{"id":17835,"date":"2011-08-31T09:26:00","date_gmt":"2011-08-31T09:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17835"},"modified":"2011-08-31T09:26:00","modified_gmt":"2011-08-31T09:26:00","slug":"felicidade-em-tempos-de-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/felicidade-em-tempos-de-crise\/","title":{"rendered":"Felicidade em tempos de crise"},"content":{"rendered":"<p>A felicidade pode ser uma op\u00e7\u00e3o e uma pedagogia, mesmo em tempo de crise. Quem o explica \u00e9 Helena Marujo, psic\u00f3loga e especialista em psicologia positiva, que sugere formas de caminhar para a felicidade e deixa dicas para tornar os dias mais positivos. Entrevista conduzida por L\u00edgia Silveira, da Ag\u00eancia Ecclesia.<\/p>\n<p>Os portugueses s\u00e3o um povo triste?<\/p>\n<p>Helena Marujo &#8211; Na \u00e1rea do bem-estar e optimismo, t\u00eam surgido estudos e investiga\u00e7\u00f5es, desenvolvidos nomeadamente por estrangeiros, que indicam que os portugueses, quando questionados, por exemplo, no final de cada ano sobre as suas expectativas para o ano seguinte, tendem, de uma maneira geral, a mostrar que se sentem pouco optimistas em rela\u00e7\u00e3o ao futuro.<\/p>\n<p>Por outro lado, estudos de bem-estar, feitos pela New Economic Foundation, em Inglaterra, ou resultados do World Database of Happiness, apontam que os n\u00edveis de bem-estar auto-avaliados pelos portugueses est\u00e3o mais baixos que as m\u00e9dias e tendem at\u00e9 a estar mais baixos que pa\u00edses em que as condi\u00e7\u00f5es materiais, de vida, at\u00e9 de paz ou de guerra, s\u00e3o piores que as nossas. H\u00e1 qualquer coisa na nossa cultura que espera o pior, algo que n\u00e3o permite ter vis\u00f5es entusiasmadas e esperan\u00e7adas no futuro.<\/p>\n<p>Esta vis\u00e3o impede o encontro com um caminho de felicidade?<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o. Um estudo da New Economic Foundation mostra que, nos indicadores de bem-estar subjectivo e individual, os portugueses se avaliam dizendo que est\u00e3o pouco satisfeitos com a vida; quando questionados acerca da qualidade das suas rela\u00e7\u00f5es sociais, os valores disparam e saltamos para um honroso lugar nos pa\u00edses da Europa. H\u00e1 sinais que mostram uma satisfa\u00e7\u00e3o com as rela\u00e7\u00f5es, com a forma como somos e vivemos. Atrav\u00e9s das rela\u00e7\u00f5es sociais podemos potenciar algumas tend\u00eancias nossas.<\/p>\n<p>H\u00e1 um estudo feito em Portugal, pelo professor Miguel Pereira Lopes, no contexto empresarial, sobre o optimismo e o pessimismo, que revela um dado interessante \u2013 somos um pouco paradoxais, simultaneamente optimistas e pessimistas. Ainda que a ci\u00eancia diga que \u00e9 poss\u00edvel ser as duas coisas \u2013 n\u00e3o \u00e9 um cont\u00ednuo, os portugueses t\u00eam mais paradoxos. Isto pode ser positivo se agarrarmos o que nos faz ser optimistas, quais s\u00e3o as nossas \u00e1reas de bem-estar.<\/p>\n<p>Penso, por exemplo, na capacidade de criar partindo da consci\u00eancia do que fazemos melhor, do que funciona na nossa sociedade. Somos \u00f3ptimos nas rela\u00e7\u00f5es familiares, continuamos a dar uma grande import\u00e2ncia \u00e0s amizades, \u00e0 presen\u00e7a da fam\u00edlia \u2013 e podemos ir buscar a essas for\u00e7as colectivas algo que nos fa\u00e7a compensar o lado menos confiante no futuro.<\/p>\n<p>Afirma em diversas entrevistas e nas confer\u00eancias em que participa que a sociedade se encontra num ponto de viragem. Que circunst\u00e2ncias vivemos para indicar este ponto de viragem?