{"id":17832,"date":"2011-07-27T10:09:00","date_gmt":"2011-07-27T10:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17832"},"modified":"2011-07-27T10:09:00","modified_gmt":"2011-07-27T10:09:00","slug":"gerir-bem-o-melhor-patrimonio-do-pais-as-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/gerir-bem-o-melhor-patrimonio-do-pais-as-pessoas\/","title":{"rendered":"Gerir bem o melhor patrim\u00f3nio do pa\u00eds: as pessoas"},"content":{"rendered":"<p>Vive-se sob o signo do dinheiro. Finan\u00e7as e economia determinam o agir dos governantes. Os paradigmas de sucesso e insucesso partem da\u00ed e a a\u00ed retornam.  N\u00e3o se pode negar a import\u00e2ncia da boa gest\u00e3o dos bens materiais, dada a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, possibilidades existentes, encargos assumidos, restri\u00e7\u00f5es impostas, obra a realizar. O essencial e a raz\u00e3o de ser da governa\u00e7\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, a aten\u00e7\u00e3o aos cidad\u00e3os. <\/p>\n<p>O mais importante patrim\u00f3nio a ser bem gerido, s\u00e3o as pessoas concretas: crian\u00e7as, jovens, adultos e mais idosos; saud\u00e1veis, doentes e com defici\u00eancias; da cidade, do litoral ou das aldeias do interior; empregadores, trabalhadores e desempregados; residentes, emigrados e imigrados; gente letrada ou apenas de letras gordas.  Pessoas para acolher com respeito, reconhecer suas capacidades naturais e adquiridas, propor, em cada caso, medidas concretas de apoio e promo\u00e7\u00e3o pessoal, proporcionar igual reconhecimento de direitos e deveres. Pessoas, valor incalcul\u00e1vel que d\u00e1 sentido a tudo o que \u00e9 patrim\u00f3nio hist\u00f3rico, cultural, religioso, art\u00edstico. Nada que tenha valor, o tem \u00e0 margem das pessoas.<\/p>\n<p>N\u00e3o t\u00eam faltado na comunica\u00e7\u00e3o social, cr\u00edticos a caracterizar, com cargas de negativismo, o nosso povo. Indolente, pessimista, individualista, dependente, pobre de ideias e iniciativas, incapaz de responsabilidades. Como que a afirmar-se, sem r\u00e9plica, que Portugal \u00e9 pa\u00eds de gente in\u00fatil, sem rumo e sem sentido para a vida. Que os governantes que chegam n\u00e3o leiam por esta cartilha de folhas negras. <\/p>\n<p>A hist\u00f3ria, mesmo sem o inebriamento de gl\u00f3rias do passado,  mostra que o povo n\u00e3o \u00e9 assim. Pensemos na gesta migrat\u00f3ria de d\u00e9cadas recentes, na capacidade de recupera\u00e7\u00e3o de milhares de retornados, na sensatez natural de um povo que, depois da revolu\u00e7\u00e3o de Abril, encontrou, no exerc\u00edcio da liberdade democr\u00e1tica, o seu caminho. Uma leitura atenta, por\u00e9m, diz-nos que tal, como noutros pa\u00edses, n\u00e3o nos falta gente v\u00e1lida. S\u00f3 quando nos tocam governantes fracos, o povo mostra, por um tempo, mais fragilidades e menos confian\u00e7a em si. Um dia, por\u00e9m, acorda da aliena\u00e7\u00e3o imposta, e grita corajoso: \u201cBasta!\u201d <\/p>\n<p>De seu natural, os portugueses, vencidas sujei\u00e7\u00f5es e depend\u00eancias, descobertas inverdades na informa\u00e7\u00e3o recebida, s\u00e3o gente capaz de fazer hist\u00f3ria, ir mais longe, gente a que n\u00e3o falta honestidade, bom senso e capacidade de agir, tanto no dia a dia, como por ocasi\u00e3o de crises. Quem explora as emo\u00e7\u00f5es do povo e o engana com promessas v\u00e3s, nunca o ter\u00e1 na m\u00e3o. O tempo mostra o logro, restando apenas os presos a desejos e os pagadores de d\u00edvidas. Qualquer governo \u00e9 leg\u00edtimo se servir o povo. Ser\u00e1 condenado a seu tempo, sempre que se servir do povo.<\/p>\n<p>Leis, iniciativas e decis\u00f5es do poder n\u00e3o podem esquecer as pessoas. Elas s\u00e3o a sua raz\u00e3o de ser. Ora o povo, por vezes e de muitos modos, n\u00e3o tem sido bem tratado. Mais parece um ausente dos projectos de quem governa. Desta realidade devem estar conscientes os novos governantes. Fruto de tudo isto, a natalidade e a vida humana j\u00e1 concebida, foram atacadas de morte; a fam\u00edlia, desfigurada e depreciada, sem medidas que respeitassem a sua dignidade e favorecessem a sua miss\u00e3o; os pais, reduzidos a respons\u00e1veis ocasionais dos filhos, com o Estado a pretender ser seu dono; a educa\u00e7\u00e3o escolar, com poucos horizontes e exig\u00eancias; as crian\u00e7as e os adolescentes, iludidos com miragens e empurrados para uma educa\u00e7\u00e3o sexual de mero prazer, ausente de esfor\u00e7o e rumo; a