{"id":17341,"date":"2009-07-29T12:12:00","date_gmt":"2009-07-29T12:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17341"},"modified":"2009-07-29T12:12:00","modified_gmt":"2009-07-29T12:12:00","slug":"cinco-meses-de-missao-em-mcambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cinco-meses-de-missao-em-mcambique\/","title":{"rendered":"Cinco meses de miss\u00e3o em M\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"<p>Testemunho <!--more--> Laura Vaz est\u00e1 h\u00e1 cinco meses numa miss\u00e3o mo\u00e7ambicana. A pedido do Correio do Vouga, relata as suas viv\u00eancias de leiga mission\u00e1ria. A miss\u00e3o termina em Janeiro de 2010<\/p>\n<p>H\u00e1 um m\u00eas foi-me lan\u00e7ado o desafio de escrever sobre estes quatro meses vividos em miss\u00e3o. Agora j\u00e1 s\u00e3o cinc0. Entretanto contra\u00ed mal\u00e1ria, seguiu-se uma alergia no corpo todo resultante do medicamento da cura \u2013 disse o m\u00e9dico. Imaginem: fiquei toda pintadinha da cabe\u00e7a aos p\u00e9s. Parecia uma crian\u00e7a com varicela. Voltei a ser crian\u00e7a de novo aqui em Mo\u00e7ambique, mais propriamente no Orfanato da Miss\u00e3o de S\u00e3o Roque, Bela Vista, Matutuine, pertencente \u00e0 arquidiocese de Maputo. A cidade capital de Mo\u00e7ambique fica a cerca de 90 quil\u00f3metros, por estradas de terra batida, na maior parte do percurso.<\/p>\n<p>Alguns de voc\u00eas, leitores deste jornal diocesano, conhecem-me h\u00e1 bastante tempo, pois j\u00e1 tenho 61 anos e desde os 18 anos que a\u00ed vivo, nessa Veneza portuguesa. Buscava algo mais\u2026 E como leiga mission\u00e1ria carmelita descal\u00e7a, ligada a um grupo da Igreja do Carmo (Aveiro), entrei num processo que me trouxe at\u00e9 aqui. N\u00e3o foi f\u00e1cil. Vejo que quem se disp\u00f5e a amar tem muito que passar. Sinto que Deus me tem dado for\u00e7as. Sem Ele n\u00e3o estaria aqui. N\u00e3o desisti por estas crian\u00e7as, que nem conhecia, e por contar com o apoio dos meus filhos, da fam\u00edlia e de alguns amigos, embora por vezes dissessem que eu era maluca\u2026 \u201cAgora, com esta idade ires para Mo\u00e7ambique!\u201d Mas sinto um apelo de Deus: \u201cVai, e faz o teu melhor!\u201d \u00c9 o que eu tento fazer, dar o meu melhor.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o tem neste momento 38 crian\u00e7as de ambos os sexos, \u00f3rf\u00e3os, uns de pai, outros de m\u00e3e e outros de ambos. T\u00eam idades compreendidas entre os cinco e os 12 anos; estudam na escola que \u00e9 da miss\u00e3o, mas que tem sete professores colocados pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. No total, s\u00e3o cerca de 200 crian\u00e7as das Comunidades \u00e0 volta, sendo que algumas delas s\u00e3o subsidiadas tamb\u00e9m pela miss\u00e3o. O meu trabalho, aqui, \u00e9 ajudar as crian\u00e7as das 4.\u00aa, 5.\u00aa e 6.\u00aa classes a fazerem os \u201cTPC\u201d-  trabalhos de (para) casa. Muitas vezes, tenho que explicar tudo, porque algumas passaram de classe indevidamente. Mas \u00e9 giro recordar mat\u00e9ria de que h\u00e1 tantos anos n\u00e3o falava, como o tipo de \u00e2ngulos, calcular \u00e1reas, numera\u00e7\u00e3o romana, e outras coisas fac\u00edlimas, como os meses do ano e os dias de cada m\u00eas e da semana. Tenho de explicar as horas e de fazer problemas sobre o tempo decorrido. E as contas de dividir? Por vezes \u00e9 muito dif\u00edcil fazer-me entender. Mas \u00e9 estimulante. Mas tamb\u00e9m aprendo coisas sobre Mo\u00e7ambique, a sua hist\u00f3ria passada, desde o tempo do Shaka Zulu, a fauna, a flora e o artesanato\u2026 \u00c9 bastante enriquecedor!<\/p>\n<p>Da parte da manh\u00e3, al\u00e9m das lidas dom\u00e9sticas (arruma\u00e7\u00e3o da casa, lavar roupa, etc.), dou uma hora de explica\u00e7\u00e3o \u00e0 5.\u00aa classe; de tarde, dou explica\u00e7\u00e3o \u00e0 4.\u00aa classe e ao aluno da 6.\u00aa classe. Depois do lanche, das 17h \u00e0s 18h30, fico com as classes que est\u00e3o a desenvolver o Projecto APRENDER\/FAZENDO. As crian\u00e7as aprendem a manejar a agulha. \u00c0 2.