<\/p>\n<p>Estamos num momento fant\u00e1stico, e, ainda que tantas vozes digam constantemente que estamos em crise profunda, seja econ\u00f3mica, social ou pol\u00edtica, considero que estamos a caminhar para uma sociedade que busca mais o sentido da vida, que quer reflectir nas suas escolhas e est\u00e1 a perceber que as vis\u00f5es de competitividade, consumo e individualismo que marcaram as \u00faltimas d\u00e9cadas deixaram de fazer sentido e n\u00e3o nos levaram para um caminho que nos orgulhe.<\/p>\n<p>Est\u00e1 a aparecer nas ci\u00eancias sociais e humanas a preocupa\u00e7\u00e3o em investigar o que leva as pessoas a estar na sua excel\u00eancia, que procuram outras formas de ser sociedade, investir no voluntariado, criar mais espa\u00e7os de coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 sinais muito interessantes. Noto isso n\u00e3o apenas no trabalho na Universidade [Faculdade de Psicologia e de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o, da Universidade de Lisboa], com os alunos, que s\u00e3o para mim um bar\u00f3metro importante. H\u00e1 uma sede imensa de parar para pensar, reavivar os valores que de facto fazem sentido, deixar uma vis\u00e3o passiva, de consumidor de coisas com efeitos transit\u00f3rios nos n\u00edveis de bem-estar, para voltar ao essencial.<\/p>\n<p>E as rela\u00e7\u00f5es humanas s\u00e3o essenciais. Viver uma vida com prop\u00f3sito, comprometida, virada para o bem comum, \u00e9 o caminho que estamos a descobrir.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 poss\u00edvel falar de felicidade num momento social e econ\u00f3mico que Portugal est\u00e1 a atravessar? Este \u00e9 um tempo de oportunidades?<\/p>\n<p>Eu penso que sim, precisamente por estarmos num momento dif\u00edcil, temos que nos reencontrar.<\/p>\n<p>\u00c9 nos momentos menos bons, no confronto com alguns becos resultantes de escolhas que enquanto humanidade fomos fazendo, em quest\u00f5es t\u00e3o profundas e fortes como as injusti\u00e7as sociais que, quando paramos para definir o que queremos, percebemos que n\u00e3o estamos mais felizes, apesar de muito mais ricos. Estamos mais sozinhos. Precisamos voltar a apostar no valor colectivo, no que nos une, no amor, na criatividade, na generosidade, na gratid\u00e3o. Penso que isto est\u00e1 a surgir e \u00e9 precisamente pelo confronto com as crises que vamos mais longe.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma \u00e1rea de estudo que me apaixona na psicologia positiva, que \u00e9 o crescimento p\u00f3s-traum\u00e1tico, que se revela na sa\u00fade, na \u00e1rea econ\u00f3mica ou perante cat\u00e1strofes naturais. \u00c9 espantoso perceber que as pessoas que passaram por situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis conseguiram crescer, ou consideraram estar melhor enquanto seres humanos. O que encontramos \u00e9 uma resposta muito positiva. Pedimos por vezes aos alunos na Universidade que escrevam sobre a altura em que melhor estiveram na sua vida, em que sentiram mais orgulho em ser quem s\u00e3o, e, frequentemente, as respostas que temos ligam-se a alturas dif\u00edceis da vida. Isto \u00e9 generaliz\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nos momentos mais dif\u00edceis descobrimos que temos for\u00e7as extraordin\u00e1rias, virtudes de car\u00e1ter que nem sonh\u00e1vamos, capacidade para pensar e fazer de outra maneira. Penso que este \u00e9 o ponto de viragem em que nos encontramos e, por isso, est\u00e1 tudo em aberto.<\/p>\n<p>O caminho de felicidade treina-se, h\u00e1 uma pedagogia?<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas os cientistas come\u00e7aram a interessar-se por isto e t\u00eam estudado algumas pr\u00e1ticas de vida.