{"id":17096,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17096"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"porque-nao-sao-todos-os-empresarios-assim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/porque-nao-sao-todos-os-empresarios-assim\/","title":{"rendered":"Porque n\u00e3o s\u00e3o todos os empres\u00e1rios assim?"},"content":{"rendered":"<p>\u201cQuando a minha firma est\u00e1 em dificuldades vale-me o sal\u00e1rio da minha esposa, que \u00e9 funcion\u00e1ria p\u00fablica e por enquanto recebe certinho. Os meus funcion\u00e1rios, esses s\u00e3o sempre os primeiros a receber, at\u00e9 porque n\u00e3o sei se algum deles \u00e9 casado com uma trabalhadora que traga sempre o sal\u00e1rio para casa\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi esta a realidade que a Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz encontrou em Valongo do Vouga, na sess\u00e3o da noite de 29 de Abril. Ao reflectir sobre o \u201cTrabalho digno, justo e reconhecido\u201d, descobriu algumas viv\u00eancias pouco dignas, onde os Direitos Humanos n\u00e3o entram e os valores crist\u00e3os s\u00e3o ignorados por patr\u00f5es que at\u00e9 frequentam a igreja.<\/p>\n<p>Foram muitas as situa\u00e7\u00f5es relatadas de inseguran\u00e7a e de atropelos nos direitos.<\/p>\n<p>* O medo de perder o emprego paira no ar (com tanta empresa a encerrar); assim, o patr\u00e3o imp\u00f5e horas extraordin\u00e1rias, fecham-se os port\u00f5es, e os trabalhadores t\u00eam de continuar a laborar. Picam o cart\u00e3o habitual; e picam um segundo para o registo das horas!<\/p>\n<p>* \u201cDa casa de banho\u2026 n\u00e3o vou falar, at\u00e9 porque j\u00e1 l\u00e1 foi a inspec\u00e7\u00e3o, e tomou conta da ocorr\u00eancia; e voltou e voltou e nada de nada; porque ser\u00e1?\u201d<\/p>\n<p>* A cria\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio emprego tentada por alguns, ficou pelo caminho: a burocracia fala mais alto e a \u201ccunha\u201d tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Partilhar com esta gente a doutrina social da igreja \u00e9 uma forma de interpela\u00e7\u00e3o profunda, que nos questiona como vivemos hoje os valores crist\u00e3os e humanos, tendo como exemplo as palavras dos nossos Bispos na carta pastoral \u201cResponsabilidade Solid\u00e1ria pelo Bem Comum\u201d, que nos diz: \u201cO trabalho \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o inerente ao ser humano, \u00e9 participa\u00e7\u00e3o na obra criadora de Deus, \u00e9 realiza\u00e7\u00e3o da pessoa humana na sua dignidade em solidariedade efectiva com os outros seres humanos. O trabalho \u00e9 uma dimens\u00e3o fundamental da exist\u00eancia humana sobre a terra\u201d (n\u00ba 17).<\/p>\n<p>O trabalho digno justo e reconhecido visa o primado da pessoa humana. A pessoa humana \u00e9 o centro de tudo.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 um direito e uma necessidade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a chave da quest\u00e3o social\u201d, escreveu Jo\u00e3o Paulo II na enc\u00edclica \u201cLaborem Exercens\u201d. Pelo trabalho, cada Ser torna-se cooperador na obra da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Trabalho digno, justo e reconhecido \u00e9 aquele que realiza o Homem, tornando-o mais humano e permitindo uma vida digna para si e para a sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o permitiu analisarmos o significado de cada palavra e a sua grandeza:<\/p>\n<p>Digno; Justo e Reconhecido. Analis\u00e1mos ainda os n\u00fameros de desempregados de \u00c1gueda (1779 \u2013 na diocese, a seguir a Aveiro, \u00e9 o conselho com maior n\u00famero de desempregados, em n\u00fameros absolutos) e de Valongo do Vouga e cheg\u00e1mos \u00e0 conclus\u00e3o da urgente necessidade de crescermos em cidadania activa e de nos organizarmos para criarmos alternativas e sobretudo uma nova consci\u00eancia de Crist\u00e3os empenhados. As pequenas ac\u00e7\u00f5es t\u00eam muito valor, se forem feitas por todos; e transformam-se em grandes.<\/p>\n<p>Graciete Marques, da Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuando a minha firma est\u00e1 em dificuldades vale-me o sal\u00e1rio da minha esposa, que \u00e9 funcion\u00e1ria p\u00fablica e por enquanto recebe certinho. 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