\u00aa feira, tenho a 2.\u00aa classe e assim sucessivamente, at\u00e9 que \u00e0 6.\u00aa feira tenho o aluno da 6.\u00aa classe com os da 1.\u00aa. Noto que eles est\u00e3o a gostar muito do Projecto.  Alguns rapazes est\u00e3o a superar as minhas expectativas. Isto est\u00e1 a ser enriquecedor para eles, e para mim nem se fala, pois h\u00e1 muito n\u00e3o fazia tal\u2026 J\u00e1 preguei fechos em cal\u00e7as, cozi cal\u00e7as, remendei, vestidos, etc. N\u00e3o me lembro de ter feito remendos destes \u00e0 roupa dos meus filhos\u2026 Nessa altura trabalhava e o tempo n\u00e3o era tanto assim. Mas agora estou surpreendida com os resultados. Eu pe\u00e7o ao meu anjinho costureiro, que venha em meu aux\u00edlio, e eu tenho certeza de que ele faz as coisas\u2026 Eu sou somente a executante dele\u2026<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ensinei a limpar o canil e a recolher o lixo\u2026 Isto n\u00e3o tem s\u00f3 a ver com o meio ambiente. Nunca me esque\u00e7o que fui escuteira. Fica-nos no sangue.<\/p>\n<p>As nossas crian\u00e7as, s\u00e3o assistidas gratuitamente no Hospital da Bela Vista, a cerca de 7 quil\u00f3metros. H\u00e1 tratamentos de estomatologia e sa\u00fade oral; fazem-se testes para ver quem tem SIDA. Os adultos v\u00e3o \u00e0s consultas e v\u00eam de l\u00e1 com toda a medica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria por 5 meticais, o que \u00e9 uma ninharia, comparativamente ao euro, bem como com an\u00e1lises. J\u00e1 passei por essa situa\u00e7\u00e3o por causa da mal\u00e1ria e fiquei espantada com a efici\u00eancia e baixo custo do tratamento.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m dou catequese \u00e0 1.\u00aa fase, coisa que j\u00e1 n\u00e3o fazia h\u00e1 muito. Mais uma vez, \u00e9 muito enriquecedor. Eles correm para a aula de catequese, pois est\u00e3o sedentos de ouvir falar de JESUS!<\/p>\n<p>Estive em Maputo com a Irm\u00e3 Vit\u00f3ria na festa do Dia de Portugal. A Comunidade Portuguesa esteve reunida no Restaurante Serra da Estrela, que ofertou todo o ganho \u00e0 miss\u00e3o. Afinal, ainda h\u00e1 pessoas com um cora\u00e7\u00e3o grande. Disponibilizam empregados, cozinheiro e todos os ingredientes para n\u00f3s, Miss\u00e3o de S\u00e3o Roque, usufruirmos. Recebemos sem quaisquer custos.<\/p>\n<p>A Irm\u00e3 Vit\u00f3ria foi entrevistada por duas televis\u00f5es, uma mo\u00e7ambicana e a nossa RTP\/\u00c1FRICA. Contactei depois a produtora da RTP\/Pra\u00e7a da Alegria, Isabel Roma, que me disse que iria falar com os respons\u00e1veis e pode ser que um dia a RTP nos visite na miss\u00e3o. Nessa altura vamos fazer alguns pedidos, nomeadamente um novo meio de transporte. Pode ser que algu\u00e9m fique sensibilizado.<\/p>\n<p>A C\u00f4nsul Portuguesa, uma senhora extremamente din\u00e2mica, tomou conhecimento da nossa Miss\u00e3o e prometeu visitar-nos tamb\u00e9m. A miss\u00e3o \u00e9 apoiada pela Ordem dos Carmelitas Descal\u00e7os em Portugal e por um grupo de amigos espanh\u00f3is, que contribui com apadrinhamentos de crian\u00e7as, verbas para alimenta\u00e7\u00e3o e outros bens. A miss\u00e3o precisa de obras e melhoramentos nos dormit\u00f3rios e n\u00e3o s\u00f3. Temos apenas uma carrinha Toyota, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nova e que tem um desgaste muito grande. \u00c9 insuficiente para as muitas viagens que \u00e9 necess\u00e1rio fazer a Maputo (90 km de terra batida), de modo a abastecerem-se para alimentar as 38 crian\u00e7as. De vez em quando avaria e ficamos sem transporte. Uma nova seria uma grande obra de caridade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Testemunho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-17341","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17341"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17341\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}