{"id":17164,"date":"2009-07-08T12:23:00","date_gmt":"2009-07-08T12:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17164"},"modified":"2009-07-08T12:23:00","modified_gmt":"2009-07-08T12:23:00","slug":"o-papa-pio-xii-e-o-nazismo-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-papa-pio-xii-e-o-nazismo-i\/","title":{"rendered":"O Papa Pio XII e o Nazismo &#8211; I"},"content":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o <!--more--> Ao ter conhecimento de notas e coment\u00e1rios sobre as atitudes do papa Pio XII perante as atrocidades nazi-fascistas durante a segunda guerra mundial (1939-1945), sinto que n\u00e3o posso calar algo do que conheci e vivi em cima dos acontecimentos, durante os meus anos jovens.<\/p>\n<p> Tais recorda\u00e7\u00f5es pessoais, naturalmente de menor import\u00e2ncia, ser\u00e3o completadas com outros testemunhos e informa\u00e7\u00f5es posteriores. Desde j\u00e1 quero dizer que respeito as opini\u00f5es de outros, mas com o desejo de se fazer luz total sobre o tema, sem preconceitos \u2013 o que ser\u00e1 dif\u00edcil. <\/p>\n<p>Credenciado por elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, a partir de 30 de Mar\u00e7o de 1933 Adolf Hitler tornou-se o senhor absoluto da Alemanha. Poucos meses decorridos, precisamente em Julho seguinte, a Santa S\u00e9 assinou uma Concordata que, por sua parte, tamb\u00e9m garantiria o reconhecimento diplom\u00e1tico do regime nazi pelo Vaticano \u2013 o que ent\u00e3o era muito vantajoso para Hitler no plano internacional. Por tal raz\u00e3o, para l\u00e1 das suas inten\u00e7\u00f5es, este instrumento deu ao ditador um precioso cr\u00e9dito; aumentou o seu prest\u00edgio dentro e fora do pa\u00eds e impediu os bispos cat\u00f3licos de abertamente assumirem posi\u00e7\u00f5es contra as inger\u00eancias do Estado nos assuntos da Igreja ou criticarem publicamente as decis\u00f5es pol\u00edticas contra os direitos humanos. Hoje pergunta-se como foi poss\u00edvel que tantos respons\u00e1veis das Igrejas Crist\u00e3s, de qualquer confiss\u00e3o, pudessem ter sido iludidos, deixando-se convencer pela pretensa bondade das ideias nacionalistas e racistas.<\/p>\n<p>Todavia, perante a pol\u00edtica alem\u00e3 em crescente despotismo, o papa, apesar do referido acordo bilateral com a Alemanha, n\u00e3o se manteria silencioso. Logo em Abril de 1935, o cardeal Eug\u00e9nio Maria Pacelli, na qualidade de secret\u00e1rio de Estado da Santa S\u00e9, dirigindo-se a cerca de duzentos e cinquenta mil peregrinos em Lourdes, declarava: &#8211; \u00abEstes [nazis] ide\u00f3logos, de facto, s\u00e3o apenas miser\u00e1veis plagiadores, que levantam antigos erros sob novas cores. Pouco importa se o fazem sob a bandeira da revolu\u00e7\u00e3o social&#8230; ou se est\u00e3o possu\u00eddos pela supersti\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a e do sangue\u00bb. Pacelli foi outrossim o inspirador do final da enc\u00edclica de Pio XI, de 14 de Mar\u00e7o de 1937, Mit brennender Sorge (\u201cCom profunda tristeza\u201d). A dita enc\u00edclica, a primeira escrita em alem\u00e3o, foi distribu\u00edda secretamente aos bispos e sacerdotes e lida em todas as igrejas do \u201cReich\u201d no domingo de Ramos (21 de Mar\u00e7o). O documento condenou sem paliativos a doutrina totalit\u00e1ria e racista do Nazismo germ\u00e2nico, denunciou a opress\u00e3o exercida sobre a Igreja, proclamou n\u00e3o ser crist\u00e3o quem tivesse como norma suprema uma ra\u00e7a, um povo, um Estado ou os seus representantes, e rejeitou a vis\u00e3o e a filosofia pante\u00edstas daqueles ide\u00f3logos que ter\u00e7avam armas por um deus nacional ou por uma religi\u00e3o nacionalista. \u00abQuem quer que identifique, numa confus\u00e3o pante\u00edsta, Deus e universo, baixando Deus \u00e0s dimens\u00f5es do mundo, ou elevando o mundo \u00e0s de Deus, n\u00e3o pertence \u00e0queles que acreditam em Deus\u00bb &#8211; lia-se no documento. O sumo pont\u00edfice, no aspecto \u00e9tico, ainda refutou o Nazismo por fomentar o abandono das normas morais objectivas e advertiu: &#8211; \u00abAs leis humanas, que estiverem em oposi\u00e7\u00e3o insol\u00favel com o direito natural, sofrem de um v\u00edcio cong\u00e9nito que se n\u00e3o pode curar nem com opress\u00f5es nem com a ostenta\u00e7\u00e3o da for\u00e7a externa.