{"id":1747,"date":"2010-05-19T17:08:00","date_gmt":"2010-05-19T17:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1747"},"modified":"2010-05-19T17:08:00","modified_gmt":"2010-05-19T17:08:00","slug":"semente-lancada-que-acolhe-o-tempo-do-fruto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/semente-lancada-que-acolhe-o-tempo-do-fruto\/","title":{"rendered":"Semente lan\u00e7ada que acolhe o tempo do fruto"},"content":{"rendered":"<p>Bento XVI regressou a Roma. N\u00e3o veio a Portugal como turista, nem \u00e0 conquista de simpatias, nem a procurar ou evitar proventos de manifestas diferen\u00e7as. Veio como peregrino e profeta, como irm\u00e3o mais respons\u00e1vel numa o-bra apost\u00f3lica &#8211; a miss\u00e3o evangelizadora &#8211; que a uma grande maioria dos portugueses diz respeito.<\/p>\n<p>O leque abriu-se: uns sentiram-se conquistados e emocionados; outros continuaram a olhar para tr\u00e1s e a fazer compara\u00e7\u00f5es; para outros, vir ou n\u00e3o vir, era e foi indiferente; outros, poucos mas livres para opinar, n\u00e3o deixaram de protestar pelos inc\u00f3modos causados \u00e0 sua ideologia, ao tr\u00e2nsito ou \u00e0 economia d\u00e9bil do pa\u00eds; muitos, finalmente, acolheram com alegria a visita e a mensagem de Bento XVI e t\u00eam agora na sua m\u00e3o a sorte do futuro com a semente lan\u00e7ada e acolhida no terreno preparado do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que ele veio, esteve e partiu. Diz a comunica\u00e7\u00e3o social que partiu muito contente. Falou a grupos e a multid\u00f5es, a crentes, a menos crentes e a descrentes. Cada qual o ouviu a seu jeito N\u00e3o polemizou com ningu\u00e9m. N\u00e3o atacou ningu\u00e9m. N\u00e3o desfiou verdades abstractas. N\u00e3o fez imposi\u00e7\u00f5es, mas propostas.<\/p>\n<p>Prisioneiro dos protocolos, sujeito a seguran\u00e7as exageradas e vistosas que n\u00e3o desejou. Como primeiro respons\u00e1vel espiritual da Igreja realizou a sua miss\u00e3o, mas tamb\u00e9m foi capaz de se sujeitar ao que lhe foi imposto. O Papa era um visitante qualificado a um pa\u00eds tradicional e sociologicamente cat\u00f3lico, que pelos seus respons\u00e1veis o quis acolher e guardar, longe de perigos e sobressaltos. Esteve \u00e0 vista. Eu desejava de outro modo, mas n\u00e3o era de mim que se tratava, nem tinham que me pedir opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Teve a coragem de dizer, em cada lugar, a verdade em que acredita, com realismo e sem orgulho. De falar da Igreja a que preside e da sua realidade, santidade e mazelas, com realismo, sem triunfalismo, nem complexos de culpa. <\/p>\n<p>Apontou caminhos a seguir, deixando-os em aberto para gente corajosa. Suscitou opini\u00f5es, provocou aplausos, desencadeou cr\u00edticas, inquietou consci\u00eancias, estimulou seguidores. <\/p>\n<p>P\u00f4s Cristo no centro e convidou ao seu conhecimento. Falou de esperan\u00e7a e exorcizou medos. Aliou o passado ao presente para quem procura e quer ter futuro. Enalteceu o di\u00e1logo sem ambiguidades. Real\u00e7ou o valor de cada pessoa. Disse que \u201cum povo que n\u00e3o sabe a sua pr\u00f3pria verdade, perde-se nos labirintos do tempo e da hist\u00f3ria, sem valores claramente definidos, sem grandes objectivos claramente enunciados\u201d. <\/p>\n<p>Deu valor na liturgia ao sil\u00eancio orante. Disse que a Igreja tem de entrar no di\u00e1logo com o mundo. Sublinhou a import\u00e2ncia e a actualidade do Vaticano II e como este Concilio \u201cp\u00f4s em evid\u00eancia os pressupostos de uma renova\u00e7\u00e3o do catolicismo e de uma nova civiliza\u00e7\u00e3o &#8211; a \u00abciviliza\u00e7\u00e3o do amor\u00bb &#8211; como servi\u00e7o evang\u00e9lico ao homem e \u00e0 sociedade\u201d. <\/p>\n<p>Para Bento XVI, assim o disse expressamente, se Deus \u00e9 Amor \u201cent\u00e3o a lei fundamental da perfei\u00e7\u00e3o humana e, consequentemente, tamb\u00e9m da transforma\u00e7\u00e3o do mundo \u00e9 o novo mandamento do amor\u201d.<\/p>\n<p>Real\u00e7ou o papel dos crist\u00e3os leigos na ac\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica, chamados a \u201cpromover organicamente o bem comum, a justi\u00e7a, e a configurar rectamente a vida social\u201d. Pediu \u00e0s institui\u00e7\u00f5es sociais da Igreja que \u201cprocurem o bem das popula\u00e7\u00f5es carenciadas, seja clara a sua orienta\u00e7\u00e3o, deixem bem patente a sua identidade na inspira\u00e7\u00e3o dos seus objectivos, na escolha dos seus recursos humanos, nos m\u00e9todos de actua\u00e7\u00e3o, na qualidade dos seus servi\u00e7os, na gest\u00e3o s\u00e9ria e eficaz dos meios\u201d.<\/p>\n<p>Disse isto tudo e muito mais. Uns ouviram bem. Outros com olhos tortos e ouvidos retorcidos. A mensagem ficou e agora \u00e9 tesouro para fazer render.<\/p>\n<p>Falou aos bispos. Palavras que fazem pensar. Mas como \u00e9 mensagem para toda a Igreja, a ela voltaremos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bento XVI regressou a Roma. N\u00e3o veio a Portugal como turista, nem \u00e0 conquista de simpatias, nem a procurar ou evitar proventos de manifestas diferen\u00e7as. 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