{"id":17651,"date":"2011-07-13T09:20:00","date_gmt":"2011-07-13T09:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17651"},"modified":"2011-07-13T09:20:00","modified_gmt":"2011-07-13T09:20:00","slug":"paradoxos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/paradoxos\/","title":{"rendered":"Paradoxos"},"content":{"rendered":"<p>1. Alguma comunica\u00e7\u00e3o social, sobretudo a de maior impacto medi\u00e1tico, tem um indiscut\u00edvel poder cultural, gerando uma onda de mentalidades esperan\u00e7adas no ef\u00e9mero, a qual, sem dar por isso, se torna extremamente fr\u00e1gil e incapaz de sonhar projectos e construir realidades consistentes. <\/p>\n<p>Todas as vidas s\u00e3o de inestim\u00e1vel valor. Mas nem todas s\u00e3o igualmente construtoras de futuro e esperan\u00e7a. Precisamente porque umas incarnam ideais e sonhos ef\u00e9meros, enquanto outras cimentam e desenvolvem ideais persistentes, \u201cprodutivos\u201d, semeadores de esperan\u00e7as e realizadores de caminhos vis\u00edveis de futuro.<\/p>\n<p>D\u00f3i ver partir um jovem. Mas a explora\u00e7\u00e3o emocional medi\u00e1tica que se fez deixou muitos jovens na penumbra do desencanto, de bra\u00e7os ca\u00eddos ante o \u201cfat\u00eddico\u201d. Fixados no ef\u00e9mero do \u00eddolo, nem sequer alcan\u00e7am a profundidade da perda, porque depressa tudo o vento levar\u00e1.<\/p>\n<p>Deixaram-nos, entretanto, duas gigantescas figuras: um industrial, com a instru\u00e7\u00e3o m\u00ednima, que subiu a pulso, gerando e levando a cabo um projecto de produ\u00e7\u00e3o de trabalho e riqueza; e uma mulher que viveu a pol\u00edtica por voca\u00e7\u00e3o, entregue apaixonadamente \u00e0s causas mais nobres da vida, da fam\u00edlia, do pa\u00eds. E quase se n\u00e3o deu por ela, uma vez que os minutos de antena n\u00e3o tiveram compara\u00e7\u00e3o com os dedicados ao primeiro caso.<\/p>\n<p>Afinal: que valores e projectos quer propor aos jovens alguma comunica\u00e7\u00e3o social?<\/p>\n<p>2. Todos ouvimos que o futuro s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com uma mudan\u00e7a de mentalidade: de consumidores sem controlo, temos de passar a organizar uma vida s\u00f3bria, que produza mais e consuma menos. Mas nem todos percebemos que isso \u00e9 um desafio para todos os portugueses.<\/p>\n<p>Vejamos. Faz-se um piquenique contra a precariedade e falta de emprego; mas gastam-se dezenas e centenas de euros para se vir de longe, para encher est\u00e1dios de futebol, para estar presente em concertos\u2026 <\/p>\n<p>O mais grave de tudo isto \u00e9 que esses milhares e milhares de euros, que achamos que n\u00e3o devem ser investidos em produ\u00e7\u00e3o, v\u00e3o alimentar fortunas da artistas, de desportistas, essencialmente para fora do pa\u00eds. Quem e donde s\u00e3o as bandas que v\u00eam ganhar milhares? Quantos atletas estrangeiros ganham o dinheiro dos nossos clubes?<\/p>\n<p>Nunca os or\u00e7amentos desportivos fizeram tal afronta \u00e0 pobreza do Pa\u00eds, que, depois, n\u00e3o tem para promover o desporto escolar como vertente educativa. Nunca se organizaram tantos e t\u00e3o volumosos festivais de ver\u00e3o, para depois n\u00e3o haver dinheiro para se fomentarem as artes. <\/p>\n<p>Algo vai mal na cabe\u00e7a de muita gente, quando se prefere o circo ao p\u00e3o, quando se estima o espect\u00e1culo mais do que o trabalho!&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Alguma comunica\u00e7\u00e3o social, sobretudo a de maior impacto medi\u00e1tico, tem um indiscut\u00edvel poder cultural, gerando uma onda de mentalidades esperan\u00e7adas no ef\u00e9mero, a qual, sem dar por isso, se torna extremamente fr\u00e1gil e incapaz de sonhar projectos e construir realidades consistentes. Todas as vidas s\u00e3o de inestim\u00e1vel valor. Mas nem todas s\u00e3o igualmente construtoras [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-17651","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17651","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17651"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17651\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}