\u00bb O Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros de Berlim, em face da frontalidade da enc\u00edclica papal, n\u00e3o ficou calado e caracterizou-a como \u00abuma declara\u00e7\u00e3o de guerra&#8230; pois chama todos os cidad\u00e3os cat\u00f3licos a insurgirem-se contra a autoridade do \u201cReich\u201d.\u00bb Pio XII, aludindo mais tarde a este documento do seu antecessor, diria que \u00abningu\u00e9m podia acusar a Igreja de n\u00e3o ter denunciado e indicado, na devida altura, o verdadeiro car\u00e1cter do movimento nacional-socialista e o perigo em que ele punha a civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3.\u00bb <\/p>\n<p>Durante o ano de 1938, a situa\u00e7\u00e3o na Alemanha tornava-se cada vez mais complicada; come\u00e7ara-se a perceber que Hitler caminhava para uma guerra europeia e mundial com o objectivo de demonstrar a superioridade do seu pa\u00eds, da sua pol\u00edtica ditatorial e das suas ideias anti-sem\u00edticas. Ent\u00e3o, ele tinha de encontrar bodes expiat\u00f3rios; os mais atingidos seriam os indefesos judeus, os exclu\u00eddos ciganos e as pessoas influentes na sociedade e dele discordantes. Consequentemente, no dia 9 de Novembro, a Alemanha via-se sacudida por uma onda de terror e de morte. Foi o princ\u00edpio do fim. Pac\u00edficos judeus foram subitamente expulsos das suas casas e torturados, as suas duzentas sinagogas incendiadas e as suas sete mil e quinhentas lojas comerciais destru\u00eddas e expropriadas. O p\u00e2nico apoderara-se de todos os alem\u00e3es; mas ningu\u00e9m se atrevia a protestar publicamente. Em conson\u00e2ncia com semelhante pol\u00edtica, a persegui\u00e7\u00e3o foi at\u00e9 \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de os atingidos serem relegados de diversas profiss\u00f5es, incluindo as do ensino.<\/p>\n<p>Quando, tamb\u00e9m no mesmo ano, foram sancionadas na It\u00e1lia, aliada da Alemanha, as primeiras leis contra os judeus, o papa Pio XI logo as condenou e, a seguir, agiu em conformidade. No m\u00eas de Setembro de 1938, perante peregrinos belgas, pronunciou uma frase que teve grande repercuss\u00e3o: &#8211; \u00abO anti-semitismo \u00e9 um movimento no qual n\u00f3s, crist\u00e3os, n\u00e3o podemos ter qualquer participa\u00e7\u00e3o. [&#8230;] Espiritualmente, somos semitas\u00bb; e, em Janeiro do ano seguinte, pediu aos embaixadores credenciados junto do Vaticano que conseguissem vistos para os seus pa\u00edses em favor dos judeus alem\u00e3es e italianos. Antes de falecer, o mesmo papa ainda chamou um bispo alem\u00e3o a Roma a fim de preparar um ref\u00fagio para os perseguidos junto da bas\u00edlica de S. Paulo. Como \u00e9 manifesto, o cardeal Pacelli estava envolvido nestas iniciativas. De facto, o general Ludendorf haveria de testemunhar: &#8211; \u00abPacelli foi o animador que esteve por tr\u00e1s de todas as actividades anti-germ\u00e2nicas da pol\u00edtica da Santa S\u00e9.\u00bb<\/p>\n<p>(Continua)<\/p>\n<p>Mons. Jo\u00e3o Gaspar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-17164","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17164","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17164"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17164\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}