{"id":17099,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17099"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"reencarnacao-ou-ressurreicao-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/reencarnacao-ou-ressurreicao-ii\/","title":{"rendered":"Reencarna\u00e7\u00e3o ou ressurrei\u00e7\u00e3o? (II)"},"content":{"rendered":"<p>O leitor pergunta <!--more--> Conclui-se hoje a resposta de Lu\u00eds Pereira da Silva, professor de EMRC e te\u00f3logo, \u00e0 pergunta \u201cComo explicar que a reencarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz sentido?\u201d Na primeira parte da resposta (ver Correio do Vouga de 4 de Maio), desenvolveram-se raz\u00f5es de ordem b\u00edblica e antropol\u00f3gica que n\u00e3o permitem aceitar a reencarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>3. Raz\u00f5es de concep\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. A concep\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria e de presen\u00e7a no tempo, que o cristianismo sempre teve, \u00e9 definida pela continuidade e linearidade, isto \u00e9, desde sempre o cristianismo rejeitou concep\u00e7\u00f5es c\u00edclicas da hist\u00f3ria que se afiguram incoerentes com a vis\u00e3o antropol\u00f3gica anteriormente apresentada, assim como com a vis\u00e3o teol\u00f3gica de um Deus que se relaciona com cada um e que o coloca numa din\u00e2mica de salva\u00e7\u00e3o que encaminha todos para o \u00d3mega (horizonte final de salva\u00e7\u00e3o) e, n\u00e3o, que os afunde num eterno repetir, sem sentido e horizonte de salva\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Mais ainda, na perspectiva crist\u00e3 da hist\u00f3ria, o mundo \u00e9 o palco da realiza\u00e7\u00e3o do homem, num encontro entre a vontade e provid\u00eancia divina e a liberdade do homem. Para que a hist\u00f3ria se realize, pressup\u00f5e-se, neste quadro, que a liberdade \u00e9 efectiva e n\u00e3o uma ilus\u00e3o ou fic\u00e7\u00e3o. Ora, no prisma da reencarna\u00e7\u00e3o, o mundo \u00e9 o palco em que a \u00faltima palavra \u00e9 a de um destino que marca a condi\u00e7\u00e3o dos esp\u00edritos que repetem ciclos at\u00e9 se libertarem da pris\u00e3o do corpo. A liberdade, neste contexto, fica transformada em apar\u00eancia. A liberdade do homem \u00e9 substitu\u00edda por um mecanismo exterior ao homem. O homem n\u00e3o decide, \u00e9 v\u00edtima do destino da repeti\u00e7\u00e3o indefinida&#8230; <\/p>\n<p>4. Raz\u00f5es de ordem hist\u00f3rica. Ao longo da hist\u00f3ria da Igreja, a discuss\u00e3o foi frequente. Reincidentemente, o Cristianismo foi-se debatendo com a emerg\u00eancia de perspectivas que pretendiam rejeitar a unicidade da condi\u00e7\u00e3o humana, rejeitando a bondade do mundo (como se o corpo fosse express\u00e3o de um princ\u00edpio maligno, diante do princ\u00edpio benigno que era a alma), afirmando que o mundo era um c\u00e1rcere de que o homem deveria libertar-se. Ora, a perspectiva crist\u00e3 est\u00e1 no oposto desta vis\u00e3o, de carga maniqueia, condenada no II Conc\u00edlio de Constantinopla (553), pois o mundo \u00e9 o lugar da constru\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o, no encontro entre a provid\u00eancia divina e a liberdade humana, num todo que se far\u00e1 encontro, face-a-face, na morte \u00fanica de cada um.<\/p>\n<p>Aceitar a reencarna\u00e7\u00e3o e a ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de concilia\u00e7\u00e3o, pois os princ\u00edpios em que assentam n\u00e3o se compaginam. A decis\u00e3o est\u00e1 entre uma vis\u00e3o integral ou uma vis\u00e3o que rompe a integridade (do homem, do mundo, da cria\u00e7\u00e3o, da hist\u00f3ria).<\/p>\n<p>Lu\u00eds Pereira da Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O leitor pergunta<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-17099","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17099","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17099"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17099\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17099"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17099"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17099"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}