<\/p>\n<p>Perceber o efeito que tem viver emo\u00e7\u00f5es positivas, a dieta emocional, ou seja, escolher diariamente a alegria, o aprender coisas novas, a express\u00e3o do amor e gratid\u00e3o, do sentido de humor.<\/p>\n<p>Existe uma linha de investiga\u00e7\u00e3o, com impacto mundial, conduzida por Barbara Fredrickson, que, em contexto laboratorial, tem mostrado claramente que, quando nos sentimos bem e a viver emo\u00e7\u00f5es positivas, vivemos em m\u00e9dia mais 10 anos do que as pessoas que se abatem e se frustram pela mais pequena coisa ou deixam a raiva crescer perante o des\u00e2nimo. Ao mesmo tempo que se valida o sofrimento &#8211; n\u00e3o se faz de conta que ele n\u00e3o existe &#8211; precisamos de sobrecompensar para sermos capazes de avan\u00e7ar como pessoas.<\/p>\n<p>A dieta emocional, o cuidar de coisas que nos fazem sentir bem, particularmente em momentos dif\u00edceis, ser capaz de acreditar em alternativas, procur\u00e1-las, cuidar do que o faz sentir bem no dia a dia, ser capaz de desenvolver e apostar nas emo\u00e7\u00f5es positivas di\u00e1rias, s\u00e3o pedagogias.<\/p>\n<p>Outra \u00e9 investir na nossa capacidade de focar o que funciona na nossa vida e na nossa sociedade. Fomos ensinados, at\u00e9 pela sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie, a estar mais sens\u00edvel ao mal do que ao bem. Tem, obviamente, uma fun\u00e7\u00e3o adaptativa importante, mas se ao mesmo tempo n\u00e3o notarmos o que h\u00e1 de funcional, saud\u00e1vel, belo e bom \u00e0 nossa volta, \u00e9 prov\u00e1vel que nos deprimamos, deixemos de acreditar na vida, sem vontade de levantar de manh\u00e3.<\/p>\n<p>Precisamos de treinar a nossa capacidade de ver que nas circunst\u00e2ncias dif\u00edceis, h\u00e1 coisas boas. H\u00e1 seres humanos que conseguem, perante vidas dific\u00edlimas, ser constantemente inspiradores de confian\u00e7a no futuro, de entusiasmo e desdramatiza\u00e7\u00e3o. O ser humano inspira-se mutuamente. Por isso precisa de mais modelos e holofotes sobre modelos e pessoas das nossas comunidades que fazem diferen\u00e7a, porque guiam o nosso olhar e a nossa vontade de sermos melhores pessoas. Sublinhar hist\u00f3rias de pessoas boas e de bem, de produtos e servi\u00e7os positivos que nos rodeiam, ajuda-nos a continuar a acreditar, a confiar e a ter esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>A positividade \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Creio que sim. Alguns estudos em Inglaterra e nos Estados Unidos da Am\u00e9rica v\u00e3o nessa linha e querem perceber se a felicidade ou o optimismo s\u00e3o coisas gen\u00e9ticas, das quais \u00e9 dif\u00edcil fugir, ou se s\u00e3o os acontecimentos de vida que determinam a forma como nos sentimos. Alguns indicadores apontam para resultados surpreendentes.<\/p>\n<p>Por exemplo: alguns dados indicam que cerca de 50% da nossa felicidade \u00e9 influenciada por tend\u00eancias gen\u00e9ticas. Mas apenas 10% do que nos acontece parece interferir com a satisfa\u00e7\u00e3o global da nossa vida. Quer dizer que temos 40% de escolha, de op\u00e7\u00e3o sobre que limonada fazer com os lim\u00f5es azedos que a vida me d\u00e1. H\u00e1 muitas pessoas que fazem limonadas extraordin\u00e1rias e conseguem encontrar formas de supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem no mundo tantos exemplos, \u00e0s vezes dentro das nossas casas, e n\u00e3o reparamos neles. Portanto, precisamos de conhecer-nos melhor no nosso melhor, na nossa excel\u00eancia. O fant\u00e1stico do meu trabalho \u00e9 perceber isso. Quando perguntamos a uma crian\u00e7a pobre que tem o pai preso por tr\u00e1fico de droga, ela consegue dizer o que a orgulha mais na sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Encontramos um potencial de trabalho bastante grande. \u00c9 necess\u00e1rio tomar consci\u00eancia das virtudes delas e faz\u00ea-las render. Isso \u00e9 outra pedagogia da felicidade.