{"id":17362,"date":"2010-12-22T09:30:00","date_gmt":"2010-12-22T09:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17362"},"modified":"2010-12-22T09:30:00","modified_gmt":"2010-12-22T09:30:00","slug":"novos-caminhos-para-o-patrimonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/novos-caminhos-para-o-patrimonio\/","title":{"rendered":"Novos caminhos para o patrim\u00f3nio"},"content":{"rendered":"<p>Sandra Costa Saldanha, directora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja, fala sobre os diversos projectos que este organismo tem em m\u00e3os, alertando para casos de \u201cvida ou de morte\u201d na conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio, apresentando como caminho quatro verbos: \u201cTratar, cuidar, preservar e valorizar\u201d. Refira-se que em Aveiro o ISCRA (Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas) prev\u00ea avan\u00e7ar em breve com uma ac\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o sobre patrim\u00f3nio religioso. Entrevista conduzida por Lu\u00eds Filipe Santos, da Ag\u00eancia Ecclesia.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA \u2013 Que lugar ocupam os Bens Culturais [edif\u00edcios religiosos, imagens, livros, arquivos, alfaias lit\u00fargicas\u2026] na din\u00e2mica da pastoral da Igreja?<\/p>\n<p>SANDRA COSTA SALDANHA \u2013 Continuam a ocupar um lugar de grande import\u00e2ncia no ponto de vista pastoral, nomeadamente porque h\u00e1 beleza dos objectos est\u00e1, desde logo, directamente associado o seu poder de catequese. Estes objectos podem continuar a exercer esse papel porque \u00e9 um patrim\u00f3nio que est\u00e1 muito arreigado nas comunidades. Estas sentem muito os Bens Culturais, como algo muito associado \u00e0s suas dioceses.<\/p>\n<p>E valorizam esse patrim\u00f3nio?<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do papel pastoral que desempenham, os Bens Culturais s\u00e3o tamb\u00e9m um patrim\u00f3nio vivo que precisa de ser valorizado e, sobretudo, preservado. No entanto, nalguns casos a sobreviv\u00eancia destes objectos est\u00e1 em risco. Muitas vezes, a boa vontade das comunidades na sua preserva\u00e7\u00e3o faz com que nem sempre sejam tomadas as medidas mais correctas. T\u00eam boa vontade, mas faltam-lhe qualifica\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias para o seu tratamento.<\/p>\n<p>Como foi poss\u00edvel que este patrim\u00f3nio chegasse a tal estado de degrada\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Existem muitos problemas no patrim\u00f3nio cultural portugu\u00eas e o patrim\u00f3nio da Igreja n\u00e3o \u00e9 uma excep\u00e7\u00e3o a esse n\u00edvel. Em muitas circunst\u00e2ncias, este problema coloca-se pela falta de recursos, mas tamb\u00e9m pela inc\u00faria devida \u00e0 falta de forma\u00e7\u00e3o. As no\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter preventivo s\u00e3o fundamentais e importantes nestas comunidades.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental uma concerta\u00e7\u00e3o maior em termos do ensino e da forma\u00e7\u00e3o. Ao n\u00edvel do ensino, as institui\u00e7\u00f5es mais directamente ligadas \u00e0 Igreja deviam exercer um papel mais activo na forma\u00e7\u00e3o dos seus agentes, nomeadamente dos futuros sacerdotes. Durante o per\u00edodo do semin\u00e1rio deviam ter horizontes mais alargados nestas mat\u00e9rias.<\/p>\n<p>O Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja colocou a forma\u00e7\u00e3o como \u00e1rea priorit\u00e1ria, por isso est\u00e1 a ser constitu\u00eddo um grupo de trabalho para a \u00e1rea da conserva\u00e7\u00e3o e restauro.