{"id":17800,"date":"2011-07-27T09:32:00","date_gmt":"2011-07-27T09:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17800"},"modified":"2011-07-27T09:32:00","modified_gmt":"2011-07-27T09:32:00","slug":"as-arvores-morrem-de-pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/as-arvores-morrem-de-pe\/","title":{"rendered":"\u00abAs \u00e1rvores morrem de p\u00e9\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o alguns anos que eu assisti no Porto \u00e0 pe\u00e7a \u201cAs \u00e1rvores morrem de p\u00e9\u201d, interpretada pela saudosa e grande Senhora que foi a Actriz Palmira Bastos.<\/p>\n<p>Esta frase veio ao meu esp\u00edrito, quando no dia 6 de Julho, correu c\u00e9lere a not\u00edcia da morte de Maria Jos\u00e9 Pinto da Cunha de Avillez Nogueira Pinto. <\/p>\n<p>Toda a sua vida foi pautada pelo servi\u00e7o aos outros, defendendo sempre as suas convic\u00e7\u00f5es: morais, sociais, religiosas, pol\u00edticas\u2026 Essa sua verticalidade \u2013 como as \u00e1rvores de grande porte e majestade \u2013 valeram-lhe os enc\u00f3mios das mais diversas personalidades. <\/p>\n<p>Mesmo discordando pol\u00edtica ou religiosamente dela, todos foram un\u00e2nimes em enaltecer a sua figura de Mulher, que deixa um vazio na nossa sociedade. <\/p>\n<p>Jurista de forma\u00e7\u00e3o, casou com o jurista Jaime Nogueira Pinto que conheceu quando ela \u00abfurou\u00bb uma greve na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Casaram em 1972, tiveram tr\u00eas filhos e o casamento s\u00f3 acabou porque \u00aba morte os separou\u00bb. Estiveram juntos em \u00c1frica e viveram quatro anos exilados em Joanesburgo, Madrid, Brasil. <\/p>\n<p>O seu curriculum \u00e9 marcado pela vertente social: entrou na pol\u00edtica, \u00abn\u00e3o para se servir da pol\u00edtica, mas para servir a pol\u00edtica\u00bb; foi Subsecret\u00e1ria de Estado da Cultura, Consultora da Funda\u00e7\u00e3o Gulbenkian e mais tarde Presidente da Funda\u00e7\u00e3o para a Sa\u00fade; Presidente da Administra\u00e7\u00e3o da Maternidade Alfredo da Costa; Provedora da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Lisboa.<\/p>\n<p>Mulher de \u00abantes quebrar que torcer\u00bb, quando Subsecret\u00e1ria de Estado da Cultura interditou o velho Est\u00e1dio de Alvalade, por inseguran\u00e7a da estrutura destinada a receber um concerto musical; tendo sido desautorizada pelo Secret\u00e1rio de Estado da altura, demitiu-se.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es Legislativas de 1995, foi eleita deputada independente por Lisboa nas listas do CDS. At\u00e9 1999 \u00e9 l\u00edder da bancada do CDS, onde trava acesos combates com os seus parceiros pol\u00edticos, com um fulgor que deu nas vistas \u2013 o seu estilo \u00e9 ao mesmo tempo contundente, culto, \u00e1gil e desassombrado. Nesse \u00abcombate\u00bb ganha o respeito e admira\u00e7\u00e3o dos colegas de todas as bancadas. Sabe impor aquilo em que acredita e defende, mas sem a arrog\u00e2ncia de quem se julga dona da verdade.<\/p>\n<p>Venceu muitas batalhas, inclusivamente a \u00faltima. O cancro venceu o seu corpo, mas o seu esp\u00edrito crente e l\u00facido at\u00e9 ao fim, apoiado na gra\u00e7a de Deus que lhe dava a F\u00e9, esteve \u00abem p\u00e9\u00bb at\u00e9 ao fim. Poucos dias antes do dia 6 de Julho, ainda esteve no plen\u00e1rio para a elei\u00e7\u00e3o de Assun\u00e7\u00e3o Esteves, como presidente do Parlamento. Esta, no dia da Missa de corpo presente, disse de Maria Jos\u00e9 Nogueira Pinto: \u201cVenho representar a dor do Parlamento portugu\u00eas pela morte da dr.\u00aa Maria Jos\u00e9 Nogueira Pinto, que teve um percurso c\u00edvico e pol\u00edtico que nos merece o maior respeito\u201d.<\/p>\n<p>Maria Fernanda Barroca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o alguns anos que eu assisti no Porto \u00e0 pe\u00e7a \u201cAs \u00e1rvores morrem de p\u00e9\u201d, interpretada pela saudosa e grande Senhora que foi a Actriz Palmira Bastos. 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