{"id":17834,"date":"2011-08-31T09:23:00","date_gmt":"2011-08-31T09:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17834"},"modified":"2011-08-31T09:23:00","modified_gmt":"2011-08-31T09:23:00","slug":"nova-evangelizacao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/nova-evangelizacao-2\/","title":{"rendered":"Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores <!--more--> Li, h\u00e1 tempos, um apelo do Correio do Vouga, jornal da Diocese de Aveiro, aos leitores, para transmitirem aos respons\u00e1veis pelo mesmo a sua reac\u00e7\u00e3o ou sentir sobre os temas que a\u00ed s\u00e3o escritos. Neste sentido e no esp\u00edrito da preconizada nova evangeliza\u00e7\u00e3o, gostaria de tecer os seguintes coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 que a express\u00e3o nova evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9, semanticamente, tautol\u00f3gica, redundante, repetitiva. Vejamos: a palavra evangeliza\u00e7\u00e3o deriva da palavra Evangelho que, na sua origem grega, quer dizer boa nova\/not\u00edcia\/mensagem. <\/p>\n<p>Desdobrando a express\u00e3o nova evangeliza\u00e7\u00e3o concluir\u00edamos, ent\u00e3o, que ser\u00e1 igual ou o mesmo que nova boa nova\/mensagem. Ora n\u00e3o h\u00e1 uma nova boa nova\/mensagem ou seja n\u00e3o h\u00e1 um novo Evangelho; h\u00e1 sim um evangelho (em quatro narrativas can\u00f3nicas) que nos apresenta a mensagem de Jesus, pessoa humana e divina sempre nova nas suas palavras, gestos, ac\u00e7\u00f5es e relacionamento com os outros. Ele \u00e9 verdadeiramente o L\u00f3gos, a Palavra encarnada, amorosa, criadora e renovadora de Deus. <\/p>\n<p>Assim o que se devia pretender seria a revitaliza\u00e7\u00e3o vivencial do Evangelho, sobretudo com novas praxis crist\u00e3s, novos comportamentos, formas de agir, processos, t\u00e9cnicas e meios de anunciar a mensagem de Amor que Jesus veio trazer ao mundo, para os homens de todos os tempos. Nos Evangelhos, principalmente no de Jo\u00e3o, isto est\u00e1 condensado nas ac\u00e7\u00f5es e palavras de Jesus, durante a \u00faltima ceia, em que Ele quer como que resumir e deixar bem gravado na cabe\u00e7a dos Ap\u00f3stolos e disc\u00edpulos o essencial do que ser\u00e1 ser Seu amigo: a pr\u00e1tica, a viv\u00eancia incondicional do Amor, palavra-chave do Novo Testamento que, ent\u00e3o, Ele lhes\/nos deixou.<\/p>\n<p>O segundo \u00e9 uma ligeira discord\u00e2ncia com o que o p\u00e1roco diz na sua entrevista, a prop\u00f3sito das obras feitas na matriz de Vagos. Tem a ver com a centralidade do altar da Eucaristia e do amb\u00e3o da Palavra. <\/p>\n<p>O Vaticano II assim o prop\u00f4s de tal modo que a Eucaristia &#8211; vulgo missa, termo que j\u00e1 devia ter entrado em desuso \u2013 fosse n\u00e3o com o presidente da assembleia de costas voltadas para a mesma, mas de frente, de olhos nos olhos. E ainda que a Palavra seja proclamada na l\u00edngua vern\u00e1cula de cada povo. E com isto nada se perde do mist\u00e9rio de f\u00e9 que, mesmo assim, esta celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica continua a ser e a ter. N\u00e3o \u00e9, pois, necess\u00e1rio entrar em paran\u00f3ias de ocultismos ou dizer coisas totalmente inacess\u00edveis \u00e0 compreens\u00e3o da Assembleia, pela barreira de uma l\u00edngua como actualmente o Latim. J\u00e1 bem basta o car\u00e1cter fechado e de dif\u00edcil compreens\u00e3o das leituras propostas em cada Eucaristia, para quem tem pouca forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica. Essa de muitos liturgistas da actualidade quererem cultivar o mist\u00e9rio intr\u00ednseco \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e0 custa de um regresso a pr\u00e1ticas dos tempos tridentinos n\u00e3o passa de um saudosismo bacoco da igreja triunfalista anterior ao Vaticano II, hoje quase obnubilado, com grande responsabilidade da hierarquia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, tais atitudes est\u00e3o contra o esp\u00edrito da Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Sagrada Liturgia do Conc\u00edlio