{"id":17148,"date":"2009-07-08T11:45:00","date_gmt":"2009-07-08T11:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17148"},"modified":"2009-07-08T11:45:00","modified_gmt":"2009-07-08T11:45:00","slug":"bento-xvi-advoga-nova-ordem-politica-e-financeira-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/bento-xvi-advoga-nova-ordem-politica-e-financeira-internacional\/","title":{"rendered":"Bento XVI advoga nova ordem pol\u00edtica e financeira internacional"},"content":{"rendered":"<p>Terceira enc\u00edclica do Papa pede autoridade pol\u00edtica mundial para governar a globaliza\u00e7\u00e3o e superar a crise<\/p>\n<p>Bento XVI defende na sua terceira enc\u00edclica, \u201cCaritas in Veritate\u201d (\u201cA caridade na verdade\u201d), uma nova ordem pol\u00edtica e financeira internacional, para governar a globaliza\u00e7\u00e3o e superar a crise em que o mundo se encontra mergulhado.<\/p>\n<p>No documento, ontem tornado p\u00fablico, o Papa apresenta como prioridade a \u201creforma quer da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas quer da arquitectura econ\u00f3mica e financeira internacional\u201d, sentida em especial \u201cperante o crescimento incessante da interdepend\u00eancia mundial\u201d, mesmo no meio de uma \u201crecess\u00e3o igualmente mundial\u201d.<\/p>\n<p>Em v\u00e9speras de mais uma reuni\u00e3o do G8, a nova enc\u00edclica diz que esta \u201cverdadeira Autoridade pol\u00edtica mundial\u201d, pedida no texto, teria como objectivos priorit\u00e1rios \u201co governo da economia mundial\u201d, o desarmamento, \u201ca seguran\u00e7a alimentar e a paz\u201d, a defesa do ambiente e as regula\u00e7\u00f5es dos fluxos migrat\u00f3rios. Outra necessidade apontada \u00e9 a de ajudar \u201cas economias atingidas pela crise de modo a prevenir o agravamento da mesma e, em consequ\u00eancia, maiores desequil\u00edbrios\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 sobretudo a quest\u00e3o financeira que merece um olhar atento neste documento, que identifica \u201ctend\u00eancia actuais para uma economia a curto, sen\u00e3o mesmo curt\u00edssimo prazo\u201d e assinala que \u201cisto requer uma nova e profunda reflex\u00e3o sobre o sentido da economia e dos seus fins, bem como uma revis\u00e3o profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p>\u201cUm dado \u00e9 essencial: a necessidade de trabalhar n\u00e3o s\u00f3 para que nas\u00e7am sectores ou segmentos \u00ab\u00e9ticos\u00bb da economia ou das finan\u00e7as, mas tamb\u00e9m para que toda a economia e as finan\u00e7as sejam \u00e9ticas\u201d, assinala o documento.<\/p>\n<p>Bento XVI considera que os \u201cprinc\u00edpios tradicionais da \u00e9tica social\u201d, como a transpar\u00eancia, a honestidade e a responsabilidade, continuam a ter lugar nos dias de hoje para enfrentar \u201cproblem\u00e1ticas do desenvolvimento neste tempo de globaliza\u00e7\u00e3o\u201d, em especial perante a crise econ\u00f3mico-financeira.<\/p>\n<p>O documento indica que \u201ctamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es comerciais, o princ\u00edpio de gratuidade e a l\u00f3gica do dom como express\u00e3o da fraternidade podem e devem encontrar lugar dentro da actividade econ\u00f3mica normal\u201d.<\/p>\n<p>O Papa considera que todo o sistema financeiro \u201cdeve ser orientado para dar apoio a um verdadeiro desenvolvimento\u201d. \u201cH\u00e1 que considerar errada a vis\u00e3o de quantos pensam que a economia de mercado tenha estruturalmente necessidade duma certa quota de pobreza e subdesenvolvimento para poder funcionar do melhor modo\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Neste sentido, apela a uma regulamenta\u00e7\u00e3o do sector capaz de impedir \u201cespecula\u00e7\u00f5es escandalosas\u201d, referindo que \u00e0 luz da actual crise fica claro que \u201co progresso econ\u00f3mico se revela fict\u00edcio e danoso quando se abandona aos \u00abprod\u00edgios\u00bb das finan\u00e7as para apoiar incrementos artificiais e consumistas\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso que as finan\u00e7as enquanto tais &#8211; com estruturas e modalidades de funcionamento necessariamente renovadas depois da sua m\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o que prejudicou a economia real &#8211; voltem a ser um instrumento que tenha em vista a melhor produ\u00e7\u00e3o de riqueza e o desenvolvimento\u201d, aponta.