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os s\u00e3o pessoas tristes?<\/p>\n<p>Obviamente que temos o modelo do sofrimento e da morte de Cristo. A cruz est\u00e1 em todas as nossas igrejas e em muitas das nossas casas para nos lembrar e fazer acordar para a ideia de que o sofrimento faz parte da experi\u00eancia humana. Mas temos a leitura de ressurrei\u00e7\u00e3o e a possibilidade de perspectivar a vida humana numa vis\u00e3o constante de renova\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o a cada momento.<\/p>\n<p>Vivi nos EUA e, numa igreja cat\u00f3lica que conheci e frequentei, uma coisa que me impressionou, contrariamente \u00e0 minha experi\u00eancia num pa\u00eds latino \u00e9 que n\u00e3o havia imagens da morte e da crucifica\u00e7\u00e3o, apenas da ressurrei\u00e7\u00e3o. Os espa\u00e7os da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica eram de grande alegria. H\u00e1 muitas formas de viver o cristianismo e eu conhe\u00e7o muitos crist\u00e3os que s\u00e3o fonte de alegria permanente e, por ser crist\u00e3os, se agarram e usam a sua cren\u00e7a religiosa como um permanente motor para dar, por onde passam, um sinal de vida e n\u00e3o de morte.<\/p>\n<p>O sofrimento pode ser uma pedagogia para a felicidade?<\/p>\n<p>Para algumas pessoas, as experi\u00eancias de sofrimento podem ter sido momentos de viragem, mas n\u00e3o precisamos de passar pelo sofrimento para ser felizes. N\u00e3o precisamos que algo terr\u00edvel aconte\u00e7a para finalmente pensarmos na nossa exist\u00eancia, decidir o que \u00e9 essencial ou refazer o dia a dia e as escolhas.<\/p>\n<p>No cruzamento que fa\u00e7o entre a ci\u00eancia e a psicologia positiva, que partilho nas confer\u00eancias e palestras, \u00e9 que n\u00e3o precisamos do sofrimento para ser felizes. Muitos que j\u00e1 sofreram mostram que o sofrimento serve de alavanca, mas uma outra maneira de avan\u00e7ar como humanidade \u00e9 fazer crescer o bom, n\u00e3o necessariamente esperar que aconte\u00e7a o mal para nos transfigurarmos.<\/p>\n<p>O sofrimento \u00e9 parte da nossa exist\u00eancia, feliz ou infelizmente. A dor tem de fazer parte do nosso olhar, temos de estar preparados para lidar com ela da melhor forma. Mas fazer crescer uma rosa n\u00e3o \u00e9 o mesmo que limpar as ervas daninhas. Tirar as ervas daninhas n\u00e3o me d\u00e1 um jardim, eu tenho de plantar coisas belas.<\/p>\n<p>Precisamos de pensar no que queremos cultivar, que valores e pr\u00e1ticas de vida fazem sentido, que mensagem dou na fila do supermercado, ou numa fila de tr\u00e2nsito? Dou uma mensagem de querer estar \u00e0 frente ou de amor? At\u00e9 isto est\u00e1 a ser estudado pela psicologia positiva.<\/p>\n<p>H\u00e1 um tipo de medita\u00e7\u00e3o \u2013 a \u201cLoving-kindness Meditation\u201d \u2013 que implica convidar as pessoas a meditar nos actos de amor que fizeram ou receberam. Os estudos mostram um aumento das emo\u00e7\u00f5es positivas, do comportamento social, da aproxima\u00e7\u00e3o ao outro e uma transforma\u00e7\u00e3o pessoal. Coisas simples podem tornar-se grandes solu\u00e7\u00f5es se ensinarmos as crian\u00e7as a introduzir pr\u00e1ticas como esta nas suas vidas. Pode estar aqui uma nova janela sobre o futuro.