{"id":17149,"date":"2009-07-08T11:46:00","date_gmt":"2009-07-08T11:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17149"},"modified":"2009-07-08T11:46:00","modified_gmt":"2009-07-08T11:46:00","slug":"tomai-senhor-recebei-toda-a-minha-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/tomai-senhor-recebei-toda-a-minha-liberdade\/","title":{"rendered":"&#8220;Tomai, Senhor, recebei toda a minha liberdade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz da Palavra <!--more--> Domingo XV do Tempo Comum.<\/p>\n<p>Am\u00f3s 7, 12-15; Salmo 84 (85); Ef 1, 3-14; Mc 6, 7-13.<\/p>\n<p>Aparece de novo, na liturgia deste Domingo, a figura do profeta. A primeira leitura descreve o encontro entre o sacerdote oficial de Betel, Amasias, e o profeta Am\u00f3s. Betel \u00e9 \u201csantu\u00e1rio real\u201d, \u201ctemplo do reino\u201d (Am\u00f3s, 7,13), quer dizer, lugar onde, em qualquer momento, se defendem os interesses nacionais e do rei, ainda que sempre em nome de Deus. O sacerdote Amasias vive e come deste servi\u00e7o. Am\u00f3s p\u00f5e em causa que um profeta aut\u00eantico tenha que viver defendendo os interesses dos poderosos; por isso, distanciando-se do profetismo tradicional, inicia um novo e inc\u00f3modo estilo de ser profeta. Para Am\u00f3s, o Deus dos seus pais n\u00e3o \u00e9 um Deus que olhe para a vida a partir dos grandes do mundo, mas dos pequenos. E n\u00e3o defende os interesses de uns poucos, mas antes da maioria que n\u00e3o tem o m\u00ednimo para poder subsistir. Deus v\u00ea e fala a partir daqueles que n\u00e3o t\u00eam voz. O profeta de Deus, ontem e hoje, \u00e9 aquele que se converte no grito dos que n\u00e3o podem falar porque a sua voz n\u00e3o \u00e9 escutada.<\/p>\n<p>H\u00e1 neste texto outro pormenor interessante. Perante a ordem de Amasias dirigida a Am\u00f3s: \u201cVai-te daqui\u201d (Am 7, 12), Am\u00f3s responde: \u201cEu n\u00e3o era profeta, nem filho de profeta. Era pastor de gado e cultivava sic\u00f3moros. Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho e me disse: \u201cVai profetizar ao meu povo de Israel\u201d (Am\u00f3s 7, 14-15).<\/p>\n<p>Am\u00f3s n\u00e3o \u00e9 profeta por iniciativa pr\u00f3pria, nem por mandato de qualquer homem, \u00e9 profeta por iniciativa de Deus, que o retirou do povo e lhe deu uma miss\u00e3o. Por isso n\u00e3o pode ir embora. O profeta \u00e9 coerente e n\u00e3o se deixa amedrontar, n\u00e3o deve nada a ningu\u00e9m, s\u00f3 se deve a Deus. Por isso, s\u00f3 se preocupa em fazer a vontade do seu Deus e em realizar os interesses divinos, ainda que isso implique deixar as suas coisas e transformar a sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Tal como Am\u00f3s, tamb\u00e9m os disc\u00edpulos de Jesus deixam que este transforme a vida deles e os envie. Sabem que n\u00e3o est\u00e3o totalmente preparados para a miss\u00e3o, mas confiam e aceitam as condi\u00e7\u00f5es deste envio: dois a dois, sem p\u00e3o, nem alforge, nem dinheiro; s\u00f3 com um cajado, sand\u00e1lias e uma t\u00fanica. Abandonados e confiando na bondade e solidariedade daqueles que quiserem abrir-lhes as portas de sua casa e a intimidade da sua fam\u00edlia (cf. Mc 6,7-10). Mas, isso sim, com a autoridade de quem os envia, a autoridade do Esp\u00edrito do Senhor que os acompanha. Por isso, n\u00e3o t\u00eam medo. Em seu nome e com a sua \u201cautoridade sobre os esp\u00edritos impuros\u201d, pregam uma mudan\u00e7a de mentalidade, desatam os n\u00f3s da maldade, expulsam os dem\u00f3nios que est\u00e3o na origen de ac\u00e7\u00f5es destrutivas, devolvem a dignidade aos filhos de Deus.<\/p>\n<p>O enviado do Senhor, profeta ou disc\u00edpulo, sabe claramente que a sua miss\u00e3o consiste em colaborar com o Senhor, para conseguir que tudo o que foi criado volte a ter as mesmas qualidades que tinha quando saiu das m\u00e3os de Deus (cf. 1,9-10). Para isso, o enviado tem que ser, antes de mais, uma pessoa livre. Livre dos interesses pessoais ou de institui\u00e7\u00f5es, livre de si mesmo, do seu passado, dos seus medos, dos seus condicionamentos. Livre, em \u00faltima an\u00e1lise, de tudo aquilo que pode bloquear o discernimento, a aceita\u00e7\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o da vontade de Deus.<\/p>\n<p>\u201cTomai, Senhor, recebei toda a minha liberdade\u201d. <\/p>\n<p>Estrella Rodr\u00edguez, FMVD<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz da Palavra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-17149","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17149"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17149\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}