{"id":17753,"date":"2011-07-13T10:21:00","date_gmt":"2011-07-13T10:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17753"},"modified":"2011-07-13T10:21:00","modified_gmt":"2011-07-13T10:21:00","slug":"um-mundo-de-interrogacoes-incomodas-mas-necessarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-mundo-de-interrogacoes-incomodas-mas-necessarias\/","title":{"rendered":"Um mundo de interroga\u00e7\u00f5es inc\u00f3modas mas necess\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 inevit\u00e1vel, no agir do dia-a-dia de cada pessoa, o confronto entre os tempos j\u00e1 vividos e os que se vivem agora com o futuro no horizonte. S\u00f3 no presente podemos ter mem\u00f3ria do que se vivemos antes e abertura realista para projectos novos. O presente, por\u00e9m, aparece-nos cada vez mais confuso e inquietante. H\u00e1 menos mem\u00f3ria, mas mais possibilidades para muitas coisas e mais problemas a enfrentar. S\u00e3o mais dif\u00edceis as rela\u00e7\u00f5es e a comunica\u00e7\u00e3o pessoal atenta, pela abund\u00e2ncia dos canais massificadores e porque o mundo de muitas pessoas e os valores em causa n\u00e3o coincidem em aspectos essenciais. Toda a gente tem opini\u00e3o acerca de tudo, do que conhece e do que n\u00e3o conhece. E, quanto menos se conhece, mais se \u00e9 dogm\u00e1tico nas afirma\u00e7\u00f5es e menos respeitador das opini\u00f5es alheias. Constroem-se mais muros que pontes, no dia a dia, na pol\u00edtica, nas op\u00e7\u00f5es desportivas, que s\u00f3 no aspecto religioso se vai notando o contr\u00e1rio. H\u00e1 mais diplomas de escola, mais festas e passeios de finalistas, mas menos conhecimento de coisas essenciais da vida. Por sistema, alguns v\u00e3o apagando o passado e pensam, como ideal, um presente de imediatos, sem horizontes, sem projectos que se justifiquem a longo prazo.<\/p>\n<p>Com tudo isto est\u00e1 visivelmente em causa a educa\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es. A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a simples transmiss\u00e3o dos ensinamentos que constam das exig\u00eancias do curr\u00edculo escolar. Educar \u00e9 tudo o que se orienta para ajudar a crescer rumo \u00e0 maturidade, e que permite optar, com crit\u00e9rios v\u00e1lidos, inserir-se e agir, de modo respons\u00e1vel, na sociedade de que se faz parte. Exige seriedade e compet\u00eancia de quem educa, abertura, acolhimento e esfor\u00e7o do educando, apoio de uma comunidade humana, que \u00e9 sempre a refer\u00eancia indispens\u00e1vel dos valores morais e \u00e9ticos que se prop\u00f5em e transmitem. Reside nisto tudo, quando n\u00e3o \u00e9 claro, a grande dificuldade do processo educativo que se pretende eficaz nos seus resultados. O processo n\u00e3o tem um termo, ainda que o tenha o curso escolar, porque a necessidade de aprender e de crescer acompanha-nos a todos ao longo da vida.<\/p>\n<p>Na sociedade actual muitos teimam em viver uma vida sem sentido, por isso mesmo cada vez mais empobrecida de humanismo, de ideal, de valores morais, de projectos consistentes. Porque a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 ambiental, os novos mais facilmente se deixam contagiar pelo vazio das vidas esfrangalhadas e desiludidas do que pelos testemunhos convincentes e s\u00f3lidos da gente normal. S\u00e3o estes testemunhos que se devem tornar cada vez mais vis\u00edveis na fam\u00edlia, na escola, nos projectos e conte\u00fados educativos, nas propostas da sociedade circundante, nas institui\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Nestes dias, jornais e notici\u00e1rios televisivos deram conta de que est\u00e1 a aumentar, em Portugal, o n\u00famero de jovens estudantes a partir dos 14 anos, que consomem hero\u00edna e outras drogas, antigas e modernas, e que h\u00e1, tamb\u00e9m, os que se v\u00e3o tornando dependentes do \u00e1lcool. O facto tem muitas leituras que v\u00e3o sendo feitas consoante os quadrantes ideol\u00f3gicos do analista. O mais urgente nestas e outras situa\u00e7\u00f5es que afectam alunos das escolas \u00e9 descobrir as causas e procurar actuar sobre elas. <\/p>\n<p>S\u00e3o estas interroga\u00e7\u00f5es inc\u00f3modas, a que muita gente se furta por n\u00e3o encontrar sa\u00edda ou pensar que se trata de fen\u00f3menos passageiros, que n\u00e3o merecem especial aten\u00e7\u00e3o. O exame de interioriza\u00e7\u00e3o das causas, talvez com a ajuda das v\u00edtimas, n\u00e3o pode deixar de fora os pais, os professores, os educadores de todas a vertentes educativas, escolares e outras, os grupos de influ\u00eancia, os meios de comunica\u00e7\u00e3o, os lugares de lazer, os traficantes criminosos no caso das drogas t\u00f3xicas. Todos s\u00e3o membros desta sociedade cheia de problemas inc\u00f3modos, que tem, e ainda bem, no seu seio muitas riquezas e oportunidades de bem, nem sempre aproveitadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 inevit\u00e1vel, no agir do dia-a-dia de cada pessoa, o confronto entre os tempos j\u00e1 vividos e os que se vivem agora com o futuro no horizonte. S\u00f3 no presente podemos ter mem\u00f3ria do que se vivemos antes e abertura realista para projectos novos. O presente, por\u00e9m, aparece-nos cada vez mais confuso e inquietante. 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