{"id":17576,"date":"2011-06-08T09:58:00","date_gmt":"2011-06-08T09:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17576"},"modified":"2011-06-08T09:58:00","modified_gmt":"2011-06-08T09:58:00","slug":"historia-da-construcao-naval-continua-por-fazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/historia-da-construcao-naval-continua-por-fazer\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da constru\u00e7\u00e3o naval continua por fazer"},"content":{"rendered":"<p>A regi\u00e3o de Aveiro chegou a ter dezenas de estaleiros de constru\u00e7\u00e3o naval &#8211; uma hist\u00f3ria rica que est\u00e1 a perder-se.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da constru\u00e7\u00e3o naval na regi\u00e3o de Aveiro e a sua import\u00e2ncia econ\u00f3mica, social e t\u00e9cnica para o sector mar\u00edtimo nacional continua por fazer e encontra-se em risco de se perder definitivamente com o desaparecimento dos \u00faltimos \u201cmestres navais\u201d que laboraram em estaleiros como os de S. Jacinto, os da Gafanha da Nazar\u00e9 e os que existiram at\u00e9 \u00e0 pouco ao longo do canal da ria de acesso \u00e0 cidade de Aveiro.<\/p>\n<p>Com muitas dessas pessoas desaparece o \u201csaber fazer\u201d aprendido na experi\u00eancia de d\u00e9cadas de profiss\u00e3o, as t\u00e9cnicas que cada um desses profissionais adaptava \u00e0s suas necessidades, as hist\u00f3rias e os \u201csegredos\u201d que cada \u201cmestre naval\u201d possu\u00eda.<\/p>\n<p>Quando da recupera\u00e7\u00e3o da fragata D. Fernando II e Gl\u00f3ria, foi em Aveiro que se encontraram os mestres carpinteiros navais capazes de dar vida ao que restava desse velho casco de madeira, mestres que vinham no seguimento dos \u201cM\u00f3nica\u201d, que deram vida e fama aos estaleiros da Gafanha, e de onde sa\u00edram muitos dos antigos lugres (veleiros) bacalhoeiros da primeira metade do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Os Estaleiros de S. Jacinto inovaram na constru\u00e7\u00e3o naval em a\u00e7o, tendo da\u00ed sa\u00eddo alguns dos mais modernos navios da frota bacalhoeira (e da pesca long\u00ednqua) portuguesa, cujos projectos foram concebidos e executados por t\u00e9cnicos locais, e que muito contribu\u00edram para a grande pujan\u00e7a da ind\u00fastria naval portuguesa ocorrida desde o per\u00edodo final do Estado Novo e a entrada de Portugal na Comunidade Europeia.<\/p>\n<p>Dos antigos estaleiros da Gafanha da Nazar\u00e9 nada resta que ateste a exist\u00eancia dessa importante actividade naval. O que resta dos antigos estaleiros de S. Jacinto ainda ocupa uma \u00e1rea que \u00e9 cada vez mais cobi\u00e7ada em termos imobili\u00e1rios. Dos pequenos estaleiros mais ou menos de cariz artesanal que se encontravam ao longo do canal da ria de acesso a Aveiro pouco existe.<\/p>\n<p>Dos estaleiros navais (de onde sa\u00edram navios para a pesca do bacalhau) que existiram em \u00cdlhavo (na zona da Malhada), na cidade de Aveiro (onde hoje est\u00e1 o monumento \u00e0 Avia\u00e7\u00e3o Naval) e na Murtosa j\u00e1 nada resta\u2026 nem mesmo na mem\u00f3ria dos habitantes daqueles locais.<\/p>\n<p>Com isso, perdeu-se um esp\u00f3lio hist\u00f3rico, documental e t\u00e9cnico de inigual\u00e1vel valor, acervo que enriqueceria qualquer museu ou arquivo.<\/p>\n<p>Sector empregou <\/p>\n<p>centenas de pessoas<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o de Aveiro, na segunda metade do s\u00e9culo XX, a constru\u00e7\u00e3o naval empregou directamente centenas de pessoas. S\u00f3 nos estaleiros de S. Jacinto chegaram a trabalhar cerca de meio milhar de oper\u00e1rios, muito deles altamente especializados, aos quais se juntavam os que laboravam na Navalria, na Carnave e em outros estaleiros de menor dimens\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a constru\u00e7\u00e3o naval potenciava outras centenas de empregos em empresas que trabalhavam e dependiam dos estaleiros, entre as quais, as de carpintaria e mobili\u00e1rio naval, de electricidade e electr\u00f3nica naval, de tintas mar\u00edtimas e de equipamentos n\u00e1uticos.<\/p>\n<p>Estaleiros <\/p>\n<p>de lazer e desporto<\/p>\n<p>A regi\u00e3o de Aveiro tamb\u00e9m possuiu uma bem desenvolvida ind\u00fastria de constru\u00e7\u00e3o naval de embarca\u00e7\u00f5es de recreio e lazer, tanto de \u201clanchas\u201d como de veleiros, incluindo de cariz marcadamente desportivo e de competi\u00e7\u00e3o, como actualmente acontece com a unidade de Delmar Conde, na Mota da Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m essa hist\u00f3ria est\u00e1 por fazer, um pouco como tamb\u00e9m acontece com a hist\u00f3ria das pequenas embarca\u00e7\u00f5es da Ria de Aveiro e da costa aveirense (x\u00e1vega). No entanto, neste sector da constru\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es da ria, h\u00e1 que registar o facto de alguns esteiros artesanais serem hoje n\u00facleos museol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A regi\u00e3o de Aveiro chegou a ter dezenas de estaleiros de constru\u00e7\u00e3o naval &#8211; uma hist\u00f3ria rica que est\u00e1 a perder-se. 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