{"id":17075,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17075"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"os-olhos-de-um-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-olhos-de-um-filho\/","title":{"rendered":"Os olhos de um filho"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz do Dia <!--more--> Todas as verdadeiras hist\u00f3rias de amor come\u00e7am com um olhar. Um primeiro olhar, mais ou menos intenso, mais ou menos demorado, que nos perturba e faz acelerar o cora\u00e7\u00e3o, que nos comove e nos transforma por dentro. Acontece no amor rom\u00e2ntico, mas tamb\u00e9m no amor de amigos e, de forma especial, entre pais e filhos.<\/p>\n<p>O momento em que um filho abre os olhos para n\u00f3s marca-nos para sempre. Nesse momento deixa de ser um beb\u00e9 mais ou menos parecido com os outros, para passar a ser exclusivamente nosso. Este sentimento de perten\u00e7a \u00e9, ao mesmo tempo, exaltante e de uma intimidade indiz\u00edvel. Pais e filhos reconhecem-se atrav\u00e9s do olhar, como se sempre tivessem existido e estado pr\u00f3ximos uns dos outros.<\/p>\n<p>Talvez os olhos dos nossos filhos nos apare\u00e7am em sonhos remotos, que n\u00e3o recordamos, mesmo antes de sermos pais. N\u00e3o sei se acontece ou se \u00e9 poss\u00edvel acontecer, mas sei que, secretamente, eu sabia como eram os olhos do meu filho, mesmo antes de ele os ter aberto pela primeira vez. Se calhar, porque eram, e s\u00e3o, em tudo iguais aos da minha m\u00e3e e os da minha m\u00e3e iguais aos da minha av\u00f3. Talvez.<\/p>\n<p>No princ\u00edpio, eram uns olhos que n\u00e3o se fixavam, ainda de cor indefinida, mas eram j\u00e1 os seus olhos ternos e tranquilos. Ou seja, os olhos eram os de um beb\u00e9 rec\u00e9m-nascido, mas o seu olhar era feito de uma entrega antiga e uma confian\u00e7a absoluta. Como acontece, ali\u00e1s, com todos os filhos, sempre que olham para os pais. \u00c9 incr\u00edvel a intimidade que existe no olhar de um beb\u00e9 que, mesmo sem ver, reconhece a m\u00e3e e o pai. Conhece a voz e o cheiro, mas acima de tudo reconhece o seu olhar e \u00e9 atrav\u00e9s dos olhos dos pais que se sente seguro, se deixa envolver e transportar para um mundo desconhecido.<\/p>\n<p>Os olhos dos pais consolam os filhos e os olhos dos filhos comovem os pais. Sempre. Sejam crian\u00e7as pequenas ou j\u00e1 muito crescidos, os seus olhos marcam-nos e acompanham-nos a vida inteira. Se est\u00e3o perto ou longe ou se, por alguma raz\u00e3o mais triste, j\u00e1 partiram, os olhos de um filho permanecem para sempre gravados no cora\u00e7\u00e3o e na mem\u00f3ria dos pais. Mais do que os gestos ou as palavras ditas, s\u00e3o os olhos que nunca se esquecem.<\/p>\n<p>Quando os seus olhos est\u00e3o alegres, deixam-nos felizes; quando riem, fazem-nos rir; quando imploram, comovem-nos; quando choram choramos com eles; quando se atrevem, obrigam-nos a crescer e, mesmo quando nos desafiam, ajudam-nos a perceber alguns limites que, sem eles, ter\u00edamos certamente mais dificuldades em perceber.<\/p>\n<p>Mesmo sem saber, todos os pais devem muito ao olhar dos seus filhos. Devem-lhes amor e gratid\u00e3o, acima de tudo, pois \u00e9 o olhar deles que muitas vezes nos segura e nos pacifica. S\u00e3o os olhos deles que nos resgatam da rotina de todos os dias e nos salvam do absurdo de viver uma vida sem sentido. Falo por mim, naturalmente, porque tantas vezes sinto que s\u00e3o os olhos dele que me devolvem a paz, a alegria, o amor e o humor que n\u00e3o encontro em mim. Falo daqueles olhos rasgados e especialmente afastados, cor de azeitona e mel, que v\u00e3o ficando dourados conforme a luz do entardecer. Falo dos olhos do meu filho, os que conhe\u00e7o de cor e aqueles que nunca vou esquecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz do Dia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-17075","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17075"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17075\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}