<\/p>\n<p>Esse grupo de trabalho ter\u00e1 objectivos espec\u00edficos.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar h\u00e1 um aspecto que \u00e9 extremamente importante, a aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o em vigor no que toca \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o dos Bens Culturais. Algumas vezes, por desconhecimento a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 aplicada. O grupo de trabalho ir\u00e1 providenciar, com a maior brevidade, uma esp\u00e9cie de dossier com a legisla\u00e7\u00e3o, formul\u00e1rios e procedimentos.<\/p>\n<p>Recentemente, assinou-se um acordo com o Instituto de Museus e Conserva\u00e7\u00e3o (IMC) e pretendemos ter alguns benef\u00edcios. No \u00e2mbito desse acordo, o Secretariado Nacional vai passar a fornecer \u00e0s dioceses um servi\u00e7o fundamental, visto que o IMC disponibiliza-se a prestar apoio t\u00e9cnico. As comunidades podem-nos submeter processos de restauro que ser\u00e3o depois devidamente apreciados pelo IMC.<\/p>\n<p>Em 2011, para al\u00e9m da constitui\u00e7\u00e3o do grupo t\u00e9cnico, realizaremos, em colabora\u00e7\u00e3o com o IMC, um conjunto de ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o centradas, fundamentalmente, na conserva\u00e7\u00e3o preventiva. N\u00e3o pretendemos fornecer uma forma\u00e7\u00e3o de car\u00e1cter t\u00e9cnico a quem lida com este patrim\u00f3nio, mas, essencialmente, fornecer ferramentas t\u00e9cnicas de car\u00e1cter preventivo.<\/p>\n<p>Concretamente, destinam-se a quem?<\/p>\n<p>A todos os que est\u00e3o em contacto permanente com o patrim\u00f3nio das Igrejas, nomeadamente, os p\u00e1rocos, zeladores, sacrist\u00e3es, membros de comiss\u00f5es fabriqueiras e volunt\u00e1rios. Todo o p\u00fablico que lida directamente com esta \u00e1rea. Ser\u00e3o ministradas pelo IMC e est\u00e3o previstas quatro ac\u00e7\u00f5es, deslocalizadas geograficamente, para poder abranger o m\u00e1ximo de par\u00f3quias e dioceses. Dar-se-\u00e3o indica\u00e7\u00f5es, por vezes prim\u00e1rias, mas que s\u00e3o elementares.<\/p>\n<p>Ainda est\u00e3o na fase das indica\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias?<\/p>\n<p>Algumas pessoas continuam a n\u00e3o saber lidar com o seu patrim\u00f3nio. \u00c9 por aqui que, rigorosamente, temos de come\u00e7ar. H\u00e1 muitas pessoas que n\u00e3o sabem acondicionar um paramento ou limpar uma pe\u00e7a de ourivesaria.<\/p>\n<p>Na maioria das vezes, essas tarefas s\u00e3o executadas pelas \u00abvelhinhas\u00bb bondosas da par\u00f3quia.<\/p>\n<p>S\u00e3o essas senhoras que v\u00e3o receber esta forma\u00e7\u00e3o, tal como os outros elementos das par\u00f3quias. Isto ao n\u00edvel prim\u00e1rio, mas tamb\u00e9m existem situa\u00e7\u00f5es \u2013 algumas t\u00eam chegado ao SNBC \u2013 de alguns p\u00e1rocos que t\u00eam alguma verba dispon\u00edvel para fazer um restauro em determinada pe\u00e7a, mas n\u00e3o sabem a quem recorrer. Nestes casos recorremos ao grupo t\u00e9cnico que fornecer\u00e1 a legisla\u00e7\u00e3o e um direct\u00f3rio de conservadores e restauradores habilitados e creditado \u00e0 luz dessa legisla\u00e7\u00e3o para intervir no patrim\u00f3nio e nos bens culturais.<\/p>\n<p>Quem quiser recorrer ao acordo do IMC o que ter\u00e1 de fazer?<\/p>\n<p>Iremos fornecer e explicar esses procedimentos. A par\u00f3quia que tiver uma pe\u00e7a a necessitar de restauro dever\u00e1 solicitar ajuda e o IMC analisa os pareceres t\u00e9cnicos que os conservadores\/restauradores dar\u00e3o.