{"id":17054,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17054"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"reencarnacao-ou-ressurreicao-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/reencarnacao-ou-ressurreicao-i\/","title":{"rendered":"Reencarna\u00e7\u00e3o ou ressurrei\u00e7\u00e3o? (I)"},"content":{"rendered":"<p>O leitor pergunta <!--more--> Cada vez parece que h\u00e1 mais gente a acreditar na reencarna\u00e7\u00e3o e n\u00e3o na ressurrei\u00e7\u00e3o. Como sou crist\u00e3, aceito com convic\u00e7\u00e3o a ressurrei\u00e7\u00e3o, mas como explicar que a reencarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz sentido?<\/p>\n<p>O desafio que nos propomos enfrentar, diante deste bin\u00f3mio ressurrei\u00e7\u00e3o-reencarna\u00e7\u00e3o, \u00e9 o de saber se se pode, coerentemente, ser crist\u00e3o e aceitar, no seu quadro de f\u00e9, a cren\u00e7a na reencarna\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A t\u00edtulo de introdu\u00e7\u00e3o, importa clarificar que n\u00e3o nos prendemos, aqui, com as matizes com que a reencarna\u00e7\u00e3o foi sendo entendida ao longo da hist\u00f3ria, desde os tempos da funda\u00e7\u00e3o do Hindu\u00edsmo ou do Budismo, passando pelo platonismo cl\u00e1ssico, at\u00e9 ao espiritismo contempor\u00e2neo. Falamos, genericamente, de reencarna\u00e7\u00e3o como a cren\u00e7a na possibilidade de, ap\u00f3s a morte, o esp\u00edrito de algu\u00e9m assumir o corpo ou a condi\u00e7\u00e3o de um outro ser, em ciclos que se repetem, morte ap\u00f3s morte e vida ap\u00f3s vida. <\/p>\n<p>Por ressurrei\u00e7\u00e3o, entenderemos aqui a passagem, de uma vez por todas, da vida terrena, finita, marcada pelo espa\u00e7o e pelo tempo, para a vida em Deus, sem limites de cronologia ou geografia, ap\u00f3s morte definitiva e \u00fanica de cada homem. <\/p>\n<p>Logo, na nossa defini\u00e7\u00e3o, se vislumbra uma contradi\u00e7\u00e3o insan\u00e1vel entre acreditar, pela f\u00e9 crist\u00e3, na ressurrei\u00e7\u00e3o, e admitir a reencarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas poder\u00edamos acrescentar a esta substancial contradi\u00e7\u00e3o quatro ordens de raz\u00f5es, que nos conduzem a concluir que reencarna\u00e7\u00e3o e ressurrei\u00e7\u00e3o se afiguram como inconcili\u00e1veis, em perspectiva crist\u00e3. Apresentamos hoje as duas primeiras.<\/p>\n<p>1. Raz\u00f5es de ordem b\u00edblica e teol\u00f3gica. Para al\u00e9m da evid\u00eancia que \u00e9 o facto de nenhum dos evangelhos referir que a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo foi um retorno a uma vida finita \u2013 antes, na sua sobriedade, os evangelhos sempre descrevem que Jesus Cristo \u00e9 elevado para uma vida eterna, sem limites \u2013 importa recordar que, sempre, ao longo de toda a tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, se diz que Deus chama pelo nome cada ser humano. Este dado \u2013 chamar pelo nome \u2013 obriga a interrogar como seria isto concili\u00e1vel com a aceita\u00e7\u00e3o da repeti\u00e7\u00e3o c\u00edclica, que a reencarna\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e. Para Deus, numa perspectiva crist\u00e3, cada homem e mulher \u00e9 \u00fanico, tem nome, e Deus relaciona-se com ele de forma \u00edmpar. A reencarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece poder compaginar-se com esta leitura, como se refere em Heb 9, 27: \u00abe como \u00e9 um facto que os homens devem morrer uma s\u00f3 vez, depois do que vem um julgamento\u00bb.<\/p>\n<p>2. Uma segunda ordem de raz\u00f5es \u00e9 de tipo antropol\u00f3gico. O homem judaico-crist\u00e3o \u00e9 uma unidade indestrut\u00edvel e n\u00e3o uma soma de partes. Infelizmente, na nossa linguagem quotidiana, permanecem reminisc\u00eancias de um dualismo que tem pouco de crist\u00e3o. O homem, numa perspectiva crist\u00e3, n\u00e3o \u00e9 soma de alma e corpo. E, se ainda permanecem esses termos, por exemplo, nas celebra\u00e7\u00f5es exequiais, com eles afirmamos que o homem \u00e9 uma unidade em que, por alma entendemos o homem todo na sua dimens\u00e3o de interioridade e, por corpo, o homem todo, na sua dimens\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o e exterioridade. Ora, neste quadro, a morte \u00e9, na perspectiva crist\u00e3, o fim do homem todo que, pela for\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o, h\u00e1-de retornar ao Seio do Pai. Assim se entende que, no Novo Testamento, ao falar-se da ressurrei\u00e7\u00e3o, se refira que ela \u00e9 uma nova cria\u00e7\u00e3o, pois como que, por ela, o homem todo renasce, j\u00e1 sem os limites da condi\u00e7\u00e3o terrena e hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>(Continua na pr\u00f3xima semana)<\/p>\n<p>Lu\u00eds Pereira da Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O leitor pergunta<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-17054","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17054","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17054"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17054\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17054"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17054"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17054"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}