{"id":17672,"date":"2011-07-06T09:44:00","date_gmt":"2011-07-06T09:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17672"},"modified":"2011-07-06T09:44:00","modified_gmt":"2011-07-06T09:44:00","slug":"pintor-joao-pinto-calisto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pintor-joao-pinto-calisto\/","title":{"rendered":"Pintor Jo\u00e3o Pinto Calisto"},"content":{"rendered":"<p>Aveirenses Esquecidos <!--more--> Jo\u00e3o Pinto Calisto, natural de Aveiro (1929), foi um dos mais reputados mestres pintores de azulejaria art\u00edstica de Aveiro, tendo atingido o topo na F\u00e1brica Aleluia.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Pinto Calisto, filho do escultor Jo\u00e3o dos Santos Calisto, foi um ex\u00edmio pintor de pain\u00e9is de azulejos, tendo alcan\u00e7ado o topo da carreira como mestre pintor na F\u00e1brica Aleluia, onde liderou a sec\u00e7\u00e3o de pintura art\u00edstica.<\/p>\n<p>Desde cedo manifestou apet\u00eancia pelas artes, tendo iniciado a sua actividade como marceneiro e entalhador, porque \u201cgostava da talha\u201d, afirma o artista, aprendendo com o entalhador \u00c1lvaro Moreira, que \u201ctinha a sua oficina no cruzamento da Rua Direita com a rua que vem do Museu\u201d, em Aveiro. Um dia, deu-se a mudan\u00e7a. Explica Jo\u00e3o Pinto Calisto: \u201cApareceu um senhor, Jo\u00e3o Marques de Oliveira, conhecido do meu pai, que era respons\u00e1vel pela sec\u00e7\u00e3o de pintura de pain\u00e9is na Aleluia. Eu fui trabalhar para ele, n\u00e3o na f\u00e1brica, mas a pintar barquinhos moliceiros em barro, que ele vendia na sua loja. Foi assim que eu comecei a aprender a pintar em cer\u00e2mica, pintando tamb\u00e9m uns azulejos e outras coisas, mas sempre na casa desse senhor. Um dia, disse-me: \u00abVais para a F\u00e1brica Aleluia\u00bb, E, a partir da\u00ed, estive l\u00e1 at\u00e9 me reformar, aos 65 anos de idade\u201d.<\/p>\n<p>Na Aleluia <\/p>\n<p>\u201csubiu todos os degraus\u201d<\/p>\n<p>Na F\u00e1brica Aleluia, Jo\u00e3o Pinto Calisto iniciou a sua actividade na azulejaria art\u00edstica como aprendiz, primeiro \u201ca escolher e a colocar os azulejos nos cavaletes, que vinham com os desenhos em papel vegetal que eram colocados em cima dos pain\u00e9is, para depois serem pintados. Nos pain\u00e9is que tinham recortes, os azulejos eram cortados \u00e0 m\u00e3o com turqu\u00eas, serra de dentes finos e grosa, trabalho que eu tamb\u00e9m fazia no in\u00edcio\u201d, sublinha o pintor. Algum tempo depois, come\u00e7ou a fazer \u201cumas coisinhas de pintura\u201d, pelo que saiu do recorte e passou para a pintura. <\/p>\n<p>Em simult\u00e2neo com o trabalho na F\u00e1brica, Jo\u00e3o Pinto Calisto frequentava a Escola Industrial de Aveiro, tendo como professor de desenho e pintura Gerv\u00e1sio Aleluia, um dos respons\u00e1veis da F\u00e1brica Aleluia, que lhe chegou a dizer: \u201cO que \u00e9 que tu andas aqui a fazer? Tu, na f\u00e1brica, fazes trabalhos mais complicados do que estes. Vai-te embora, que eu dou-te as notas!\u201d. \u201cA partir da\u00ed, agarrei-me \u00e0 pintura, na f\u00e1brica\u201d, remata Jo\u00e3o Pinto Calisto.<\/p>\n<p>Quando Jo\u00e3o Marques de Oliveira deixou a F\u00e1brica Aleluia para ingressar nas Faian\u00e7as S. Roque, Louren\u00e7o Limas ficou como respons\u00e1vel pela sec\u00e7\u00e3o de pintura art\u00edstica da Aleluia. \u201cComo eu n\u00e3o tinha forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica na \u00e1rea da pintura \u2013 explica Jo\u00e3o Pinto Calisto \u2013 estava sempre atento a tudo e punha-me atr\u00e1s dos pintores mais velhos a ver como eles faziam, para aprender. E assim fui andando e aprendendo, at\u00e9 que cheguei a um ponto em que era eu que ensinava mesmo pessoas que andavam h\u00e1 mais tempo na f\u00e1brica do que eu\u201d.<\/p>\n<p>Nos primeiros tempos de pintura na Aleluia, apesar de Jo\u00e3o Pinto Calisto gostar muito da pintura ornamental, dedicando-se sobretudo a pintar lambris n\u00e3o figurativos, cercaduras de pain\u00e9is e relevos, tamb\u00e9m queria experimentar a pintura figurativa, at\u00e9 que um dia pediu ao Louren\u00e7o Limas, para o deixar pintar um painel. \u201cPintei uma Nossa Senhora de F\u00e1tima com os pastorinhos e cordeirinhos. Quando ele viu o painel pintado disse-me: \u00abJ\u00e1 devias estar a pintar\u00bb. Mas continuei como respons\u00e1vel pela equipa da pintura ornamental\u201d. Entre os trabalhos que esta equipa executou contam-se todas as cercaduras dos pain\u00e9is art\u00edsticos que decoram a fachada e o interior da Igreja de V\u00e1lega (Ovar). Ainda nesta igreja, pintou tamb\u00e9m um dos pain\u00e9is.