{"id":17318,"date":"2009-07-22T15:03:00","date_gmt":"2009-07-22T15:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17318"},"modified":"2009-07-22T15:03:00","modified_gmt":"2009-07-22T15:03:00","slug":"gratuidade-estruturante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/gratuidade-estruturante\/","title":{"rendered":"Gratuidade estruturante"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> A \u00abhibridiza\u00e7\u00e3o\u00bb da empresa e da economia \u00e9 uma ideia operacional b\u00e1sica, na recente enc\u00edclica de Bento XVI , \u00abCaritas in Veritate\u00bb. Segundo esta ideia, \u00aba actividade econ\u00f3mica n\u00e3o pode prescindir da gratuidade\u00bb (n\u00ba. 38). E, por outro lado, o Estado e as institui\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos podem realizar actividades lucrativas, embora n\u00e3o prossigam o lucro como objectivo fundamental (ibidem). Deste modo, o princ\u00edpio da gratuidade \u00e9 (deve ser) integrado em todas as actividades humanas; e, \u00abpor isso, (&#8230;) \u00e9 causa de graves desequil\u00edbrios separar o agir econ\u00f3mico (&#8230;) do agir pol\u00edtico (&#8230;)\u00bb (n\u00ba. 36). <\/p>\n<p>Na linha da enc\u00edclica de Jo\u00e3o Paulo II, \u00abCentesimus Annus\u00bb, a nova enc\u00edclica de Bento XVI considera necess\u00e1ria a exist\u00eancia de \u00abtr\u00eas sujeitos\u00bb do sistema socioecon\u00f3mico: \u00abo mercado, o Estado e a sociedade civil\u00bb (n\u00ba. 38): o mercado \u00e9 respons\u00e1vel, predominantemente, pelas actividades produtivas, em princ\u00edpio lucrativas; o Estado, pela redistribui\u00e7\u00e3o, visando o bem comum; e a sociedade civil, pela ac\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria. Sem preju\u00edzo desta especializa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 que ultrapassar diferencia\u00e7\u00f5es antag\u00f3nicas; na verdade, \u00abhoje podemos dizer que a vida econ\u00f3mica deve ser entendida como uma realidade com v\u00e1rias dimens\u00f5es: em todas deve estar presente, embora em medida diversa e com modalidades espec\u00edficas, o aspecto da reciprocidade fraterna\u00bb (n\u00ba. 38).<\/p>\n<p>Ser\u00e1 realiz\u00e1vel esta orienta\u00e7\u00e3o papal? E n\u00e3o implicar\u00e1 uma substitui\u00e7\u00e3o do sistem capitalista? &#8211; A enc\u00edclica n\u00e3o se pronuncia sobre a viabilidade da sua proposta; assume-a, sim, como imperativo inalien\u00e1vel. Est\u00e1 em causa \u00abuma tarefa que n\u00e3o pode ser desempenhada s\u00f3 pelas ci\u00eancias sociais, mas requer a contribui\u00e7\u00e3o\u00bb de outras tais como \u00aba metaf\u00edsica e a teologia para ver lucidamente a dignidade transcendente do homem\u00bb (n\u00ba. 53). Mediante este conjunto de saberes e de outros esfor\u00e7os \u00e9 que se atinge a verdade, sem a qual a caridade fica deturpada. <\/p>\n<p>Quanto \u00e0 necessidade de mudan\u00e7a do sistema capitalista, a enc\u00edclica deixa bem patente que ela \u00e9 indispens\u00e1vel, por motivos de ordem \u00e9tica; e, citando Jo\u00e3o Paulo II, defende a \u00abnecessidade de uma revis\u00e3o global do desenvolvimento\u00bb (n\u00ba. 23; cf. n\u00ba. 32). Por\u00e9m, n\u00e3o opta por nenhum sistema em particular, at\u00e9 pelo risco de \u00abtotalitarismo\u00bb inerente a qualquer um, e aos respectivos processos de imposi\u00e7\u00e3o (cf. n\u00ba. 53). Opta, sim, pela centragem em cada pessoa, em cada fam\u00edlia, nos povos e culturas e em toda a fam\u00edlia humana (n\u00ba. 53).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-17318","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17318","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17318"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17318\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}