\u00e7a da f\u00e9, da caridade, dos dons do Esp\u00edrito, que torna cada sujeito apto a perceber a verdade da f\u00e9 e a discernir o que lhe \u00e9 contr\u00e1rio. Esta obedi\u00eancia ao Esp\u00edrito permite identificar objectivamente os que comungam o mesmo sentir e aquilo que \u00e9 express\u00e3o desse sentir, isto \u00e9, o sensus fidelium.<\/p>\n<p>Segundo a Lumen Gentium (n.\u00ba 12), o sensus fidei \u00e9 um sentido sobrenatural, que o Esp\u00edrito da verdade suscita e mant\u00e9m, na linha fundamental do dom gratuito da f\u00e9, peculiar caracter\u00edstica de todo o Povo de Deus, que o torna competente para receber n\u00e3o uma palavra dos homens, mas a verdadeira palavra de Deus, para aderir indefectivelmente \u00e0 f\u00e9 transmitida aos santos de uma vez para sempre, para penetrar mais profundamente esta f\u00e9 e a aplicar mais plenamente na vida.<\/p>\n<p>E \u00e9 na sequ\u00eancia destes elementos teol\u00f3gicos que o n.\u00ba 8 da Dei Verbum, considerando a assist\u00eancia do Esp\u00edrito Santo como o motor do progresso na compreens\u00e3o da doutrina, enuncia o sensus fidelium, a par com a reflex\u00e3o teol\u00f3gica e sob o discernimento do magist\u00e9rio aut\u00eantico, como media\u00e7\u00e3o do mesmo progresso. Trata-se da continuidade da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, geradora da f\u00e9, no cora\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os, como se depreende do texto do n.\u00ba 5 da Dei Verbum.<\/p>\n<p>A valoriza\u00e7\u00e3o deste sentir da f\u00e9 \u00e9 impulsionada pelo desenvolvimento pr\u00e9-conciliar da teologia do laicado (Y. Congar), assumida pelo Vaticano II, e que recebeu novo impulso no S\u00ednodo dos Bispos de 1987 e respectiva Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica &#8211; Christififeles Laici, de 30 de Dezembro de 1988 &#8211; que, ao considerar a participa\u00e7\u00e3o dos leigos no minist\u00e9rio prof\u00e9tico de Cristo, refere expressamente o sensus fidei, unido \u00e0 gra\u00e7a da palavra (n.14).<\/p>\n<p>Concluindo: O sensus fidei situa-se numa perspectiva de exist\u00eancia crist\u00e3, por um lado, que possibilita, a partir do \u201cmestre interior\u201d, que \u00e9 o dom da f\u00e9, um \u201cju\u00edzo segundo conaturalidade em assuntos de f\u00e9\u201d ; por outro, deve situar-se no contexto da comunh\u00e3o eclesial, que possibilita a estreita articula\u00e7\u00e3o entre o magist\u00e9rio \u201cexterior\u201d , pr\u00f3prio do col\u00e9gio apost\u00f3lico com a sua cabe\u00e7a e os seus sucessores (\u2026) e o magist\u00e9rio \u201cinterior\u201d do Esp\u00edrito, presente em todos os baptizados. A express\u00e3o do reconhecimento do sensus fidei-fidelium vive-se na p\u00f3s-conciliar corresponsabiliza\u00e7\u00e3o dos leigos, na busca do agir crist\u00e3o, nas diversas formas de sinodalidade, de consulta\u2026 <\/p>\n<p>Querubim Silva<\/p>\n<p>* Cf.Pi\u00e9-Ninot, Sentido da f\u00e9, in R. Fischella e Pie-Ninot, in R. Latourelle e R. Fischella Dicion\u00e1rio de Teologia Fundamental, Madrid 1992, pp. 1381-84.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-17052","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17052","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17052"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17052\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17052"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17052"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17052"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}