{"id":17316,"date":"2009-07-22T12:24:00","date_gmt":"2009-07-22T12:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17316"},"modified":"2009-07-22T12:24:00","modified_gmt":"2009-07-22T12:24:00","slug":"o-papa-pio-xii-e-o-nazismo-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-papa-pio-xii-e-o-nazismo-iii\/","title":{"rendered":"O Papa Pio XII e o Nazismo &#8211; III"},"content":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o <!--more--> Continua\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>No rodar dos acontecimentos, no ano de 1943, a autoridade nazi de Roma emitiu a ordem de pris\u00e3o imediata de todos os judeus residentes nesta cidade. Previu-se que fossem capturadas cerca de seis mil pessoas, a fim de serem enviadas para o campo de concentra\u00e7\u00e3o de Mauthausen. O papa interveio directa e rapidamente, quer recolhendo milhares de judeus no Vaticano e em Castelgandolfo, quer mandando aos superiores e \u00e0s superioras dos mosteiros e dos conventos que, suspensas as suas constitui\u00e7\u00f5es, escondessem imediatamente os homens e as mulheres perseguidos. Assim se salvaram quase cinco mil judeus; muitos dos restantes foram deportados para Auschwitz \u2013 e mais n\u00e3o foram devido \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio de Estado de Sua Santidade, cardeal Luigi Maglione, junto do embaixador alem\u00e3o no Vaticano a quem pediu: &#8211; \u00abTente salvar os inocentes que sofrem por pertencer a uma ra\u00e7a determinada\u00bb. A este prop\u00f3sito, lembro o que em 1951, no Semin\u00e1rio de Cristo-Rei, nos contou a n\u00f3s, jovens alunos, o cardeal-patriarca de Lisboa D. Manuel Gon\u00e7alves Cerejeira. Disse ele que, no in\u00edcio do segundo semestre de 1943, Hitler pensara em ocupar o Vaticano e sequestrar ou mesmo matar Pio XII, como resposta \u00e0 primeira pris\u00e3o de Benito Mussolini, da It\u00e1lia; \u00e9 que o ditador n\u00e3o podia deixar em claro o papel anti-nazi do pont\u00edfice. No caso de tal acontecer, o n\u00facleo governativo da Santa S\u00e9, n\u00e3o tendo condi\u00e7\u00f5es para exercer a sua miss\u00e3o em Roma, talvez se estabelecesse no convento de Mafra, segundo o que se havia acordado diplom\u00e1tica e secretamente com o Estado Portugu\u00eas.<\/p>\n<p>A guerra na Europa terminou em 7 de Maio de 1945, com a derrota e a rendi\u00e7\u00e3o da Alemanha. Tendo consci\u00eancia do apoio humanit\u00e1rio, inteligente e eficaz que lhe fora dado por Pio XII e pelos cat\u00f3licos, o povo judeu manifestar-se-ia agradecido ao papa. Destaco alguns momentos em que tal sentimento de gratid\u00e3o foi concretizado de forma pessoal: &#8211; Em 7 de Setembro, por Jos\u00e9 Nathan, comiss\u00e1rio da Uni\u00e3o das Comunidades Judaicas Italianas; em 21 seguinte, por Leo Kubowitzki, secret\u00e1rio geral do Congresso Judaico Mundial; e, em 29 de Novembro, por oitenta delegados dos prisioneiros dos campos de concentra\u00e7\u00e3o alem\u00e3es, que particularmente lhe agradeceram a sua \u00abgenerosidade demonstrada para com eles durante o terr\u00edvel per\u00edodo do Nazi-fascismo.\u00bb Todos reconheciam que a influ\u00eancia de Pio XII, \u00abem toda a Europa durante a guerra\u00bb, fora extraordin\u00e1ria ao ponto de mandar e aconselhar os arcebispos e bispos das Dioceses, os religiosos e religiosas dos conventos e os respons\u00e1veis das institui\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica que socorressem os perseguidos, apesar dos perigos a que se expunham. Perante a grandeza moral do sumo pont\u00edfice, depois de assinada a paz, o rabino-mor de Roma, Israel Zolli, e sua mulher, que o papa tinha recolhido no Vaticano, converteram-se ao catolicismo, sem influxo de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Por seu turno, Golda Meir, ministra das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de Israel e mais tarde primeira-ministra, quando Pio XII faleceu em 1958, escreveu numa missiva que enviou \u00e0 Santa S\u00e9: &#8211; \u00abN\u00f3s choramos um grande servidor da paz. [\u2026] Compartilhamos da dor da humanidade. [&#8230;] Quando o terr\u00edvel mart\u00edrio se abateu sobre o nosso povo, a voz do papa elevou-se em favor das v\u00edtimas.