Vaticano II e a subsequente Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cMissale Romanum\u201d, de Paulo VI, que promulga o Missal: \u201cQueremos tamb\u00e9m que tudo quanto nesta Constitui\u00e7\u00e3o fica estabelecido e prescrito tenha for\u00e7a de lei, agora e para o futuro, n\u00e3o obstando, se for caso disso, as Constitui\u00e7\u00f5es e Ordena\u00e7\u00f5es Apost\u00f3licas dos nossos Predecessores, ou quaisquer outras prescri\u00e7\u00f5es, ainda que dignas de especial men\u00e7\u00e3o ou derroga\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O terceiro e \u00faltimo coment\u00e1rio \u00e9 sobre As cinco pedrinhas m\u00e1gicas propostas para atingir a gra\u00e7a santificante: 1.\u00aa a viv\u00eancia da Eucaristia; 2.\u00aa a confiss\u00e3o; 3.\u00aa o ros\u00e1rio; 4.\u00aa leitura e estudo da B\u00edblia; 5.\u00aa jejum. <\/p>\n<p>Desconfio que fossem estas as prioridades sequenciais de Jesus.<\/p>\n<p>Com a primeira at\u00e9 concordo, mas numa Eucaristia como celebravam os ap\u00f3stolos e disc\u00edpulos (entenda-se comunidade crist\u00e3), fazendo mem\u00f3ria de Jesus e a partilha do p\u00e3o por Ele mesmo proclamada: \u201cDai-lhes, v\u00f3s mesmos, de comer\u201d.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 segunda, continua interiorizado o esp\u00edrito tribunalesco do tridentino (muito custa a dar o passo em frente para o Vaticano II!). Ent\u00e3o n\u00e3o devia, ao menos, ser reconcilia\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Quanto ao terceiro, bem mal! Ent\u00e3o j\u00e1 nem s\u00f3 o ter\u00e7o? E mesmo assim lembrar que esta pr\u00e1tica popular de rezar (recitar, dizer de cor; n\u00e3o orar!), vem dos tempos em que o povo n\u00e3o sabia ler e n\u00e3o teria, por isso, muitas outras formas palp\u00e1veis de praticar\/viver a sua religiosidade, aprofundar a sua f\u00e9 e cultura b\u00edblica. Por isso a Igreja tornou aconselh\u00e1vel essa devo\u00e7\u00e3o. Em todo o caso, \u00e9 bom lembrar que ela tem muito de semelhante ao que o pr\u00f3prio Jesus censura quando diz que n\u00e3o \u00e9 com o dizer muitas palavras (distra\u00edda e mecanicamente), sem uma verdadeira rela\u00e7\u00e3o do emissor (pessoa orante, que sabe e pensa o que diz \u2013 caso contr\u00e1rio ser\u00e1 uma conversa tola) com o receptor (Deus, a Quem mesmo no Seu sil\u00eancio entendemos como nosso dialogante) que se \u00e9 agrad\u00e1vel aos olhos de Deus.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 Palavra de Deus est\u00e1 relegada, postergada para s\u00edtio nenhum, que n\u00e3o \u00e9 o seu. N\u00e3o ficaria nada mal-estar mesmo em 1.\u00ba lugar, pois, como diz S. Paulo, \u201cfides ex auditu\u201d, \u201ca f\u00e9 nasce do que \u00e9 ouvido, proclamado, lido\u201d. E os cat\u00f3licos apost\u00f3licos romanos, na generalidade, l\u00eaem muito pouco a B\u00edblia. Se ao menos, em cada dia, fizessem as leituras que est\u00e3o no missal quotidiano! Mas quantos o far\u00e3o? E sem f\u00e9 pr\u00e9via, nem a pr\u00f3pria Eucaristia tem sentido. N\u00e3o seria, pois, nada mau propagandear a necessidade da leitura da B\u00edblia de modo que esta fosse mais \u201cobrigat\u00f3ria\u201d do que a reza do ter\u00e7o. Muitas pessoas declaram na Penit\u00eancia como \u201cpecado\u201d(?) o n\u00e3o ter rezado o ter\u00e7o. Mas quantas fazem o mesmo sobre a leitura da Palavra de Deus? <\/p>\n<p>Sobre a \u00faltima pedrinha \u2013 o jejum -, o que \u00e9 essencial \u00e9 que ele deve contribuir para nos tornar \u201csolid\u00e1rios, pois o que n\u00e3o comemos devemos dar em esmola\u201d. Diria: partilhar ainda muito mais do que as economias fruto das refei\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas que sempre devemos fazer. N\u00e3o s\u00e3o as outras coisas que se dizem que d\u00e3o o valor ao jejum.  