{"id":17412,"date":"2011-06-01T09:57:00","date_gmt":"2011-06-01T09:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17412"},"modified":"2011-06-01T09:57:00","modified_gmt":"2011-06-01T09:57:00","slug":"escultor-e-ceramista-armando-andrade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/escultor-e-ceramista-armando-andrade\/","title":{"rendered":"Escultor e ceramista Armando Andrade"},"content":{"rendered":"<p>Aveirenses Esquecidos <!--more--> Armando Andrade \u00e9 um nome incontorn\u00e1vel da pintura, escultura e cer\u00e2mica art\u00edstica, a n\u00edvel nacional. Mas est\u00e1 praticamente esquecido em Aveiro, onde deixou vasta obra e onde faleceu aos 77 anos de idade.<\/p>\n<p>Armando Andrade nasceu em S. Vicente de Pereira (concelho de Ovar), no dia 19 de Maio de 1908, e faleceu em Aradas (concelho de Aveiro), no dia 24 de Fevereiro de 1986, depois de uma intensa vida art\u00edstica que o levou a passar pelas mais credenciadas f\u00e1bricas de cer\u00e2mica do pa\u00eds e ainda com passagens por Fran\u00e7a e Brasil.<\/p>\n<p>Apesar de oriundo de uma fam\u00edlia de modestos agricultores, desde muito cedo que Armando Andrade come\u00e7ou a manifestar a sua veia art\u00edstica, em especial como escultor, referindo os seus bi\u00f3grafos que com apenas nove anos de idade j\u00e1 esculpia bonecos em madeira, utilizando como ferramenta um canivete. Ap\u00f3s a instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, com a idade de 13 anos, por sugest\u00e3o de Pedro Cachapuz, este \u201cilustre desconhecido\u201d seguiu o mesmo itiner\u00e1rio do caulino retirado das minas de S. Vicente de Pereira at\u00e9 \u00e0 famosa F\u00e1brica de Porcelanas da Vista Alegre, onde frequentou aulas de desenho, com o mestre pintor cer\u00e2mico C\u00e2ndido da Silva. Em simult\u00e2neo, frequentou o curso nocturno da Escola Industrial Fernando Caldeira, em Aveiro, na qual teve como mestres de desenho e de modela\u00e7\u00e3o \/ escultura, respectivamente, Silva Rocha e Rom\u00e3o J\u00fanior, tendo sido condisc\u00edpulo de grandes nomes das artes aveirenses, designadamente Jo\u00e3o Calisto, Jo\u00e3o Marques de Oliveira (Lavado) e Manuel Tavares.<\/p>\n<p>A qualidade inata para as artes e o gosto em aprender com os melhores mestres do seu tempo e do seu meio fizeram que, com apenas 18 anos de idade, Armando Andrade chefiasse a sec\u00e7\u00e3o de escultura da Vista Alegre. <\/p>\n<p>Ainda em vida, no ano de 1985, Armando Andrade foi alvo de uma grande homenagem, que decorreu em Aveiro e em Ovar, com a realiza\u00e7\u00e3o de uma exposi\u00e7\u00e3o constitu\u00edda por v\u00e1rias dezenas de obras: 25 telas a \u00f3leo, 22 medalhas, tr\u00eas pe\u00e7as em galvanoplastia, 18 esculturas (em madeira, barro, gesso, faian\u00e7a e porcelana), 17 desenhos e ainda 26 obras de cer\u00e2mica art\u00edstica, sendo seis executadas na Artibus, nove na Vista Alegre e 11 na Primagera. Propositadamente para essa exposi\u00e7\u00e3o, a Associa\u00e7\u00e3o para o Estudo e Defesa do Patrim\u00f3nio Natural e Cultural da Regi\u00e3o de Aveiro (ADERAV) editou um cat\u00e1logo que continua a ser uma das poucas obras bibliogr\u00e1ficas sobre Armando Andrade. Por altura da passagem do centen\u00e1rio do seu nascimento, o jornal vareiro \u201cJo\u00e3o Semana\u201d assinalou a data.<\/p>\n<p>Mestre de gera\u00e7\u00f5es <\/p>\n<p>de ceramistas<\/p>\n<p>Apesar das suas qualidades inatas para a escultura, Armando Andrade nunca esqueceu que a forma\u00e7\u00e3o que recebeu foi fundamental para aprimorar a t\u00e9cnica. Por isso, e como ent\u00e3o acontecia em muitas empresas de cer\u00e2mica art\u00edstica, tornou-se um verdadeiro mestre para os formandos que frequentavam essas \u201cescolas de arte\u201d. De entre esses seus colaboradores destacam-se, entre outros, os escultores Jos\u00e9 Duarte dos Santos Vidal (que chefiou a sec\u00e7\u00e3o de escultura da Vista Alegre), Jorge Figueiredo, Carlos Calisto (da extinta \u201cIbis\u201d), Manuel Rodrigues e J. M\u00e1rio Bodas.