televis\u00e3o, prisioneira das audi\u00eancias e dos interesses a intoxicar o povo com superficialidades; a pol\u00edtica partid\u00e1ria e o futebol, a ocupar tempo televisivo privilegiado, que se devia repartir para a formar cidad\u00e3os, abertos aos desafios sociais e culturais; as institui\u00e7\u00f5es mais representativas, que vivem junto das pessoas e conhecem, como ningu\u00e9m, as suas preocupa\u00e7\u00f5es e aspira\u00e7\u00f5es, menos ouvidas e tidas como concorrentes do poder pol\u00edtico; a publicidade sem regras, atirando os incautos para um consumismo irrespons\u00e1vel; doentes graves esperando longos meses por consultas de especialidade e cirurgias urgentes; os mais velhos, muitos deles v\u00e1lidos e capazes de colabora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apreciados pelo seu saber, nem integrados onde podiam prestar ainda ac\u00e7\u00e3o de relevo social\u2026 Esta amostragem n\u00e3o esgota a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A viv\u00eancia democr\u00e1tica destr\u00f3i-se por situa\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis. V\u00e1rios pa\u00edses da Europa, feridos por desilus\u00f5es cont\u00ednuas, o v\u00eam sentindo. Situa\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis de compreender, deste tempo, e com efeitos \u00e0 vista. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma renova\u00e7\u00e3o que implique reformas urgentes, sem capacidade para acabar com privil\u00e9gios e favores, sem determina\u00e7\u00e3o para enfrentar as for\u00e7as corporativas, sem uma purifica\u00e7\u00e3o que exorcize as formas de demagogia, especialmente de quem manda. <\/p>\n<p>Sabemos o mal estar que se instalou por compadrios e privil\u00e9gios e encheram os cargos p\u00fablicos de gente incapaz e in\u00fatil, pagando favores e servi\u00e7os,  que s\u00f3 o foram aos partidos. Esta n\u00e3o \u00e9 a \u00e9tica de governantes conscientes do seu dever e do testemunho que deles se espera.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es corporativas n\u00e3o podem funcionar apenas como defensoras de seus membros, dando-se por dispensadas de olhar o conjunto e colaborar para o bem de todos. Num tempo de crise, se elas forem trav\u00e3o de reformas sociais necess\u00e1rias, incriminam-se a si pr\u00f3prias e pode questionar-se o seu direito de exist\u00eancia. O tempo \u00e9 para que todos olhem a realidade e se d\u00eaem as m\u00e3os para superar crises, n\u00e3o para usar da sua for\u00e7a na rua ou nos sal\u00f5es. S\u00f3 o di\u00e1logo aberto e s\u00e9rio, e a pr\u00e1tica de uma \u00e9tica de servi\u00e7o \u00e0 comunidade, ajudar\u00e3o as corpora\u00e7\u00f5es a serem construtoras do bem comum. O povo sabe julgar e dir\u00e1 se assim \u00e9.<\/p>\n<p>A demagogia ser\u00e1 sempre prova de fraqueza de quem n\u00e3o \u00e9 capaz de fazer e convencer. \u00c9 destrutiva do ambiente social, constrangedora da participa\u00e7\u00e3o alargada, geradora de tens\u00f5es e divis\u00f5es indesej\u00e1veis. O demagogo n\u00e3o respeita as pessoas e  seus direitos, n\u00e3o reconhece erros, culpas e limita\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. \u00c9 ainda o povo que mostra o vazio de vidas, \u00e0s quais s\u00f3 o poder outorgou m\u00e9rito.  <\/p>\n<p>Nestas tr\u00eas frentes, a luta \u00e9 dura para governantes dominados pelo sentido de servi\u00e7o, preocupados com o clamor das pessoas e a decis\u00e3o de respostas v\u00e1lidas. Nenhum exerc\u00edcio do poder, por si mesmo sempre duro e exigente, \u00e9 compensado por honras recebidas. A recompensa por servir est\u00e1 no pr\u00f3prio servi\u00e7o e modo de o realizar, como servi\u00e7o a todos. A honra de quem governa est\u00e1 no reconhecimento p\u00fablico do que se faz e como se faz. Quando se servem as pessoas, delas se pode esperar gratid\u00e3o, n\u00e3o fingida e interesseira, mas reconhecimento pelo que elas significam para quem as serve e por elas aceita a luta dif\u00edcil do dia a dia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vive-se sob o signo do dinheiro. Finan\u00e7as e economia determinam o agir dos governantes. Os paradigmas de sucesso e insucesso partem da\u00ed e a a\u00ed retornam. N\u00e3o se pode negar a import\u00e2ncia da boa gest\u00e3o dos bens materiais, dada a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, possibilidades existentes, encargos assumidos, restri\u00e7\u00f5es impostas, obra a realizar. 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