{"id":17533,"date":"2011-06-15T10:48:00","date_gmt":"2011-06-15T10:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17533"},"modified":"2011-06-15T10:48:00","modified_gmt":"2011-06-15T10:48:00","slug":"revolucoes-que-abanam-e-mudam-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/revolucoes-que-abanam-e-mudam-a-historia\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00f5es que abanam e mudam a hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Come\u00e7o por uma frase que pede reflex\u00e3o: \u201cVai-se tornando cada vez mais comum a convic\u00e7\u00e3o de que, tal como a revolu\u00e7\u00e3o industrial produziu uma mudan\u00e7a profunda na sociedade atrav\u00e9s das novidades inseridas no ciclo da produ\u00e7\u00e3o e na vida dos trabalhadores, tamb\u00e9m hoje a profunda transforma\u00e7\u00e3o operada no campo das comunica\u00e7\u00f5es guia o fluxo de grandes mudan\u00e7as sociais e culturais\u201d. S\u00e3o palavras de Bento XVI, a prop\u00f3sito do XLV Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, recentemente celebrado. <\/p>\n<p>As chamadas revolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam todas a mesma repercuss\u00e3o social e humana, ainda que tragam consigo algo de novo que deixa algumas marcas na hist\u00f3ria das pessoas, porventura s\u00f3 num pa\u00eds ou noutro. H\u00e1, por\u00e9m, revolu\u00e7\u00f5es que abanam a hist\u00f3ria e mudam o seu rumo. Foi o caso da revolu\u00e7\u00e3o industrial da qual todo o mundo beneficia, e estoutra das comunica\u00e7\u00f5es, com realce para a Internet e suas possibilidades, que nos leva a sentir que o mundo acorda cada dia diferente.<\/p>\n<p>H\u00e1 acontecimentos que, no seu in\u00edcio, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever, e menos ainda ver, todos os seus efeitos. As pessoas s\u00e1bias em humanidade, mais sens\u00edveis aos sinais da hist\u00f3ria, podem, desde longe, intui-los, e, como que, profeticamente, ver j\u00e1 ent\u00e3o o que os olhos n\u00e3o podem ver ainda. Paulo VI, ao iniciar, em 1967, o Dia Mundial, de que agora celebramos, sem interrup\u00e7\u00e3o, a XLV edi\u00e7\u00e3o, teve esta intui\u00e7\u00e3o e acordou para ela uma Igreja, mais desconfiada que entusiasmada com o pouco que j\u00e1 se via. Quem podia imaginar na d\u00e9cada de sessenta, o que se passaria em 2011, sempre com caminho aberto para ir mais longe? A n\u00edvel mais pr\u00f3ximo, tamb\u00e9m eu n\u00e3o imaginava at\u00e9 onde ir\u00edamos quando, h\u00e1 vinte anos, dei luz verde a um p\u00e1roco da diocese para entrar, por esse mundo, com objectivos apost\u00f3licos e pastorais. Ele p\u00f4de assim ser pioneiro, reconhecido e seguido por tantos outros. E o mesmo a um outro padre que me falava, com entusiasmo, das \u201cnovas avenidas da comunica\u00e7\u00e3o\u201d e me pedia licen\u00e7a para que uma institui\u00e7\u00e3o diocesana ao servi\u00e7o da cultura, aceitasse uma proposta da Universidade nesse sentido. O que logo ent\u00e3o parecia privil\u00e9gio antecipado para alguns, depressa se tornou possibilidade normal para todos.<\/p>\n<p>O mundo tornou-se pequeno e toda a informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ao alcance de cada um, as riquezas do patrim\u00f3nio cultural mais acess\u00edveis a todos, novas maneiras de aprender e de pensar est\u00e3o na pra\u00e7a p\u00fablica, trabalhar em rede deixou de ser coisa de circo\u2026 E a gente nova, at\u00e9 j\u00e1 as crian\u00e7as, movem-se em tudo isto com a normalidade de quem diz que este \u00e9 o seu mundo.<\/p>\n<p>Tal como na revolu\u00e7\u00e3o industrial surgiu a for\u00e7a e a condu\u00e7\u00e3o do processo, por parte dos mais fortes, tamb\u00e9m, no mundo da comunica\u00e7\u00e3o, irromperam interesses de toda a ordem, que nem sempre se traduzem por vantagens e dedica\u00e7\u00e3o a um bem mais alargado a todos. As revolu\u00e7\u00f5es sociais e culturais revelam capacidades e riquezas e novas possibilidades de enriquecimento pessoal e comunit\u00e1rio. Mas, tamb\u00e9m, abrem, por vezes, ocasi\u00f5es de desvio e desvirtuamento que deixam v\u00edtimas pelo caminho, e n\u00e3o apenas na gente nova. H\u00e1 uma urg\u00eancia que n\u00e3o se pode iludir e, em muitos casos, j\u00e1 peca por tardia. Trata-se de educar a todos, desde o in\u00edcio da aprendizagem escolar, para o uso correcto dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Dar computadores ou mostr\u00e1-los, com orgulho, j\u00e1 em jardins de inf\u00e2ncia, n\u00e3o \u00e9 sempre sinal de progresso educativo e de sensatez. Mesmo os adultos que beneficiam destes meios devem dispor-se a aprender as vantagens e os perigos, pois n\u00e3o se trata simplesmente de  aprender como funcionam, mas de saber utiliz\u00e1-los com discernimento e crit\u00e9rios v\u00e1lidos. Tem-se jogado mais na vontade e na possibilidade de ter, que na capacidade de usar com m\u00e9rito e sentido positivo.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as que se operam por virtude desta revolu\u00e7\u00e3o s\u00e3o verdadeiramente culturais. Tocam em valores, crit\u00e9rios, princ\u00edpios e modelos de vida que determinam comportamentos, tanto individuais, como comunit\u00e1rios. Por este motivo, tamb\u00e9m a Igreja, na medida em que quiser ser \u201cperita em humanidade\u201d, n\u00e3o se pode furtar a estar presente e activa no seio das novas tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o. Elas constituem um meio privilegiado para comunicar, evangelizar, criar fraternidade, gerar solidariedade. E a Igreja, no caso, \u00e9 a diocese, a par\u00f3quia, a associa\u00e7\u00e3o, o movimento ou o servi\u00e7o pastoral e apost\u00f3lico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7o por uma frase que pede reflex\u00e3o: \u201cVai-se tornando cada vez mais comum a convic\u00e7\u00e3o de que, tal como a revolu\u00e7\u00e3o industrial produziu uma mudan\u00e7a profunda na sociedade atrav\u00e9s das novidades inseridas no ciclo da produ\u00e7\u00e3o e na vida dos trabalhadores, tamb\u00e9m hoje a profunda transforma\u00e7\u00e3o operada no campo das comunica\u00e7\u00f5es guia o fluxo de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-17533","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17533","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17533"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17533\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17533"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17533"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17533"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}