<\/p>\n<p>Artista multifacetado<\/p>\n<p>Armando Andrade era um artista multifacetado, com obra de grande m\u00e9rito na escultura, na pintura, no desenho e na cer\u00e2mica, tendo exposto em algumas das melhores galerias do pa\u00eds, incluindo elitistas como o Sal\u00e3o Silva Pinto (Porto) e a Sociedade Nacional das Belas Artes (Lisboa), nas quais exp\u00f4s pintura, escultura e desenho.<\/p>\n<p>Na pintura, tanto a \u00f3leo como a aguarela, e no desenho, Armando Andrade foi um ex\u00edmio retratista e paisagista, dando grande aten\u00e7\u00e3o ao pormenor, ao olhar e \u00e0s fei\u00e7\u00f5es, tornando as suas obras \u201cvivas\u201d e \u201creais\u201d, sobretudo no desenho. Tamb\u00e9m na escultura, nomeadamente nos bustos e nas medalhas, essa procura de perfei\u00e7\u00e3o e de \u201cretrato\u201d foi levada ao extremo.<\/p>\n<p>No entanto, foi na cer\u00e2mica art\u00edstica que mais se evidenciou profissionalmente, tendo concebido trabalhos de pintura, de escultura e de modelagem que ainda hoje cativam a aten\u00e7\u00e3o dos cr\u00edticos e admiradores dessa arte que teve na regi\u00e3o de Aveiro a \u201ccapital nacional\u201d.  <\/p>\n<p>Empresas onde trabalhou<\/p>\n<p>Armando Andrade teve uma vida profissional bastante activa, tendo colaborado com in\u00fameras f\u00e1bricas de cer\u00e2mica. Em todas elas deixou obras de refer\u00eancia com estilo muito pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Depois da f\u00e1brica de porcelanas da Vista Alegre, onde iniciou a sua actividade como escultor e modelador cer\u00e2mico, e \u00e0 qual voltou posteriormente, Armando Andrade passou por empresas como a F\u00e1brica de Cer\u00e2mica Art\u00edstica do Carvalhido (Vila Nova de Gaia), F\u00e1brica de Lou\u00e7as de Sacav\u00e9m, Soares dos Reis (Vila Nova de Gaia), Lusit\u00e2nia (Porto), Artibus (Aveiro), Raul da Bernarda (Alcoba\u00e7a), SPAL (Alcoba\u00e7a), Garranchos (Aveiro) e Faian\u00e7as Primagera (Aveiro).<\/p>\n<p>Pelo meio, trabalhou em Limoges, regi\u00e3o francesa considerada \u201ccapital europeia da porcelana\u201d, e no Brasil. Neste pa\u00eds, tamb\u00e9m restaurou obras de arte pertencentes a colec\u00e7\u00f5es de museus. Em meados da d\u00e9cada de 1940, montou uma sociedade com Nelson Ribeiro.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>Testemunho de um grande mestre<\/p>\n<p>\u201cArmando Andrade pode integrar-se numa corrente que teve ilustres cultores entre n\u00f3s \u2013 o chamado naturalismo de ar livre. A sua predilec\u00e7\u00e3o foi a paisagem (em que lhe integrava a figura humana e animais, elementos estes onde sentia num \u00e0 vontade not\u00f3rio) e tamb\u00e9m a marinha\u201d, escreveu o famoso pintor ilhavense C\u00e2ndido Teles.<\/p>\n<p>No cat\u00e1logo editado pela ADERAV, C\u00e2ndido Teles real\u00e7a que Armando Andrade \u201cpintou o retrato de Jorge VI da Inglaterra (que foi para este pa\u00eds) e de que h\u00e1 exaltadas refer\u00eancias cr\u00edticas\u201d. No final do seu texto, o artista ilhavense escreveu que \u201cseria de muita justi\u00e7a que das pe\u00e7as agora expostas alguma coisa viesse enriquecer as colec\u00e7\u00f5es dos nossos museus\u201d. Passados 25 anos da publica\u00e7\u00e3o desse cat\u00e1logo e da realiza\u00e7\u00e3o dessa exposi\u00e7\u00e3o, o nome de Armando Andrade \u00e9 mais um dos que integram a lista dos \u201cdesconhecidos ilustres aveirenses\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirenses Esquecidos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-17412","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17412"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17412\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}