<\/p>\n<p>Pouco depois, Jo\u00e3o Pinto Calisto passou para a pintura figurativa, at\u00e9 chegar a \u201cbra\u00e7o direito\u201d de Louren\u00e7o Limas, ficando a seu encargo os acabamentos dos pain\u00e9is e a execu\u00e7\u00e3o de pormenores mais delicados, o que para ele n\u00e3o era muito agrad\u00e1vel. \u201cN\u00e3o me sentia bem a mexer e acabar os trabalhos dos meus colegas\u201d, diz.<\/p>\n<p>Quando Louren\u00e7o Limas adoeceu, Jo\u00e3o Pinto Calisto, ent\u00e3o com perto de 40 anos de idade, assumiu provisoriamente a direc\u00e7\u00e3o da sec\u00e7\u00e3o art\u00edstica, passando a chefi\u00e1-la ap\u00f3s a morte daquele mestre pintor, cargo que manteve at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1990, quando se reformou, aos 65 anos de idade.<\/p>\n<p>Escola de pintura<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Pinto Calisto implementou a cria\u00e7\u00e3o de uma verdadeira escola de pintura, de modo a que quem come\u00e7asse um painel teria de termin\u00e1-lo com qualidade. A par disso, foi com ele que os artistas da Aleluia come\u00e7aram a assinar os pain\u00e9is que pintavam, valorizando o trabalho dos artistas. \u201cEu exigia o m\u00e1ximo dos meus alunos, para que eles se tornassem bons artistas\u201d, alguns dos quais ainda est\u00e3o em fun\u00e7\u00f5es na Aleluia.<\/p>\n<p>Se Jo\u00e3o Pinto Calisto j\u00e1 desenhava alguns pain\u00e9is que depois pintava quando assumiu a direc\u00e7\u00e3o art\u00edstica, e como era tradi\u00e7\u00e3o da Aleluia, passou tamb\u00e9m a desenhar a grande maioria dos pain\u00e9is executados na f\u00e1brica, tanto os de cria\u00e7\u00e3o livre como os que obedeciam aos \u201clivros de estilo\u201d existentes na sec\u00e7\u00e3o: G\u00f3tico, Barroco, Rococ\u00f3, Arte Nova, entre outros.<\/p>\n<p>Na sec\u00e7\u00e3o de serigrafia, Jo\u00e3o Pinto Calisto acabou com o decalque, dando in\u00edcio \u00e0 estampagem directa no azulejo com acabamento manual, usando tintas pr\u00f3prias, id\u00eanticas \u00e0s que ent\u00e3o eram usadas nas porcelanas. \u201cGanhei tanto gosto a trabalhar com aquele tipo de tintas, que cheguei a pintar pain\u00e9is com tintas dessas, que pareciam tinta a \u00f3leo. Em alguns desses pain\u00e9is juntei esmalte cer\u00e2mico grosso (vidro j\u00e1 cozido, n\u00e3o confundir com tinta de esmalte), criando relevos e efeitos especiais que eram imposs\u00edveis de fazer na azulejaria tradicional, com tinta de \u00e1gua\u201d, explica o artista.<\/p>\n<p>Na Aleluia, o artista pintou in\u00fameros pain\u00e9is, os quais se encontram sobretudo no interior de igrejas e casas particulares, um pouco por todo o pa\u00eds, incluindo A\u00e7ores e Madeira. A par disso, tamb\u00e9m restaurou pain\u00e9is da Aleluia, alguns deles numa igreja em Ponta Delgada.<\/p>\n<p>Aguarelista <\/p>\n<p>e ex\u00edmio retratista<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Pinto Calisto tamb\u00e9m se dedicou \u00e0 pintura art\u00edstica sobre tela (acr\u00edlico) e sobre papel (aguarela), sendo um ex\u00edmio retratista e fisionomista.<\/p>\n<p>Aprendeu a arte da pintura em aguarela com o pai, que era fot\u00f3grafo de profiss\u00e3o.\u201dNessa altura, n\u00e3o havia fotografia a cores. Quando algu\u00e9m queria fotos a cores, o meu pai aguarelava-as, isto \u00e9, pintava-as com aguarela. E foi assim que eu comecei a pintar tamb\u00e9m aguarela\u201d, refere o artista.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirenses Esquecidos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-17672","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17672","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17672"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17672\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17672"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17672"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17672"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}