{"id":17727,"date":"2011-07-13T10:15:00","date_gmt":"2011-07-13T10:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17727"},"modified":"2011-07-13T10:15:00","modified_gmt":"2011-07-13T10:15:00","slug":"o-grande-teatro-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-grande-teatro-do-mundo\/","title":{"rendered":"\u00abO grande teatro do Mundo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Podia-se ter inspirado na liturgia deste domingo a pe\u00e7a assim intitulada do insigne dramaturgo espanhol Calder\u00f3n de la Barca (1600-1681). Nela teatralizou o comportamento, ora ing\u00e9nuo, ora honesto, ora ainda retorcido e no fundo inconsciente, das figuras mais t\u00edpicas da humanidade, contra o pano de fundo da verdade e justi\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p>\u00abO justo deve ser amigo dos homens\u00bb, diz o Livro da Sabedoria (\u00e9 o \u00faltimo livro do Antigo Testamento, escrito entre 100 a 30 anos antes de Cristo, num grego de qualidade, provavelmente no grande centro cultural de Alexandria, no Egipto). O autor, desconhecido, reage profundamente \u00e0 descren\u00e7a em Deus, por muito amigo que seja apresentado. No tempo do autor, muitos judeus cultos abandonaram a f\u00e9. J\u00e1 ent\u00e3o, havia quem visse no progresso dos conhecimentos cient\u00edficos, filos\u00f3ficos e esot\u00e9ricos, motivo de desprezo pela quest\u00e3o religiosa. Os problemas de base s\u00e3o os de hoje: Esta vida ter\u00e1 algum sentido? N\u00e3o \u00e9 evidente que nascemos do acaso e caminhamos para a morte? Como poderemos falar de Deus, falar de uma \u00abjusti\u00e7a perfeita\u00bb? Como poderemos confiar num Deus que permite o sucesso de gente in\u00edqua a par da persegui\u00e7\u00e3o e sofrimento daqueles que procuram o bem?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 raro o sentimento de que este mundo mais n\u00e3o \u00e9 do que um campo de ervas daninhas. \u00c9 um sentimento comum \u00e0s piores ondas de pessimismo. E no entanto, bem sabemos que n\u00e3o somos s\u00f3 n\u00f3s a ser bons\u2026 E que n\u00e3o faltam exemplares de cultura sadia. <\/p>\n<p>A par\u00e1bola do evangelho retrata espantosamente a sabedoria de Jesus, reflectindo o olhar sereno de Deus \u2013 demasiado calmo, a nosso gosto, que desejar\u00edamos \u00abcastiguem-se os maus \u2013 j\u00e1!\u00bb Bem queriam os \u00abbons\u00bb trabalhadores arrancar a erva m\u00e1; mas o senhor do campo \u2013 que era mesmo \u00abbom\u00bb e s\u00e1bio \u2013 deu ordem para que se deixasse cada p\u00e9 crescer segundo a tend\u00eancia pr\u00f3pria: na altura da ceifa, \u00e9 que seria f\u00e1cil distinguir o bom do mau. O ju\u00edzo verdadeiro e final s\u00f3 cabe a Deus. \u00c9 caso para dizer: \u2013 Que paci\u00eancia, meu Deus!<\/p>\n<p>Mas Jesus n\u00e3o esperou pela \u00aboutra vida\u00bb para atacar os que n\u00e3o procediam correctamente. Uma que outra vez, ter\u00e1 mesmo escolhido atitudes de alguma viol\u00eancia. Por\u00e9m, avisa que nos compete \u00abcrescer\u00bb o melhor poss\u00edvel, pesem as mol\u00e9stias a nosso lado e em n\u00f3s mesmos. Por outro lado, a indulg\u00eancia \u00e9 eficaz enquanto manifesta a sabedoria e autoridade divinas \u2013 aqueles que n\u00e3o t\u00eam o poder verdadeiro \u00e9 que s\u00e3o impacientes e abusam da for\u00e7a (Sabedoria 12,17). Porque \u00e9 a autoridade perfeita, Deus ama absolutamente, sem limites nem parcialidade nos seus ju\u00edzos; at\u00e9 \u00ab\u00e0queles habitantes da terra\u00bb cru\u00e9is e assassinos, d\u00e1-lhes tempo para despertar do erro \u2013 pois \u00abn\u00e3o deixam de ser homens\u00bb, com a dignidade e fraqueza pr\u00f3prias. Jesus revela ainda, e com o exemplo da vida, que Deus nos ensina a ser amigos dos homens e a nunca desesperar de um mundo de justi\u00e7a. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00abser amigo dos homens\u00bb \u00e9 lutar por uma educa\u00e7\u00e3o aut\u00eantica, que desenvolva o ju\u00edzo cr\u00edtico de cada qual e o torne capaz de apontar o dedo \u00e0s ervas daninhas. S\u00f3 assim se pode criar uma consci\u00eancia de \u00e9tica global (profundamente defendida pelo distinto te\u00f3logo humanista Hans K\u00fcng), que evite a confus\u00e3o entre o mal e o bem; e que os governos deixem de ser corrompidos pelos grandes grupos econ\u00f3micos; e que um chefe corrupto deixe de ser lisonjeado, s\u00f3 porque \u00e9 rico e poderoso \u2013 pelo contr\u00e1rio, que seja publicamente desacreditado e justamente punido. <\/p>\n<p>As outras duas par\u00e1bolas sobre o \u00abreino de Deus\u00bb \u2013 o pequeno gr\u00e3o de mostarda ou o fermento silencioso \u2013 corroboram a aparente estagna\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 retrocesso do desenvolvimento do bem e justi\u00e7a neste mundo, mas que na realidade esconde um germinar e crescimento constantes, s\u00f3 abafados se a boa semente n\u00e3o luta contra a invas\u00e3o destruidora.<\/p>\n<p>Precisamos de gente que distinga as ervas daninhas do trigo genu\u00edno, n\u00e3o colaborando com projectos desumanos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, uma vis\u00e3o do mundo s\u00e1bia, com arte e prud\u00eancia eficientes, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se estamos dispostos a aprender, na verdade e simplicidade, com o \u00abSenhor do campo\u00bb.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-17727","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17727","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17727"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17727\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}