{"id":17498,"date":"2011-06-01T10:15:00","date_gmt":"2011-06-01T10:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17498"},"modified":"2011-06-01T10:15:00","modified_gmt":"2011-06-01T10:15:00","slug":"maos-artistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/maos-artistas\/","title":{"rendered":"M\u00e3os artistas"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> M\u00e3os sujas, de quem mexe na lama e nas mais estranhas florestas de quanto existe. M\u00e3os sens\u00edveis, para sentir a diversidade e a consist\u00eancia do que v\u00e3o percorrendo como bichinhos num mundo novo. M\u00e3os sensuais, que acariciam outras m\u00e3os. M\u00e3os inteligentes, a quem n\u00e3o basta sentir, e que a tudo s\u00e3o capazes de dar formas novas. M\u00e3os vision\u00e1rias, que tocam no que n\u00e3o se v\u00ea e no que n\u00e3o se pode ver, moldando o presente com restos do passado e com sonhos do futuro, sentindo a alma das coisas, a alma do universo, a alma da vida.<\/p>\n<p>M\u00e3os que fazem jus \u00e0 riqueza da hist\u00f3ria da \u00abm\u00e3o\u00bb: instrumento de luta e de trabalho, de salva\u00e7\u00e3o e de repulsa, de carinho e de castigo\u2026 s\u00edmbolo de for\u00e7a f\u00edsica e moral e da autoridade pr\u00f3pria do \u00abpaterfamilias\u00bb que licitamente podia usar \u00abm\u00e3o de ferro\u00bb\u2026 Do latim \u00abmanus\u00bb (indo-europeu \u00abman\u00bb, graficamente o mesmo \u00e9timo de \u00abhomem\u00bb em ingl\u00eas, formando por\u00e9m uma cadeia sem\u00e2ntica distinta), donde derivam manual, mancebo, emancipar\u2026; e mandar (p\u00f4r ou dar na m\u00e3o do outro), recomendar, amanuense (sob o dom\u00ednio da m\u00e3o do outro), mansid\u00e3o (habituado ao dom\u00ednio de quem \u00abtem m\u00e3o\u00bb)\u2026 Como vemos, o sentido de dom\u00ednio e for\u00e7a \u00e9 de extrema import\u00e2ncia (\u00abmanus\u00bb tamb\u00e9m significa protec\u00e7\u00e3o e at\u00e9 um pequeno ou grande ex\u00e9rcito). Ali\u00e1s, nas principais l\u00ednguas conhecidas, o sentido central do termo em quest\u00e3o \u00e9 agarrar, segurar, dominar.<\/p>\n<p>M\u00e3os artistas, que pintaram, ao longo dos tempos, as \u00abm\u00e3os do Salvador\u00bb, os seus gestos mais significativos, e sobretudo a imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os, mesmo antes de se \u00abesconder no c\u00e9u\u00bb, onde as nossas m\u00e3os n\u00e3o chegam mas onde chega a sua arte. N\u00e3o \u00e9 na Capela Sixtina, que as m\u00e3os de Deus e de Ad\u00e3o se tocam num fluxo de for\u00e7a?<\/p>\n<p>M\u00e3os que \u00abbaptizam\u00bb: outra coisa n\u00e3o \u00e9 esse acto, em que a for\u00e7a de Deus nos transforma numa extens\u00e3o da sua \u00abm\u00e3o\u00bb forte e carinhosa, rigorosa e artista \u2013 lembrando o cuidado com que se lava um filho pequeno a preceito para a festa que h\u00e1-de vir\u2026<\/p>\n<p>M\u00e3os de todos os que as querem entrela\u00e7ar para formar uma humanidade unida e forte, formando uma corrente onde o amor \u00e9 t\u00e3o vivo que por vezes as m\u00e3os se fundem umas nas outras.<\/p>\n<p>M\u00e3os que dizem um adeus: como as de Jesus na hora da \u00abascens\u00e3o\u00bb, em que \u00abmandou\u00bb os disc\u00edpulos pelo mundo, estendendo as m\u00e3os a quantos os quisessem receber. M\u00e3os de quem veio e vem ao nosso encontro, m\u00e3os que cobriram o rosto em chaga de Jesus, como cobriram as mol\u00e9stias de tantos cegos, mudos e surdos\u2026 <\/p>\n<p>M\u00e3os dadas com esse Jesus que, \u00absubindo ao c\u00e9u\u00bb, nos quer dizer que viver \u00e9 \u00abestar com Deus\u00bb \u2013 coroando a obra das nossas m\u00e3os. E assim quis garantir, a quem quiser dar as m\u00e3os, o sucesso da \u00absubida\u00bb para a Vida verdadeira: basta saber usar o  poder das nossas m\u00e3os!<\/p>\n<p>M\u00e3os teimosas, como as que de mil maneiras querem dar forma ao conceito de \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb, enganando tantas vezes os nossos olhos e at\u00e9 o nosso discernimento\u2026 M\u00e3os com que os pr\u00f3prios evangelistas misturaram as cores da \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb e \u00abascens\u00e3o\u00bb. <\/p>\n<p>Como \u00e9 que as nossas m\u00e3os apresentam, sem formas enganosas, o que \u00e9 a vida? N\u00e3o bastaria simplesmente mostrar as m\u00e3os dispon\u00edveis para todos e com todos unidos para a aventura? N\u00e3o se poderia retratar a \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb ou \u00abascens\u00e3o\u00bb como o chamamento de Deus \u00e0 aventura insuper\u00e1vel e inesgot\u00e1vel da vida?<\/p>\n<p> M\u00e3os \u00abartistas\u00bb \u2013 um termo proveniente de um dos mais ricos \u00e9timos indo-europeus: \u00abar\u00bb de harmonia e arte; transformando-se em \u00abor\u00bb de ordem e originalidade; em \u00abra\u00bb de raz\u00e3o, em \u00abri\u00bb de ritmo\u2026 M\u00e3os de um condutor de orquestra, de um palha\u00e7o, de um dan\u00e7arino, de um engenheiro meticuloso, de um cozinheiro atento e criativo\u2026 <\/p>\n<p>M\u00e3os que desenham a originalidade da nossa ordem e da nossa origem, descobrindo a harmonia do mundo da arte com a arte do mundo.<\/p>\n<p>M\u00e3os dadas entre Deus e os Homens.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga  <\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-17498","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17498","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17498"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17498\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}