{"id":1717,"date":"2010-06-02T15:40:00","date_gmt":"2010-06-02T15:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1717"},"modified":"2010-06-02T15:40:00","modified_gmt":"2010-06-02T15:40:00","slug":"a-ressurreicao-de-cada-dia-nos-dai-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-ressurreicao-de-cada-dia-nos-dai-hoje\/","title":{"rendered":"A ressurrei\u00e7\u00e3o de cada dia nos dai hoje&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> DOMINGO X &#8211; Ano C<\/p>\n<p>Elias salva da morte o filho da vi\u00fava em casa de quem se hospedara; Jesus salva da morte o filho da vi\u00fava de Naim; e S. Paulo, como intelectual que \u00e9, salva-se de uma \u00abvida morta\u00bb.<\/p>\n<p>Toda a nossa vida, como indiv\u00edduos e como grupos humanos e at\u00e9 como humanidade no seu todo, tem fundamentalmente uma preocupa\u00e7\u00e3o constante: salvar-se \u2013 de tudo o que \u00e9 negativo, e at\u00e9 daquilo para que toda a gente diz que \u00abn\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dio\u00bb. (O ponto sens\u00edvel da eutan\u00e1sia radicar\u00e1 neste impulso para uma salva\u00e7\u00e3o sem excep\u00e7\u00f5es, levantando quest\u00f5es cada vez mais s\u00e9rias e controversas \u00e0 medida que a humanidade toma consci\u00eancia do sentido da vida).<\/p>\n<p>Politicamente todos desejamos um salvador.<\/p>\n<p>S. Paulo reconhece Jesus Cristo como \u00absalvador\u00bb da pr\u00f3pria vida, mas tem o bom senso de se salvar a si pr\u00f3prio (um avant-lettre de \u00abfia-te na Virgem e n\u00e3o corras\u2026\u00bb).<\/p>\n<p>\u00c9 muito frequente confundir dois sentidos de ressurrei\u00e7\u00e3o radicalmente diferentes: a de uma pessoa morta que volta \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da sua vida anterior; e o acesso a uma nova e permanente forma de vida. Quando a B\u00edblia relata acontecimentos no 1.\u00ba sentido, podemos hoje dizer que estamos perante casos de morte aparente (de acordo com a pr\u00f3pria exegese dos textos) e de interven\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m com especiais poderes curativos. \u00c9 o que ter\u00e1 acontecido nas leituras de hoje, a que podemos juntar casos semelhantes, como o de Eliseu, disc\u00edpulo de Elias (os \u00fanicos relatos no A.T.) ; e, no N.T., com a filha de Jairo (Marcos 5,22 ss.) e ainda com S. Pedro (Actos 9,40) e S. Paulo (Actos 20,8). N\u00e3o se pode enquadrar nestes fen\u00f3menos a \u00abressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro\u00bb (Jo\u00e3o 11,1), de tal modo reflecte uma not\u00e1vel elabora\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica.<\/p>\n<p>No Antigo Testamento, ali\u00e1s, a ressurrei\u00e7\u00e3o \u00abneste corpo\u00bb n\u00e3o poderia ser aceit\u00e1vel. O termo \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb apenas se aplica a uma \u00abeleva\u00e7\u00e3o\u00bb dos justos (o novo Israel) a uma exist\u00eancia de n\u00edvel superior, sem necessariamente implicar a isen\u00e7\u00e3o da morte. Nos \u00faltimos anos antes de Cristo e sobretudo com o cristianismo, desenvolveu-se a cren\u00e7a na \u00abressurrei\u00e7\u00e3o individual\u00bb, mas \u00e9 errado pensar que se trata de restitui\u00e7\u00e3o da vida como a conhecemos. A nova vida \u00e9 \u00abimortal\u00bb porque radicalmente nova.<\/p>\n<p>As \u00abhist\u00f3rias de Jesus ressuscitado\u00bb apenas sublinham que se tratava da mesma pessoa, aquele ser \u00fanico como qualquer um de n\u00f3s, que muitos pensadores dizem \u00abnascer para a morte\u00bb, enquanto outros reconhecem que \u00abnascemos e morremos para sempre mais vida\u00bb. Os evangelhos apenas falam da percep\u00e7\u00e3o que alguns disc\u00edpulos tiveram de que Jesus \u00abn\u00e3o tinha nascido para morrer\u00bb e que a sua vitalidade era agora de n\u00edvel incomparavelmente superior, e que foi \u00abo primog\u00e9nito\u00bb (Colossenses  1,18) do ser humano na plenitude da vida.\t <\/p>\n<p>Se o poder de ressuscitar fosse mesmo o de aniquilar a morte, seria frustrante e at\u00e9 cruel que os profetas e Jesus s\u00f3 o aplicassem meia d\u00fazia de vezes. <\/p>\n<p>S\u00e3o apenas sinais, e a \u00abressurrei\u00e7\u00e3o de S. Paulo\u00bb (2.\u00aa leitura) mostra que o essencial \u00e9 adquirir um olhar t\u00e3o penetrante que percebe Deus presente nos nossos dramas, presente nas nossas experi\u00eancias de morte e sustentando a nossa esperan\u00e7a de que a morte n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a vida. Nem Deus tem a \u00faltima palavra, porque Ele \u00e9 uma s\u00f3 palavra: Vida.<\/p>\n<p>Estas hist\u00f3rias de \u00abressurrei\u00e7\u00f5es\u00bb levantam sobretudo a quest\u00e3o do significado de vida. N\u00e3o a dever\u00edamos olhar como uma ressurrei\u00e7\u00e3o cont\u00ednua? \u2013  para novos tempos, novas oportunidades, para a surpresa sem fim, para passagem de testemunho e, muito importante, para nos sabermos acompanhar nos bons e maus momentos. \u00c9 assim que n\u00e3o nos limitamos a suspirar de tristeza (e al\u00edvio) por algu\u00e9m que j\u00e1 sofreu \u2013 mas descobrimos como podemos todos ser m\u00e9dicos para ajudar os outros \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o de cada dia e assim gozarmos, com eles, da nossa pr\u00f3pria ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ressurrei\u00e7\u00e3o de cada dia \u00e9 lutar contra todas as formas do mal. E o pior exterminador \u00e9 a injusti\u00e7a. Resistir e combat\u00ea-la, e aventurar-se na incerteza pr\u00f3pria de grandes projectos, \u00e9 apostar na salva\u00e7\u00e3o, rezando em verdadeira comunidade: a ressurrei\u00e7\u00e3o de cada dia nos dai hoje\u2026<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-1717","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1717","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1717"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1717\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}