{"id":17109,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17109"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"familia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/familia-2\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito da Semana da Vida (15 a 22 de Maio), os bispos portugueses v\u00e3o lan\u00e7ar o documento \u201cRespeita o outro, diz n\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia\u201d, cujo primeiro ponto fala da \u201cviol\u00eancia dentro da fam\u00edlia\u201d. Em que consiste esta viol\u00eancia?<\/p>\n<p>O documento que foi divulgado pela Comiss\u00e3o Episcopal da Fam\u00edlia e Secretariado Nacional da Fam\u00edlia resume-se a uma carta circular, justificando a escolha do tema, e a elencar algumas das diversas formas de viol\u00eancia que hoje atingem a fam\u00edlia. O documento n\u00e3o deixa de frisar que certas formas de viol\u00eancia surgem no seio da pr\u00f3pria fam\u00edlia, outras v\u00eam de fora. Nas primeiras, a Igreja refere a viol\u00eancia conjugal, a viol\u00eancia exercida pelos pais ou outros familiares mais idosos sobre os filhos e as crian\u00e7as (infelizmente, os \u00faltimos meses t\u00eam sido f\u00e9rteis em not\u00edcias deste g\u00e9nero que devemos repudiar a todos os t\u00edtulos, pois nada a justifica), a viol\u00eancia entre irm\u00e3os, a viol\u00eancia do aborto e a mentalidade de eutan\u00e1sia, que se est\u00e1 a pretender espalhar como algo normal numa sociedade evolu\u00edda, a viol\u00eancia do abandono das crian\u00e7as e dos idosos, etc. Naturalmente, importa referir que esta viol\u00eancia se exerce, quer f\u00edsica quer psicologicamente, n\u00e3o pou-cas vezes ro\u00e7ando n\u00edveis absolutamente intoler\u00e1veis e, portanto, a denunciar.<\/p>\n<p>E como s\u00e3o as viol\u00eancias que v\u00eam de fora?<\/p>\n<p>T\u00eam a ver, concretamente, com os dom\u00ednios exercidos pela legisla\u00e7\u00e3o, economia, fiscalidade. Basta recordar, neste \u00faltimo caso, o regime fiscal que pende sobre os casais unidos em matrim\u00f3nio e aqueles que vivem em uni\u00e3o sem v\u00ednculo matrimonial. Tamb\u00e9m nestes aspectos bem concretos a lei manifesta a sua iniquidade. A viol\u00eancia no \u00e2mbito laboral, a desigualdade de hor\u00e1rios e de vencimentos para trabalho igual. A viol\u00eancia veiculada pelos Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Social em nome de uma \u201cliberdade\u201d de informar, como se n\u00e3o existissem crit\u00e9rios \u00e9ticos e uma deontologia profissional a respeitar. A viol\u00eancia na conviv\u00eancia social, violando-se frequentemente os direitos c\u00edvicos dos outros cidad\u00e3os. A viol\u00eancia no \u00e2mbito escolar, nos dois sentidos da escala hier\u00e1rquica dentro da comunidade escolar e ao n\u00edvel horizontal dos colegas uns com os outros. Por isso, \u00e9 importante respeitar o outro e dizer n\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia de modo activo e comprometido, para gerar uma comunidade humana mais fraterna e mais acolhedora.<\/p>\n<p>Por vezes, ouve-se que, por motivos religiosos (indissolubilidade do matrim\u00f3nio, \u201cperd\u00e3o ao agressor\u201d&#8230;), as mulheres tendem a calar a viol\u00eancia dom\u00e9stica. N\u00e3o haver\u00e1 qualquer coisa de errado nisto?<\/p>\n<p>Admito que possa haver um erro de interpreta\u00e7\u00e3o por parte das pessoas sobre o significado de indissolubilidade matrimonial e de \u201cperd\u00e3o ao agressor\u201d. No entanto, nenhuma forma de viol\u00eancia pode ser admitida, nem a Igreja a admite no seu ensino e na sua pr\u00e1tica. Pode acontecer que alguma inibi\u00e7\u00e3o das pessoas se queixarem da viol\u00eancia sofrida esteja mais relacionada com a vergonha que sentem de serem v\u00edtimas que pelos motivos aduzidos na sua pergunta. Estes motivos a serem usados s\u00e3o, essencialmente, uma m\u00e1scara para justificar a vergonha e m\u00e1goa sentidas. Seja como for, hoje em dia, h\u00e1 mais abertura na sociedade para a compreens\u00e3o e apoio \u00e0s v\u00edtimas e, neste caso concreto, a Igreja, atrav\u00e9s das suas institui\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m tem sabido ser pioneira, abrindo algumas casas de acolhimento para as v\u00edtimas da viol\u00eancia familiar, como \u00e9 o caso da nossa cidade de Aveiro.<\/p>\n<p>A que casa se refere?<\/p>\n<p>Refiro-me concretamente \u00e0 Veravida, na par\u00f3quia da Vera Cruz, que neste momento j\u00e1 est\u00e1 lotada de pessoas que foram v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica. A casa tem por finalidade proteger, promover a autoconfian\u00e7a e incentivar ao reordenamento da vida profissional e familiar das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Mas o princ\u00edpio do perd\u00e3o pode levar a v\u00edtima a desculpar o agressor&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 que saber fazer a distin\u00e7\u00e3o entre perdoar e exigir rela\u00e7\u00f5es justas na conviv\u00eancia familiar ou social. Todo o crist\u00e3o deve perdoar, mas o perd\u00e3o n\u00e3o dispensa a justi\u00e7a a que cada pessoa tem direito. H\u00e1 que lutar contra a viol\u00eancia. Toda a viol\u00eancia. N\u00e3o apenas a viol\u00eancia entre os Estados com a for\u00e7a da opini\u00e3o p\u00fablica. Mas tamb\u00e9m contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar. E aqui, tamb\u00e9m tem que funcionar a for\u00e7a da opini\u00e3o p\u00fablica. Eis a raz\u00e3o do tema desta Semana da Vida que a Igreja portuguesa promove todos os anos na terceira semana de Maio.