{"id":17483,"date":"2011-06-08T10:29:00","date_gmt":"2011-06-08T10:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17483"},"modified":"2011-06-08T10:29:00","modified_gmt":"2011-06-08T10:29:00","slug":"s-pedro-catedratico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/s-pedro-catedratico\/","title":{"rendered":"S. Pedro \u00abcatedr\u00e1tico\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Era bem not\u00f3ria, a desajeitada linguagem de pescador impetuoso e inculto, e com experi\u00eancia directa, n\u00e3o s\u00f3 profissionalmente, de que \u00abum peixe fora da \u00e1gua\u00bb n\u00e3o dura muito tempo\u2026 <\/p>\n<p>Segundo os \u00abActos\u00bb, S. Pedro n\u00e3o podia escolher melhor data para produzir \u00aba primeira enc\u00edclica\u00bb, ou falar \u00abex cathedra\u00bb: aproveitou uma das tr\u00eas principais festas do juda\u00edsmo (\u00caxodo 23,13-19) \u2013 todas elas marcando os momentos mais importantes da actividade agr\u00edcola: o in\u00edcio (\u00abP\u00e3es \u00e1zimos\u00bb), o fim da ceifa e a colheita (\u00abfesta das tendas\u00bb). Com o tempo foram ganhando novos sentidos e aglutinando-se com outras festas, de um modo ainda hoje objecto de discuss\u00e3o. <\/p>\n<p>Ao princ\u00edpio, a primeira festa n\u00e3o tinha liga\u00e7\u00e3o directa com a P\u00e1scoa: com efeito, a oferta de p\u00e3es \u00e1zimos  significava apenas a oferta da colheita do trigo \u00abna sua pureza natural\u00bb, sem a interven\u00e7\u00e3o humana do fermento. A data\u00e7\u00e3o a partir do dia de P\u00e1scoa firmou-se com a primeira fus\u00e3o de datas entre a festa dos \u00c1zimos e a da P\u00e1scoa, a que se juntou o sentido da celebra\u00e7\u00e3o da entrega da Lei a Mois\u00e9s.<\/p>\n<p>Sete semanas depois (ou 7 semanas depois da P\u00e1scoa), vinha a ceifa, tamb\u00e9m chamada a \u00abfesta das semanas\u00bb. A estes 7&#215;7 dias, seguia-se o dia da festa rija, \u00abo quinquag\u00e9simo dia\u00bb (\u201che pentekoste hemera\u201d, em grego), donde o nome de \u00abPentecostes\u00bb.<\/p>\n<p>Na \u00abfesta das tendas\u00bb, j\u00e1 no Outono, dava-se a apanha das uvas e da azeitona: vivia-se festivamente em cabanas de ramos verdes, lembrando o modo de vida de Israel no deserto.<\/p>\n<p>De imediato se v\u00ea como todos estes sentidos facilmente est\u00e3o presentes, e com significado bem profundo, no Cristianismo. <\/p>\n<p>O Livro do \u00caxodo admoestava todos os israelitas a que n\u00e3o faltassem a estas tr\u00eas grandes peregrina\u00e7\u00f5es. A multid\u00e3o tornava-se t\u00e3o imensa e diversificada, que S. Lucas n\u00e3o teve dificuldade em fazer uma lista quase exaustiva dos povos \u00e0 volta, com l\u00ednguas e costumes diversos. Com muita arte e sabedoria, preparou o cen\u00e1rio em que S. Pedro iria fazer uma \u00abcomunica\u00e7\u00e3o universal\u00bb. S. Lucas n\u00e3o hesita em criar um ambiente quase fant\u00e1stico, juntando os tradicionais s\u00edmbolos de presen\u00e7a divina: l\u00ednguas de fogo, vento, estrondo, e a novidade maravilhosa de as l\u00ednguas humanas falarem o fogo e a aragem de Deus.<\/p>\n<p>O evangelista n\u00e3o poupou as tintas mais fortes para gravar o essencial: a universalidade da miss\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus Cristo; a supera\u00e7\u00e3o das barreiras lingu\u00edsticas e culturais; a afirma\u00e7\u00e3o de uma comunidade \u00abde esp\u00edrito novo\u00bb perante \u00abo mundo inteiro\u00bb; a ascens\u00e3o de Jesus como \u00absuperior\u00bb \u00e0 subida de Mois\u00e9s ao Monte Sinai, tendo presente as caracter\u00edsticas acabadas de mencionar, e tendo presente a natural \u00absubordina\u00e7\u00e3o\u00bb de Mois\u00e9s ao Messias, chamado por Deus \u00abpara se sentar \u00e0 sua direita\u00bb (festa crist\u00e3 da Ascens\u00e3o). E por isso, \u00abo Esp\u00edrito de Jesus\u00bb \u00e9 referido como \u00abo Esp\u00edrito de Deus\u00bb, \u00abo mesmo Esp\u00edrito\u00bb, como diz a leitura de S. Paulo, que pode estar em cada um de n\u00f3s, permitindo que o dia a dia de cada qual, com seus dissabores, alegrias, \u00f3dios e amores, trabalho e descanso\u2026 anuncie a quantos se cruzam connosco porque \u00e9 que vale a pena viver: festejar nas nossas tendas, com todos os povos, a colheita dos nossos trabalhos, dos nossos projectos, outros tantos prod\u00edgios na modela\u00e7\u00e3o do mundo e na partilha positiva de sentimentos (Actos 2,17-21) \u2013  que n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o a vida de toda a humanidade bem guardada onde nunca poder\u00e1 ser destru\u00edda.<\/p>\n<p>O \u00abcatedr\u00e1tico\u00bb S. Pedro deu uma li\u00e7\u00e3o clara e concisa, marcando o ponto central: \u00abFoi este Jesus que Deus ressuscitou, e disto n\u00f3s somos testemunhas\u00bb. Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai o Esp\u00edrito Santo prometido e derramou-o como vedes e ouvis\u00bb (Actos 2,32-33).<\/p>\n<p>Muitos \u00abcatedr\u00e1ticos\u00bb t\u00eam tentado explicar o inexplic\u00e1vel. Mas o extraordin\u00e1rio trabalho do nosso pensamento e raz\u00e3o n\u00e3o foi em v\u00e3o: no seu esfor\u00e7o de cada vez mais amplo conhecimento, de cada vez mais raz\u00f5es articuladas, foi testemunhando que todos os modos de vida humana se podem harmonizar no mesmo Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-17483","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17483"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17483\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}