Jejuar, vestir-se com sacos, de anjinho ou outros quejandos, fazer peregrina\u00e7\u00f5es ou prociss\u00f5es mais ou menos folcl\u00f3ricas, esfarrapar o corpo, os p\u00e9s e os joelhos, fazer sacrif\u00edcios, ser\u00e1 isso que agrada ao Senhor? \u201cO jejum que Me agrada n\u00e3o ser\u00e1 antes este: quebrar as cadeias injustas, desatar os la\u00e7os da servid\u00e3o, por em liberdade os oprimidos\u2026 repartir o teu p\u00e3o com o faminto, dar casa aos pobres sem abrigo, levar roupa aos que n\u00e3o t\u00eam que vestir e n\u00e3o voltar as costas ao teu semelhante?\u201d (ver Is 58, 1-9).<\/p>\n<p>Assim, se viver\u00e1 o \u201cdom mais excelente\u201d de que fala S. Paulo: a Caridade. Posso rezar muito, cumprir todas as minhas obriga\u00e7\u00f5es religiosas e mais algumas \u201cMas se n\u00e3o tiver Caridade, nada valho\u201d, como disc\u00edpulo de Jesus. Serei s\u00f3 bl\u00e1-bl\u00e1, como o sino que toca e faz tanto barulho que, por vezes, s\u00f3 incomoda.<\/p>\n<p>Fernando Neves<\/p>\n<p>Jornal de diversas sensibilidades<\/p>\n<p>Caro Fernando Neves,<\/p>\n<p>agradecemos o seu texto, que veio com a observa\u00e7\u00e3o de ser um contributo para o di\u00e1logo, sem a obriga\u00e7\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o. A direc\u00e7\u00e3o do jornal entendeu public\u00e1-lo, julgando que corresponder\u00e1 ao pensamento de outros leitores. T\u00eam chegado outras opini\u00f5es, ora favor\u00e1veis, ora cr\u00edticas. Todas s\u00e3o importantes para questionar e melhorar a comunica\u00e7\u00e3o que passa pelas p\u00e1ginas deste seman\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os seus tr\u00eas coment\u00e1rios s\u00e3o pertinentes, mas, no fundo, n\u00e3o se op\u00f5em ao esp\u00edrito do que tem sido escrito no CV. Concordamos que a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 por ess\u00eancia nova, mas de alguma forma est\u00e1 consagrada a express\u00e3o \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d (h\u00e1 uma not\u00edcia sobre o assunto na p\u00e1gina 10), mais para real\u00e7ar a diferen\u00e7a das circunst\u00e2ncias do que o conte\u00fado.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 entrevista do P.e Ant\u00f3nio Carvalhais (edi\u00e7\u00e3o de 20 de Julho), ele afirma que est\u00e1 ultrapassada a concep\u00e7\u00e3o de que \u00e9 preciso ver o que acontece na liturgia para que a participa\u00e7\u00e3o seja plena (de resto, \u00e9 imposs\u00edvel em grandes celebra\u00e7\u00f5es, em F\u00e1tima, por exemplo). Isso n\u00e3o significa, de modo nenhum, um regresso a Trento e ao latim na liturgia, embora esse desejo, reconhecemos, exista em alguns cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>Sobre as cinco pedrinhas que o leitor diz serem \u201cm\u00e1gicas\u201d, embora o adjectivo n\u00e3o apare\u00e7a no texto do Po\u00e7o de Jacob de 3 de Agosto, sabemos que corresponde a uma espiritualidade talvez mais tradicional, mas profundamente eclesial. A sec\u00e7\u00e3o assinada pelo P.e Vitor Espadilha tem recebido os mais rasgados elogios e, tamb\u00e9m, como ele sabe, algumas cr\u00edticas.<\/p>\n<p>No nosso entender, um jornal diocesano tem de ser feito das diversas sensibilidades eclesiais. Ser cat\u00f3lico significa ser \u201cde acordo com o todo\u201d, recusar a exclus\u00e3o, n\u00e3o ficar pela parte. Tem de ter textos mais sociais e prof\u00e9ticos (para fora do templo) a par de outros mais espirituais e lit\u00fargicos (para dentro do templo). Se ambos forem bons, impulsionar\u00e3o os leitores em ambos os sentidos, porque a verdadeira espiritualidade crist\u00e3 \u00e9 a que leva \u00e0 solidariedade para com o irm\u00e3o. E a verdadeira interven\u00e7\u00e3o social crist\u00e3 \u00e9 a que leva a tudo oferecer a Deus. N\u00e3o temos d\u00favidas de que \u00e9 isso que se pretende. Se ainda n\u00e3o o conseguimos, teremos certamente (jornalistas, colaboradores e leitores \u2013 com cr\u00edticas e sugest\u00f5es) de fazer um Correio do Vouga melhor.<\/p>\n<p>O director-adjunto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-17834","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17834","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17834"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17834\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}