\u00bb E o c\u00e9lebre cientista e judeu alem\u00e3o Albert Einstein, que morreu em 1955, n\u00e3o deixou de escrever no \u201cThe Tablet\u201d de Londres: &#8211; \u00abS\u00f3 a Igreja Cat\u00f3lica se pronunciou claramente contra a campanha hitleriana que suprimia a liberdade. At\u00e9 ent\u00e3o a Igreja nunca tinha chamado a minha aten\u00e7\u00e3o; hoje, por\u00e9m, expresso a minha admira\u00e7\u00e3o e o meu profundo apre\u00e7o por esta Igreja que, sozinha, teve a coragem de lutar pelas liberdades morais e espirituais.\u00bb Outro judeu, o dr. Greenstein, presidente das Associa\u00e7\u00f5es Caritativas Judaicas de Baltimore, tamb\u00e9m testemunhou: &#8211; \u00abJamais esquecerei o meu encontro com Pio XII. Disse a Sua Santidade que lhe levava uma b\u00ean\u00e7\u00e3o especial do seu amigo, o rabino Herzog, pelos esfor\u00e7os que tinha feito para salvar a vida dos judeus durante a ocupa\u00e7\u00e3o nazista da It\u00e1lia. Respondeu-me ele que a sua \u00fanica pena era a de n\u00e3o ter conseguido salvar um ainda maior n\u00famero de judeus.\u00bb<\/p>\n<p>O professor judeu Pinchas Lapide, que exerceu as fun\u00e7\u00f5es de c\u00f4nsul israelita em Mil\u00e3o e de director do Servi\u00e7o de Imprensa do Governo do seu pa\u00eds, falecido em 1997, foi um dos investigadores que estudaram a atitude de Pio XII com os judeus, durante a segunda guerra mundial. Quando, em 1963, se desencadeou um ataque violento e ofensivo da mem\u00f3ria de Pio XII, considerando que nada fizera para evitar o genoc\u00eddio do povo judeu e apresentando-o como c\u00famplice de Hitler, com base na publica\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o em Berlim da pe\u00e7a teatral, escrita pelo protestante Rolf Hochhuth, \u201cO Vig\u00e1rio\u201d (a seguir transposta para o cinema), aquele professor saiu em defesa do sumo pont\u00edfice com o livro \u201cRom und die Juden\u201d. Pouco antes de morrer, Lapide fez ainda novas declara\u00e7\u00f5es, juntamente com sua mulher Rute, historiadora e especialista em juda\u00edsmo, que em 1997 foram inclu\u00eddas na revista alem\u00e3 \u201cPUR-Magazin\u201d. Classificando as afirma\u00e7\u00f5es de Hochhuth como \u00abpreconceitos injustos contra o papa\u00bb, e, no que se refere a Pio XII, \u00abuma simplifica\u00e7\u00e3o e em parte cal\u00fanias\u00bb, escreveu ele: &#8211; \u00abPosso afirmar com verdade que o papa, pessoalmente, os n\u00fancios e toda a Igreja Cat\u00f3lica salvaram da morte cerca de quatrocentos mil judeus.\u00bb Lapide recordaria tamb\u00e9m que Mons. Eug\u00e9nio Maria Pacelli (futuro Pio XII), quando n\u00fancio apost\u00f3lico em Munique, tinha contribu\u00eddo  em 1917 para, na Palestina, salvar os judeus de um massacre projectado. E lembra ainda que, pouco antes do Natal de 1944, esteve com Pio XII durante cerca de uma hora; entre outras coisas, disse o papa: &#8211; \u00abSenhor Lapide, estou certo de que, no futuro, vai pensar-se que eu poderia ter feito mais para salvar judeus &#8211; e \u00e9 evidente que poderia fazer mais; mas \u00e9 uma realidade aquilo que pude fazer.\u00bb Por sua vez, Rute haveria de corroborar: &#8211; \u00abAs Igrejas Evang\u00e9licas e o Comit\u00e9 Internacional da Cruz Vermelha fizeram muito menos do que fez o Vaticano para salvar judeus.\u00bb<\/p>\n<p>Termino estas linhas, referindo apenas tr\u00eas epis\u00f3dios: &#8211; Em 18 de Janeiro de 2005, uma delega\u00e7\u00e3o de representantes religiosos judeus, deslocando-se ao Vaticano em visita a Jo\u00e3o Paulo II, agradeceu o que a Igreja Cat\u00f3lica havia feito em favor das v\u00edtimas do Nazismo; &#8211; em 18 de Junho de 2008, um pequeno grupo de sobreviventes do \u201cHolocausto\u201d foi \u00e0 presen\u00e7a de Bento XVI com id\u00eantica finalidade; &#8211; e, ainda em 2008, Erich A. Silver, destacado rabino americano de Cheshire (Connecticut), escreveu no pr\u00f3logo do livro de Margherita Marchione, ent\u00e3o publicado: &#8211; \u00abVale a pena destacar que, ap\u00f3s o fim da guerra e at\u00e9 \u00e0 sua morte, os judeus continuamente elogiaram Pio XII, reconhecendo-o como salvador.\u00bb<\/p>\n<p>Mons. Jo\u00e3o Gaspar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-17316","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17316","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17316"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17316\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17316"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17316"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}