{"id":17127,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17127"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"e-necessario-proibir-publicidade-de-comida-dirigida-a-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-necessario-proibir-publicidade-de-comida-dirigida-a-criancas\/","title":{"rendered":"\u00c9 necess\u00e1rio proibir publicidade de comida dirigida a crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>Isabel do Carmo, m\u00e9dica endocrinologista <!--more--> Vive-se actualmente uma \u201cepidemia da obesidade\u201d. Em Portugal, mais de metade das pessoas t\u00eam peso a mais. E, entre as crian\u00e7as, \u00e9 \u201cassustador\u201d o aumento do n\u00famero de casos de obesidade. Por duas raz\u00f5es, diz Isabel do Carmo: pela generaliza\u00e7\u00e3o da comida hipercal\u00f3rica, \u201csaborosa e de f\u00e1cil degluti\u00e7\u00e3o, mas cheia de a\u00e7\u00facares e gordura\u201d; e pela falta de exerc\u00edcio f\u00edsico. \u201cEm frente da televis\u00e3o, gasta-se menos calorias do que a dormir. \u00c9 uma esp\u00e9cie de anestesia\u201d, afirma a endocrinologista, que esteve na par\u00f3quia da Vera Cruz, a convite de Escola de Pais (organiza\u00e7\u00e3o de base paroquial, que promove ac\u00e7\u00f5es de Pastoral Familiar), na noite de 7 de Maio. O tema do encontro foi \u201cDoen\u00e7as do comportamento alimentar\u201d. O Correio do Vouga colocou-lhe algumas perguntas.<\/p>\n<p>Por causa da \u201cepidemia da obesidade\u201d, algumas pessoas t\u00eam sugerido que os alimentos que engordam tenham avisos como os do tabaco. Concorda com medidas semelhantes?<\/p>\n<p>Algumas j\u00e1 foram aprovadas no Parlamento Franc\u00eas. A proposta mais radical era que n\u00e3o houvesse de todo publicidade a esses alimentos. Depois, os l\u00f3bis agro-alimentares fizeram uma grande for\u00e7a e acabaram por chegar a acordo: que alguns alimentos publicitados sejam acompanhados por uma indica\u00e7\u00e3o dizendo que fazem mal \u00e0 sa\u00fade, porque s\u00e3o ricos em gorduras e a\u00e7\u00facares. Isto vai entrar em vigor a 1 de Setembro, em Fran\u00e7a. Ou ent\u00e3o pagam uma taxa, para a ag\u00eancia alimentar empregar na divulga\u00e7\u00e3o destas coisas.<\/p>\n<p>Est\u00e1 de acordo com a proibi\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas de doces e bebidas gasificadas nas escolas?<\/p>\n<p>Completamente. N\u00e3o h\u00e1 outro caminho. Deviam ser proibidas as m\u00e1quinas e tamb\u00e9m a publicidade nos programas para crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que os pais podem educar para uma boa alimenta\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante que os pais, em casa, d\u00eaem comida saud\u00e1vel aos filhos. Ou seja, que d\u00eaem leite, iogurte, vegetais, e depois, tamb\u00e9m, carne, peixe, massas e arroz. \u00c9 muito importante que n\u00e3o tragam do supermercado a comida com muitas calorias; chocolates, doces, batatas fritas, gelados. \u00c9 uma economia n\u00e3o comprar essas coisas e, por outro lado, n\u00e3o as levando para casa, as crian\u00e7as n\u00e3o as t\u00eam \u00e0 m\u00e3o e n\u00e3o as comem. At\u00e9 aos cinco anos, isto \u00e9 fundamental, porque at\u00e9 essa idade as crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam autonomia para ir comprar e fazem o que os pais lhes dizem para fazer. Aos seis anos \u00e9 que as coisas j\u00e1 come\u00e7am a ser mais complicadas.<\/p>\n<p>Mas a preven\u00e7\u00e3o da obesidade n\u00e3o passa s\u00f3 pela alimenta\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>As crian\u00e7as t\u00eam que brincar. Julgo que aqui em Aveiro t\u00eam muito mais possibilidade de brincar, brincadeiras espont\u00e2neas, movimentarem-se, irem para a rua, correrem, fazerem jogos, jogarem \u00e0 bola. Julgo que isto aqui \u00e9 muito mais poss\u00edvel do que em Lisboa, por exemplo. Isso deve ser facilitado. Os pais devem resistir a terem demasiada seguran\u00e7a, a terem medo.<\/p>\n<p>A par com a obesidade, existem dist\u00farbios alimentares opostos que levam \u00e0 magreza&#8230;<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que a sociedade \u00e9 invadida pela comida hipercal\u00f3rica, tamb\u00e9m \u00e9 vendida a imagem da rapariga perfeita, magra, com uma magreza extrema, como padr\u00e3o de beleza. Muito poucas pessoas resistem a serem puxadas para a comida, por um lado, e para o elogio da magreza, por outro. O elogio da magreza traz depois a anorexia nervosa e bulimia nervosa, consequ\u00eancia destas duas for\u00e7as contr\u00e1rias.<\/p>\n<p>Em que consistem essas doen\u00e7as?<\/p>\n<p>A anorexia nervosa aparece nas adolescentes de 12-16 anos, que, voluntariamente, passam a comer muito pouco. Ficam muito magras, mas continuam a pensar que est\u00e3o gordas. At\u00e9 parece que est\u00e3o a brincar connosco.<\/p>\n<p>A bulimia nervosa \u00e9 a ingest\u00e3o compulsiva de comida, que depois \u00e9 deitada fora atrav\u00e9s do v\u00f3mito provocado. Quatro em cada cem raparigas t\u00eam bulimia nervosa.<\/p>\n<p>Estas doen\u00e7as est\u00e3o no extremo da \u201cepidemia da obesidade\u201d. \u00c9 dif\u00edcil o equil\u00edbrio&#8230;<\/p>\n<p>O ser humano tem muita dificuldade em ser equilibrado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isabel do Carmo, m\u00e9dica endocrinologista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-17127","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17127"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17127\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}