{"id":17276,"date":"2009-07-15T11:58:00","date_gmt":"2009-07-15T11:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17276"},"modified":"2009-07-15T11:58:00","modified_gmt":"2009-07-15T11:58:00","slug":"todos-cumplices","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/todos-cumplices\/","title":{"rendered":"Todos c\u00famplices?"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Com alguma sobranceria inquisitorial, muita gente se considera v\u00edtima da crise actual, e defende que os seus respons\u00e1veis sejam \u00abpunidos exemplarmente\u00bb. Em contrapartida, n\u00e3o se encontra difundida a pr\u00e1tica do \u00abexame de consci\u00eancia\u00bb pessoal e colectivo, nem se procuram caminhos verdadeiramente novos. Talvez seja leg\u00edtima a seguinte pergunta: aquilo que os \u00abgrandes respons\u00e1veis pela crise\u00bb fizeram n\u00e3o ser\u00e1  aquilo que n\u00f3s far\u00edamos se estiv\u00e9ssemos nos seus lugares? As grandes desigualdades que contestamos n\u00e3o ser\u00e3o uma projec\u00e7\u00e3o extrema das desigualdades de que beneficiam alguns de n\u00f3s? <\/p>\n<p>H\u00e1 quem ganhe, com toda a naturalidade, dez e mais vezes o montante do \u00absal\u00e1rio m\u00ednimo nacional\u00bb. H\u00e1 quem ache normal que algumas remunera\u00e7\u00f5es no sector p\u00fablico sejam muito superiores \u00e0 do Presidente da Rep\u00fablica. H\u00e1 quem defenda que os deputados e outros pol\u00edticos deveriam auferir remunera\u00e7\u00f5es superiores, para motiva\u00e7\u00e3o dos \u00abmelhores\u00bb candidatos. Muitos de n\u00f3s procedemos como se as verbas multimilion\u00e1rias pagas pela transfer\u00eancia de craques do desporto n\u00e3o fizessem parte do sistema gerador da crise actual; h\u00e1 quem adimita que elas s\u00e3o uma justo reconhecimento de m\u00e9rito extraordin\u00e1rio. Com toda a naturalidade, compramos bens diversos produzidos em regime de escravatura, considerada ou n\u00e3o como tal. Com a mesma naturalidade, aproveitamos os baixos pre\u00e7os que resultam do esmagamento comercial da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e industrial&#8230;<\/p>\n<p>Defendemos, com toda a raz\u00e3o, que a supera\u00e7\u00e3o da crise implica uma \u00ab\u00e9tica absolutamente vinculante\u00bb (Cf. a enc\u00edclica de Jo\u00e3o Paulo II, \u00abA Solicitude Social da Igreja\u00bb, 1987, n\u00ba. 38); contudo, por via de regra, entendemos que esta exig\u00eancia se destina aos outros. Sobretudo, n\u00e3o assumimos que o sistema econ\u00f3mico e os demais sistemas de vida se encontram minados por \u00abmecanismos perversos\u00bb e \u00abestruturas de pecado\u00bb, em que somos parte activa (cf. ibidem, n\u00bas. 35-37); tais mecanismos e estruturas t\u00eam  uma exist\u00eancia objectiva, fora de n\u00f3s, mas n\u00e3o se dissociam da nossa responsabilidade pessoal. Torna-se indispens\u00e1vel, por isso, uma interac\u00e7\u00e3o permanente das pessoas e a dos sistemas (ibidem, n\u00bas. 38-40). Enquanto n\u00e3o nos comprometermos nesta dupla transforma\u00e7\u00e3o, agravamos a nossa co-responsabilidade pela crise. <\/p>\n<p>N\u00e3o conseguimos evitar a crise, para cujo risco nos alertava a enc\u00edclica acima referida (n\u00ba. 47). Saibamos evitar \u00abuma guerra tremenda, sem fronteiras, sem vencedores nem vencidos\u00bb, tamb\u00e9m a\u00ed objecto de alerta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-17276","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17276","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17276"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17276\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}