{"id":17613,"date":"2011-06-22T10:15:00","date_gmt":"2011-06-22T10:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17613"},"modified":"2011-06-22T10:15:00","modified_gmt":"2011-06-22T10:15:00","slug":"uma-velha-cancao-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-velha-cancao-brasileira\/","title":{"rendered":"Uma velha can\u00e7\u00e3o brasileira"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Cantava-se pelos finais dos anos 40 do s\u00e9c. XX. Com a gra\u00e7a e espontaneidade do seu jeito e ritmo (e passe algum erro de mem\u00f3ria), a letra dizia assim:<\/p>\n<p>Nem tudo o que luz \u00e9 oiro<\/p>\n<p>Nem tudo o que balan\u00e7a cai.<\/p>\n<p>E a mo\u00e7a que a gente conhece<\/p>\n<p>Todo o dia a rezar na igreja<\/p>\n<p>\u2013 Pode ser que ela seja uma santa<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m pode ser que n\u00e3o seja!<\/p>\n<p>Sabedoria \u00abque a gente conhece\u00bb. Mas que tamb\u00e9m esquece, porque d\u00e1 mais jeito guiar-se pelas apar\u00eancias e sobretudo seguir \u00abas modas para o sucesso\u00bb. Se estes versos fossem mais lembrados, juntar\u00edamos boa disposi\u00e7\u00e3o ao exerc\u00edcio da prud\u00eancia nas variadas situa\u00e7\u00f5es da vida, como ao ajuizar sobre as outras pessoas, e particularmente quando \u00e9 preciso escolher algu\u00e9m\u2026<\/p>\n<p>Pois todas as leituras de hoje s\u00f3 d\u00e3o raz\u00e3o a esta s\u00e1tira deliciosa. Sen\u00e3o, vejamos:<\/p>\n<p>O profeta Eliseu s\u00f3 foi aprovado como pessoa fidedigna depois de ser ajuizado ao longo de muita conviv\u00eancia (1.\u00aa leitura). Quanto a S. Paulo, n\u00e3o levou ele muitos anos a perseguir e depois a estudar se Jesus era mesmo para ser levado a s\u00e9rio? E o pr\u00f3prio Jesus, n\u00e3o se dava, por sua vez, a conviver com toda a esp\u00e9cie de gente, mas n\u00e3o se deixando levar pelas apar\u00eancias, lendo o fundo do cora\u00e7\u00e3o? E n\u00e3o apelava para que nos d\u00e9ssemos uns bons momentos para lhe podermos ler tamb\u00e9m no fundo do cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Se nos queremos conhecer verdadeiramente, temos que dar tempo para conviver, prestando aten\u00e7\u00e3o e aliando prud\u00eancia com uma atitude de bom acolhimento portadora de esperan\u00e7a. Na diversidade de conviv\u00eancias \u00e9 que se apuram os amigos. <\/p>\n<p>Foi a atitude de S. Paulo ao longo do \u00abconv\u00edvio espiritual\u00bb com Jesus, n\u00e3o se esquecendo de conviver com os disc\u00edpulos que \u00abcomeram e beberam\u00bb com o Mestre. Fez de Jesus Cristo o seu \u00abl\u00edder\u00bb, mas n\u00e3o o queria como um fantasma: repisava constantemente a morte de Jesus \u2013 \u00faltimo acto do conv\u00edvio terreno connosco que tamb\u00e9m sofremos e morremos. Mas como tinha experi\u00eancia de um Jesus Cristo vivo, aprofundou o sentido da exist\u00eancia humana, reavivando o s\u00edmbolo da pr\u00f3pria morte: descobriu nela a passagem para um n\u00edvel de vida superior; e n\u00e3o esqueceu as pequenas mortes de cada dia, que penalizam o corpo e o esp\u00edrito, mas ao mesmo tempo nos levam a olhar a vida com mais sabedoria, mais equil\u00edbrio. E como ele pr\u00f3prio diz, vamos morrendo para os modos mais imperfeitos de viver. A vida balan\u00e7a muito\u2026 mas \u00abnem tudo o que balan\u00e7a cai!\u00bb<\/p>\n<p>O evangelho \u00e9 a parte final das considera\u00e7\u00f5es de Mateus sobre o que \u00e9 ser disc\u00edpulo de Jesus Cristo: nada nos deve impedir de reconhecer a miss\u00e3o de Jesus \u2013 nem os amigos ou fam\u00edlia mais chegada. Temos que saber conviver com todos, de tal maneira que o projecto de felicidade da humanidade seja um projecto de cada qual. Mateus j\u00e1 tinha a experi\u00eancia de \u00abgrupinhos\u00bb dentro da comunidade crist\u00e3, e por isso lan\u00e7ou o alerta. <\/p>\n<p>Jesus vincou a urg\u00eancia de implementar este projecto \u2013 a que chamou do \u00abreino de Deus\u00bb (os tempos actuais bem mostram como certos grupos de poder querem \u00abo reino\u00bb s\u00f3 para eles!). Justamente, est\u00e1 em causa um projecto de conviv\u00eancia perfeita entre n\u00f3s (onde o oiro n\u00e3o seja falso e o que balan\u00e7a n\u00e3o caia\u2026), de tal modo que podemos sentir o pr\u00f3prio Deus passeando com agrado neste \u00abjardim\u00bb ao nosso cuidado\u2026<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-17613","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17613","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17613"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17613\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}