<\/p>\n<p>\u201cA doutrina social nunca deixou de p\u00f4r em evid\u00eancia a import\u00e2ncia que tem a justi\u00e7a distributiva e a justi\u00e7a social para a pr\u00f3pria economia de mercado\u201d, prossegue o texto, indicando que \u201csem formas internas de solidariedade e de confian\u00e7a rec\u00edproca, o mercado n\u00e3o pode cumprir plenamente a sua pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica\u201d.<\/p>\n<p>Bento XVI sublinha que a actual crise veio destacar ainda mais \u201canomalias e problemas dram\u00e1ticos\u201d presentes no desenvolvimento econ\u00f3mico. \u201cCresce a riqueza mundial em termos absolutos, mas aumentam as desigualdades. Nos pa\u00edses ricos, novas categorias sociais empobrecem e nascem novas pobrezas\u201d, lamenta, falando ainda de \u201csitua\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria desumanizadora\u201d, corrup\u00e7\u00e3o e ilegalidade.<\/p>\n<p>A enc\u00edclica aborda \u201cpecados\u201d econ\u00f3micos e critica a \u201cconvic\u00e7\u00e3o de ser auto-suficiente\u201d. Mais \u00e0 frente, diz que \u201ca convic\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia de autonomia para a economia, que n\u00e3o deve aceitar \u00abinflu\u00eancias\u00bb de car\u00e1cter moral, impeliu o homem a abusar dos instrumentos econ\u00f3micos, at\u00e9 mesmo de forma destrutiva\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso evitar que o motivo para o emprego dos recursos financeiros seja especulativo, cedendo \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de procurar apenas o lucro a breve prazo sem cuidar igualmente da sustentabilidade da empresa a longo prazo\u201d, escreve Bento XVI.<\/p>\n<p>No mesmo sentido, precisa-se que \u201co objectivo exclusivo de lucro, quando mal produzido e sem ter como fim \u00faltimo o bem comum, arrisca-se a destruir riqueza e criar pobreza\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA economia tem necessidade da \u00e9tica para o seu correcto funcionamento; n\u00e3o de uma \u00e9tica qualquer, mas de uma \u00e9tica amiga da pessoa\u201d, frisa o Papa.<\/p>\n<p>Sobre a globaliza\u00e7\u00e3o, o Papa n\u00e3o alinha com as \u201catitudes fatalistas\u201d a respeito deste fen\u00f3meno, que mostra a realidade de \u201cuma humanidade cada vez mais interligada\u201d., mas declara que \u201c\u00e9 preciso corrigir as suas disfun\u00e7\u00f5es, tantas vezes graves, que introduzem novas divis\u00f5es\u201d e fazer com que \u201ca redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza n\u00e3o se verifique \u00e0 custa de uma redistribui\u00e7\u00e3o da pobreza ou at\u00e9 com o seu agravamento, como uma m\u00e1 gest\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o actual poderia fazer-nos temer\u201d.<\/p>\n<p>Ecclesia \/ CV<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terceira enc\u00edclica do Papa pede autoridade pol\u00edtica mundial para governar a globaliza\u00e7\u00e3o e superar a crise Bento XVI defende na sua terceira enc\u00edclica, \u201cCaritas in Veritate\u201d (\u201cA caridade na verdade\u201d), uma nova ordem pol\u00edtica e financeira internacional, para governar a globaliza\u00e7\u00e3o e superar a crise em que o mundo se encontra mergulhado. 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