<\/p>\n<p>Ao n\u00edvel diocesano, como est\u00e1 a pastoral familiar?<\/p>\n<p>A Pastoral Familiar na Diocese de Aveiro \u00e9 um vasto campo de ac\u00e7\u00e3o. Os nossos bispos n\u00e3o se t\u00eam cansado de afirmar que este campo de ac\u00e7\u00e3o \u00e9 uma prioridade da pastoral. Infelizmente, na pr\u00e1tica, isto n\u00e3o est\u00e1 assumido pelos diferentes sectores da vida eclesial, desde padres, di\u00e1conos, leigos e fam\u00edlias. Da pastoral familiar tem-se uma vis\u00e3o redutora; quase se limita \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o, mais ou menos pr\u00f3xima, dos noivos para o matrim\u00f3nio, seja atrav\u00e9s de encontros organizados pela pr\u00f3pria par\u00f3quia ou grupos de par\u00f3quias ou atrav\u00e9s do movimento dos Centros de Prepara\u00e7\u00e3o para o Matrim\u00f3nio (CPM). Depois, a pastoral familiar quase se esgota. Excep\u00e7\u00e3o feita \u00e0 exist\u00eancia de uma estrutura diocesana de prepara\u00e7\u00e3o remota para o casamento que tem feito os poss\u00edveis por criar estruturas mais localizadas em cada concelho ou arciprestado. Algumas par\u00f3quias t\u00eam tamb\u00e9m a funcionar uma prepara\u00e7\u00e3o para o sacramento do Baptismo, cujas equipas s\u00e3o constitu\u00eddas por casais. No entanto, s\u00e3o muito poucas. Na generalidade, estes encontros s\u00e3o dirigidos pelos sacerdotes! Contudo, a pastoral familiar n\u00e3o se esgota nestes aspectos muito importantes da vida das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Que outros campos existem?<\/p>\n<p>A Igreja tem o dever de estar atenta a in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es, tais como: ajudar os casais a desenvolver, apreciar e fazer crescer a sua espiritualidade conjugal e familiar. Se bem que existem movimentos de espiritualidade na diocese, estes n\u00e3o atingem a totalidade dos casais; por isso, as estruturas da Igreja, diocese e par\u00f3quia, t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de oferecer aos casais os apoios necess\u00e1rios para eles poderem crescer na sua espiritualidade. E aqui, h\u00e1 lacunas graves. <\/p>\n<p>E quando o casamento n\u00e3o \u00e9 bem sucedido?<\/p>\n<p>Infelizmente, h\u00e1 muitos casais que, depois de mais ou menos anos de conviv\u00eancia conjugal, chegam \u00e0 ruptura. Nestas situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o dolorosas para os c\u00f4njuges separados e para os filhos, se os houver, a Igreja tem o dever de lhes estender a sua m\u00e3o materna. E novamente se verifica uma outra car\u00eancia de estruturas de apoio. A diocese investiu na prepara\u00e7\u00e3o de uma equipa diocesana para atender a estas situa\u00e7\u00f5es, mas est\u00e1 \u201cdesempregada\u201d.<\/p>\n<p>\u201cDesempregada\u201d\u2026 como?<\/p>\n<p>A equipa, ao longo de alguns anos, andou a estudar documentos e a preparar-se para apoiar situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, casais em vias de ruptura ou com a ruptura j\u00e1 consumada, mas n\u00e3o tem sido solicitada para desenvolver o seu trabalho espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Nas par\u00f3quias h\u00e1, portanto, muito por fazer&#8230;<\/p>\n<p>Geralmente, as par\u00f3quias t\u00eam uma preocupa\u00e7\u00e3o em dotar-se de estruturas que assegurem alguns servi\u00e7os imprescind\u00edveis e importantes, como a catequese, a liturgia, a ac\u00e7\u00e3o social e caritativa. Contudo, a pastoral familiar \u00e9 a parente pobre destas preocupa\u00e7\u00f5es. Pouco se investe na forma\u00e7\u00e3o dos casais e na cria\u00e7\u00e3o de uma equipa paroquial de pastoral familiar. E estas falhas devem-se n\u00e3o s\u00f3 aos sacerdotes como tamb\u00e9m aos pr\u00f3prios casais, que n\u00e3o se sentem motivados para se empenharem nesta pastoral familiar. Da\u00ed que Semanas da Vida bem poderiam ajudar a criar a mentalidade para a sua necessidade e urg\u00eancia. Talvez seja um momento oportuno para os Conselhos Paroquias de Pastoral despertarem e proporem a cria\u00e7\u00e3o destas estruturas locais. Para que surjam, n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios casais ideais, mas aqueles casais que se disponham, por bem da sua fam\u00edlia e das outras fam\u00edlias, a querer crescer e ajudar outros a crescer.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil come\u00e7ar sem algu\u00e9m que d\u00ea um impulso&#8230;<\/p>\n<p>O Secretariado Diocesano est\u00e1 disposto a ajudar nesta tarefa. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito da Semana da Vida (15 a 22 de Maio), os bispos portugueses v\u00e3o lan\u00e7ar o documento \u201cRespeita o outro, diz n\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia\u201d, cujo primeiro ponto fala da \u201cviol\u00eancia dentro da fam\u00edlia\u201d. Em que consiste esta viol\u00eancia? 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