{"id":17373,"date":"2010-12-22T09:55:00","date_gmt":"2010-12-22T09:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17373"},"modified":"2010-12-22T09:55:00","modified_gmt":"2010-12-22T09:55:00","slug":"uma-familia-sagrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-familia-sagrada\/","title":{"rendered":"Uma fam\u00edlia \u00absagrada\u00bb?"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> H\u00e1 quem defina o casamento como \u00abum cont\u00ednuo perd\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>Talvez seja o que, na festa lit\u00fargica de hoje, se deva p\u00f4r mais em relevo: a estranheza do outro, tanto maior quanto mais se afirma a dimens\u00e3o \u201csobrenatural\u201d no projecto de cada qual. Projectos que n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de partilhar, n\u00e3o h\u00e1 palavras capazes para os dizer, e at\u00e9 se vive sob o medo de algo desconhecido \u2013 ser\u00e1 bom, ser\u00e1 mau? \u2013 que possa acontecer. V\u00e1rias vezes, o mau jeito da comunica\u00e7\u00e3o deixa-nos ofendidos, mesmo quando temos a melhor das inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Perd\u00e3o \u00e9 supera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o porque algu\u00e9m seja superior ao outro, mas porque se entra num n\u00edvel superior de rela\u00e7\u00e3o: perdemos o medo a que cada um de n\u00f3s tenha uma maneira diferente de \u00abdoar\u00bb. E assim todos \u00abdoamos\u00bb o melhor que podemos \u2013 por vezes o ouro mais puro, embora encoberto por um mau jeito ou pelo suor das m\u00e3os\u2026 Descobrimos que nem honras nem ninharias podem corromper o n\u00edvel penosamente adquirido da nossa vida em comum.<\/p>\n<p>O casamento \u00e9 uma aposta continuamente livre de transformar os conflitos em for\u00e7a geradora de futura humanidade, com o optimismo de que o futuro traz sempre o bem, por mais escondido que pare\u00e7a entre as malhas da vida. A todo o ser humano, qualquer que seja o estilo de vida escolhido, compete n\u00e3o ser um mero ocupante do palco da vida, mudo e quedo (quando n\u00e3o activamente destruidor): quem entra no palco, para falar e agir a seguir \u00e0 gente, precisa de uma \u00abdeixa\u00bb bem clara e estimulante.<\/p>\n<p>Ben Sir\u00e1 descreve a maravilha de uma fam\u00edlia em que o grande objectivo \u00e9 transmitir vida feliz \u2013 uma vida de paci\u00eancia activa e frutificante, dando aos outros bases s\u00f3lidas para a expans\u00e3o dos anseios pr\u00f3prios. Uma fam\u00edlia onde, com naturalidade, a pr\u00f3pria morte tem lugar como incitadora do aproveitamento da vida e como um momento especial de express\u00e3o do nosso carinho.<\/p>\n<p>S. Paulo sublinha o exerc\u00edcio do perd\u00e3o, que nos fortalece para toda a vida e permite o funcionamento positivo da sociedade, lembrando tamb\u00e9m que este amor sem medo \u00e9 matriz de instru\u00e7\u00e3o, de conselho (e repreens\u00e3o) e de uni\u00e3o sens\u00edvel com a \u00abfonte da Vida\u00bb. Faz-se moralista \u00e0 maneira dele \u2013 como qualquer um de n\u00f3s. Precisamos de muita sabedoria e bom senso, sem ficarmos presos aos preconceitos, para interpretar os valores fundamentais na linguagem mais correcta e que melhor responde aos problemas do tempo e do tipo de sociedade em que vivemos.<\/p>\n<p>S. Mateus continua com \u201chistorinhas piedosas\u201d que reflectem a ternura e admira\u00e7\u00e3o pela figura de Jesus Cristo. Ao tempo (e ainda hoje), s\u00f3 se diziam coisas extraordin\u00e1rias acerca do come\u00e7o de vida de algu\u00e9m que por v\u00e1rios motivos \u00e9 olhado como her\u00f3i, l\u00edder, homem bom e homem de Deus\u2026 E o que dizer de Jesus, que mereceu o t\u00edtulo de \u00abfilho de Deus\u00bb?<\/p>\n<p>Aproveita estas hist\u00f3rias, bem ao estilo popular, para sublinhar como um homem bom \u00e9 facilmente rejeitado e perseguido \u2013 o que torna mais admir\u00e1vel a perman\u00eancia do esp\u00edrito de Jesus pelos mil\u00e9nios fora, \u00abressurgindo\u00bb com uma for\u00e7a e atrac\u00e7\u00e3o inquestion\u00e1veis. E perseguido desde o nascimento, porque havia poderosos corruptos que j\u00e1 tinham medo do que ele viesse a ser.<\/p>\n<p>A vida de fam\u00edlia espelha as d\u00favidas entre todos os seus membros, os sil\u00eancios dolorosos, as aparentes infidelidades ou jogos escondidos\u2026 e n\u00e3o faltaram de certeza, entre os pais de Jesus, e com o pr\u00f3prio Jesus, discuss\u00f5es e desentendimentos, que s\u00f3 foram superados porque o travesseiro \u00e9 bom conselheiro; e porque eles sabiam bem que o mais dif\u00edcil \u00e9 \u00abaturar\u00bb quem vive a nosso lado\u2026 e que, para este amor resistir e se tornar fecundo e libertador, precisa de se enraizar activamente no \u00abrochedo da vida\u00bb, no Deus que d\u00e1 for\u00e7a e prazer ao nosso amor.<\/p>\n<p>Uma fam\u00edlia \u00absagrada\u00bb? H\u00e1 quem veja apenas uma fam\u00edlia de n\u00edvel especial \u2013 correndo o risco de negar o fundamental da \u00abencarna\u00e7\u00e3o\u00bb: Deus revelou-se num homem como todos os outros, com uma fam\u00edlia como as nossas. Mais propriamente se diria uma fam\u00edlia \u00abconsagrada\u00bb: na medida em que os seus elementos se \u00abconsagraram\u00bb a lutar por uma vida melhor, a lutar por que a humanidade se saiba orientar pelos valores que lhe s\u00e3o vitais, apesar de incompreens\u00f5es, d\u00favidas e momentos de perigo.<\/p>\n<p>Assim, as nossas fam\u00edlias tamb\u00e9m podem ser \u00abconsagradas\u00bb.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-17373","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17373","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17373"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17373\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17373"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17373"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17373"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}