{"id":17322,"date":"2009-07-29T11:25:00","date_gmt":"2009-07-29T11:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17322"},"modified":"2009-07-29T11:25:00","modified_gmt":"2009-07-29T11:25:00","slug":"ao-longe-ao-largo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ao-longe-ao-largo\/","title":{"rendered":"Ao longe ao largo"},"content":{"rendered":"<p>A Enc\u00edclica recentemente escrita pelo Papa Bento XVI &#8211; \u201cCaridade na Verdade\u201d &#8211; tem sido largamente comentada. \u201cUm texto altamente irritante \u2026 um manual para o desassossego\u201d &#8211; como algu\u00e9m escreveu. Quer isto dizer que, \u00e0s vezes, estes documentos s\u00e3o considerados respeit\u00e1veis, mas inofensivos. Desta vez, por\u00e9m, o que o Santo Padre diz toca em muitos problemas concretos e interroga a todos n\u00f3s, com toda a frontalidade.<\/p>\n<p>Em tempo de transi\u00e7\u00f5es na Igreja &#8211; quando sentimos as dificuldades de quem tem de de-signar servidores para as Comunidades; em tempo de prepara\u00e7\u00e3o de escolhas eleitorais &#8211; em que nos atemos mais a verificar se o que prometem nos trar\u00e1 benef\u00edcios pessoais, em vez de verificar se d\u00e3o garantias de servir o bem comum\u2026, vale a pena citar algumas linhas dessa carta, para reflex\u00e3o, face a esta \u00e9poca concreta.<\/p>\n<p>\u201cHoje, muitas pessoas tendem a alimentar a pretens\u00e3o de que n\u00e3o devem nada a ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser a si mesmas. Considerando-se titulares s\u00f3 de direitos, frequen-temente deparam-se com fortes obst\u00e1culos para maturar uma res-ponsabilidade, no \u00e2mbito do desenvolvimento integral pr\u00f3prio e alheio. Por isso, \u00e9 importante invocar uma nova reflex\u00e3o que fa\u00e7a ver como os direitos pressup\u00f5em deveres, sem os quais o seu exerc\u00edcio se transforma em arb\u00edtrio\u201d.<\/p>\n<p>Nenhum de n\u00f3s \u00e9 uma ilha: nem pessoas, nem comunidades. O bem pessoal, ou da comunidade local, s\u00f3 \u00e9 leg\u00edtimo, se concertado com o bem dos outros. Mesmo quando haja irresponsabilidades de alguns, n\u00e3o podemos reivindicar benef\u00edcios para n\u00f3s sem o esfor\u00e7o de envolver a todos na constru\u00e7\u00e3o do bem comum. Deveres s\u00e3o sempre correlativos dos direitos!<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave, quando reclamamos o sup\u00e9rfluo, ou mesmo o que alimenta o v\u00edcio, enquanto a muitos falta o essencial. Bento XVI di-lo com mestria: \u201cAparece com frequ\u00eancia assinalada uma rela\u00e7\u00e3o entre a reivindica\u00e7\u00e3o do direito ao sup\u00e9rfluo, sen\u00e3o mesmo \u00e0 transgress\u00e3o e ao v\u00edcio, nas sociedades opulentas, e a falta de alimento, \u00e1gua pot\u00e1vel, instru\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, cuidados sanit\u00e1rios elementares, em certas regi\u00f5es do mundo do subdesenvolvimento e tamb\u00e9m nas periferias das grandes metr\u00f3poles. A rela\u00e7\u00e3o est\u00e1 no facto de que os direitos individuais, desvinculados de um quadro de deveres que lhes confira um sentido completo, enlouquecem e alimentam uma espiral de exig\u00eancias praticamente ilimitada e sem crit\u00e9rios\u201d.<\/p>\n<p>Caso para nos perguntarmos como vai a nossa Caridade, neste tempo de crise, e como estamos a educar crian\u00e7as e jovens para uma vida mais s\u00f3bria e solid\u00e1ria. Caso para nos perguntarmos se temos uma vis\u00e3o da Igreja verdadeiramente cat\u00f3lica, ou apenas confinado \u00e0s vistas curtas do nosso cantinho, para satisfa\u00e7\u00e3o dos nossos interesses pessoais ou comunit\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Enc\u00edclica recentemente escrita pelo Papa Bento XVI &#8211; \u201cCaridade na Verdade\u201d &#8211; tem sido largamente comentada. \u201cUm texto altamente irritante \u2026 um manual para o desassossego\u201d &#8211; como algu\u00e9m escreveu. Quer isto dizer que, \u00e0s vezes, estes documentos s\u00e3o considerados respeit\u00e1veis, mas inofensivos. 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