<\/p>\n<p>Sabemos que os p\u00e1rocos s\u00e3o extremamente assediados por todo o tipo de conservadores\/restauradores ou pseudo conservadores\/restauradores. Para que tal n\u00e3o aconte\u00e7a, o Secretariado Nacional dos Bens Culturais ter\u00e1 um papel mais activo. Vamos explicar como as coisas devem ser feitas e oferecer a possibilidade das pessoas terem apoio t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o e restauro \u00e9 uma das grandes prioridades.<\/p>\n<p>\u00c9 urgente. \u00c9 uma quest\u00e3o de vida ou de morte. Estamos a falar de acervos que est\u00e3o em risco. S\u00f3 que, muitas vezes, a boa vontade acaba por complicar mais a situa\u00e7\u00e3o: em vez de um bom restauro faz-se uma interven\u00e7\u00e3o perigosa que p\u00f5e em causa a integridade do objecto.<\/p>\n<p>Se silenciamos os Bens Culturais, corremos o risco de eles desaparecerem.<\/p>\n<p>Se os silenciamos e com a degrada\u00e7\u00e3o que eles t\u00eam, nunca mais v\u00e3o poder cumprir o seu papel pastoral. Se queremos reanim\u00e1-los como ve\u00edculos pastorais, primeiro temos de os tratar, cuidar, preservar e valorizar.<\/p>\n<p>A \u00e1rea dos Bens Culturais \u00e9 muito abrangente, mas existe um \u00abfilho\u00bb, Projecto da Rota das Catedrais, que merece uma aten\u00e7\u00e3o especial. Est\u00e1 em que fase?<\/p>\n<p>A Rota das Catedrais sofre, finalmente, algumas evolu\u00e7\u00f5es. Depois do trabalho invis\u00edvel come\u00e7am a aparecer os resultados. Existe um relat\u00f3rio que d\u00e1 conta do estado e do ponto da situa\u00e7\u00e3o de todas as catedrais.<\/p>\n<p>At\u00e9 ao final de 2010 e em colabora\u00e7\u00e3o com as Direc\u00e7\u00f5es Regionais de Cultura ser\u00e3o elaborados os projectos. Um trabalho moroso, mas de extrema import\u00e2ncia para que em Janeiro de 2011 \u2013 quando as candidaturas abrirem \u2013 tudo entrar e ser encarrilado. Aquilo que sei \u00e9 que todas as direc\u00e7\u00f5es regionais de cultura est\u00e3o em estreito contacto com as catedrais das suas zonas. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es muito desiguais. Existem catedrais com muitas necessidades e outras com menos. A Rota das Catedrais j\u00e1 tem log\u00f3tipo que ser\u00e1 anunciado brevemente e o s\u00edtio do projecto ser\u00e1 inaugurado em Janeiro do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de um roteiro por cada catedral far-se-\u00e1 tamb\u00e9m uma publica\u00e7\u00e3o monogr\u00e1fica em tr\u00eas l\u00ednguas. Tem um papel de difus\u00e3o, mas de car\u00e1cter cient\u00edfico tamb\u00e9m. Falar de uma rota implica falar de algo uniforme\u2026<\/p>\n<p>Est\u00e1 tamb\u00e9m agendada a exposi\u00e7\u00e3o \u00abRota das Catedrais\u00bb. Ser\u00e1 em Lamego, no Museu diocesano, e decorre dos finais do m\u00eas de Abril at\u00e9 ao m\u00eas de Julho. A exposi\u00e7\u00e3o pretende ilustrar as catedrais de Portugal e contar\u00e1 com uma pe\u00e7a de cada uma delas. O comiss\u00e1rio cient\u00edfico j\u00e1 escolheu todas as pe\u00e7as. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sandra Costa Saldanha, directora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja, fala sobre os diversos projectos que este organismo tem em m\u00e3os, alertando para casos de \u201cvida ou de morte\u201d na conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio, apresentando como caminho quatro verbos: \u201cTratar, cuidar, preservar e valorizar\u201d. 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