{"id":17692,"date":"2011-07-06T10:08:00","date_gmt":"2011-07-06T10:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17692"},"modified":"2011-07-06T10:08:00","modified_gmt":"2011-07-06T10:08:00","slug":"ferias-para-todos-ou-ainda-so-para-alguns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ferias-para-todos-ou-ainda-so-para-alguns\/","title":{"rendered":"F\u00e9rias para todos ou ainda s\u00f3 para alguns?"},"content":{"rendered":"<p>Ultimamente as esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o e outros meios de comunica\u00e7\u00e3o social multiplicam-se em pequenas entrevistas de rua perguntando \u00e0s pessoas se v\u00e3o de f\u00e9rias, onde pensam aproveitar os dias de sa\u00edda, quanto pensam gastar e por a\u00ed adiante, que o argumento d\u00e1 para pano para muita manga. As respostas denunciam que as pessoas, em geral, se saem, \u00e9 por menos dias, outras deslocam-se para onde t\u00eam fam\u00edlia, algumas n\u00e3o v\u00e3o ter f\u00e9rias e apertam no or\u00e7amento porque a vida est\u00e1 dif\u00edcil  Se alguns esperam ir uns dias \u00e0 praia, fazem c\u00e1lculos para ver como gastar menos, porque tamb\u00e9m t\u00eam agora menos, outros nem respondem. Passam ainda pelo ecr\u00e3 pessoas desempregadas, pais com filhos pequenos, pessoas mais velhas, gente que vive s\u00f3. Em cada resposta adivinham-se os contornos de vidas diferentes, mas com preocupa\u00e7\u00f5es semelhantes.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que esta sondagem de rua n\u00e3o chega \u00e0s pessoas que, hoje como ontem, t\u00eam meios suficientes e mais que suficientes, com casa de veraneio pr\u00f3pria, e podem ainda multiplicar os dias e escolher os lugares, sem que com isso o or\u00e7amento balance. A igualdade desej\u00e1vel n\u00e3o significa uma uniformidade de meios, tocando, por igual, toda a gente. As diferen\u00e7as v\u00e3o perdurar e apenas seria desej\u00e1vel que estivessem mais atenuadas. Ningu\u00e9m pode desejar que todos sejam igualmente pobres, j\u00e1 que n\u00e3o podem ser ricos. Deseja-se, sim, e \u00e9 de justi\u00e7a que se deseje, que a ningu\u00e9m faltem meios que permitam uma vida digna e a possibilidade de usufruir n\u00e3o apenas do necess\u00e1rio, mas at\u00e9 do que permita op\u00f5es pessoais e familiares leg\u00edtimas, inclusivamente uns dias de f\u00e9rias. As f\u00e9rias s\u00e3o indispens\u00e1veis para quem trabalha, e nem sempre quem mais trabalha \u00e9 quem mais delas usufrui.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que muitas pessoas mais velhas t\u00eam agora o que nunca tiveram ao longo de uma vida de muito trabalho, preocupa\u00e7\u00f5es e canseiras. Abrem-se-lhes m\u00faltiplas possibilidades de descanso e de lazer: passeios em grupo pelo pa\u00eds, f\u00e9rias nos centros do Inatel, idas a lugares conhecidos das ilhas e mesmo da Europa\u2026 E muitos desfrutam, tamb\u00e9m, de meios de aprendizagem e de cultura que nunca a vida lhes havia proporcionado. Ainda bem. Resta, no entanto, a verifica\u00e7\u00e3o de que as f\u00e9rias para quem ainda hoje trabalha profissionalmente e, mais ainda, em tempo de crise social, s\u00e3o um bem escasso e n\u00e3o ao alcance de todos. Penso, por exemplo, nas crian\u00e7as do interior do pa\u00eds, necessitadas de mar. Fui beneficiado, na d\u00e9cada de trinta, tal como uma das minhas irm\u00e3s, da riqueza e beleza do mar da Nazar\u00e9, juntamente com centenas de crian\u00e7as do distrito. A Junta Distrital, \u00e0 qual presidia um m\u00e9dico com sensibilidade e que pensava nos outros, promovia col\u00f3nias de f\u00e9rias de alunos das escolas prim\u00e1rias, filhos de fam\u00edlias modestas e, normalmente, com muitos filhos. Assim se respondia a uma necessidade, aferida por um cuidadoso exame m\u00e9dico. N\u00e3o ia quem queria, mas quem mais precisava. <\/p>\n<p>Muitas institui\u00e7\u00f5es particulares de solidariedade social t\u00eam proporcionado uns dias de praia \u00e0s crian\u00e7as. Algumas destas institui\u00e7\u00f5es, pelas restri\u00e7\u00f5es a que t\u00eam sido sujeitas, v\u00e3o deixando de o poder fazer. Outras, com dificuldade embora, t\u00eam continuado a proporcionar este bem. <\/p>\n<p>Recordo que uma diocese de Portugal, a de Coimbra, promoveu, h\u00e1 tempos, f\u00e9rias para filhos de pais desempregados. N\u00e3o poder\u00e3o outras entidades fazer o mesmo? N\u00e3o poder\u00e3o tamb\u00e9m algumas fam\u00edlias assumir nas suas f\u00e9rias uma ou mais crian\u00e7as que precisem de sol e mar e que os pais n\u00e3o lhos podem dar? Se n\u00e3o h\u00e1 gente a faz\u00ea-lo movida pelo amor gratuito, outros talvez n\u00e3o o fa\u00e7am por insensibilidade a esta situa\u00e7\u00e3o ou por n\u00e3o quererem que algu\u00e9m estranho \u00e0 fam\u00edlia perturbe as suas f\u00e9rias. Pequenos gestos com grande significado. Mas diz a sabedoria do povo que \u201cningu\u00e9m sabe o bem que faz quando faz bem\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ultimamente as esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o e outros meios de comunica\u00e7\u00e3o social multiplicam-se em pequenas entrevistas de rua perguntando \u00e0s pessoas se v\u00e3o de f\u00e9rias, onde pensam aproveitar os dias de sa\u00edda, quanto pensam gastar e por a\u00ed adiante, que o argumento d\u00e1 para pano para muita manga. As respostas denunciam que as pessoas, em geral, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-17692","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17692","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17692"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17692\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17692"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17692"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17692"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}