<\/p>\n<p>Destacou que ultimamente se procura o sentido da vida. A espiritualidade pode ser um caminho para a felicidade?<\/p>\n<p>Sem d\u00favida. \u00c9 um dos caminhos. A espiritualidade pode ser ou n\u00e3o religiosidade. H\u00e1 muitas pessoas agn\u00f3sticas que s\u00e3o profundamente espirituais. A experi\u00eancia da busca de sentido, de perguntar o que quero fazer da minha vida, onde quero estar daqui a uns anos, coisas aparentemente simples mas dif\u00edceis &#8211; o que gostava de escrever numa carta antes de morrer, o que gostava de ter na minha l\u00e1pide &#8211; ajuda-nos a refletir melhor sobre a exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando paramos para pensar, em vez de passivos consumidores, percebemos que de facto \u00e9 pela espiritualidade, pela busca de sentido e pela compreens\u00e3o que n\u00e3o h\u00e1 felicidade virados para os umbigos individuais, mas apenas voltados para o bem comum, pode ser cuidando do planeta, ou de crian\u00e7as, ou fazendo algo onde me sinto a participar na constru\u00e7\u00e3o colectiva, sentir que sou activo na constru\u00e7\u00e3o da sociedade e o que eu fa\u00e7o entra num bolo maior, onde a minha contribui\u00e7\u00e3o conta, isto \u00e9 tamb\u00e9m uma cultura espiritual. H\u00e1 livros sobre o cultivo da espiritualidade no contexto das organiza\u00e7\u00f5es. Isto \u00e9 novo e at\u00e9 assustador para espa\u00e7os conservadores que consideravam que a espiritualidade se ligava apenas \u00e0 religi\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>E com a esfera privada&#8230;<\/p>\n<p>Precisamente. E est\u00e3o a entrar na ci\u00eancia e no colectivo. Tenho a sorte de poder falar sobre isto em empresas e onde me convidam e \u00e9 fant\u00e1stico porque faz muito sentido \u00e0s pessoas. Toca um ponto nevr\u00e1lgico, como se durante anos tiv\u00e9ssemos escondido recursos que envergonhavam, porque conotados com posicionamento filos\u00f3fico, moral ou religioso&#8230; Toda a pessoa, muito al\u00e9m do que acredita ou n\u00e3o, desde que tenha um percurso de vida transformador, j\u00e1 est\u00e1, a meu ver, a ser profundamente espiritual e a fazer a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>O dar-se e o sentimento de perten\u00e7a fomentam o caminho de felicidade?<\/p>\n<p>Sim, e nesse sentido uma vis\u00e3o de felicidade s\u00f3 com emo\u00e7\u00f5es positivas \u00e9 muito redutor. \u00c9 importante, mas o lado hed\u00f3nico da exist\u00eancia n\u00e3o chega. Da\u00ed que os actuais modelos de felicidade apontem para uma vida com compromisso, em algum projecto \u2013 seja a fam\u00edlia, o emprego, um \u201chobby\u201d, um projecto de voluntariado \u2013, onde se possa colocar em ac\u00e7\u00e3o o que se faz de melhor.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso precisamos de rela\u00e7\u00f5es positivas. N\u00e3o h\u00e1 felicidade na solid\u00e3o. Somos seres que precisam de afecto e reconhecimento do outro, do contacto f\u00edsico e do olhar \u2013 coisas das quais nos temos vindo a afastar.<\/p>\n<p>Precisamos de atingir metas, estabelecendo objectivos e caminhando para eles e a\u00ed, de novo, estamos a transformar-nos porque n\u00e3o s\u00e3o os objectivos materiais que est\u00e3o na linha da frente. \u00c9 nesta conjun\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios elementos que a ci\u00eancia diz que a felicidade \u00e9 pass\u00edvel de ser compreendida, ser medida. Hoje temos bases de dados que avaliam a felicidade das pessoas.<\/p>\n<p>Pedia-lhe tr\u00eas dicas para que os leitores possam viver melhor o dia de hoje&#8230;<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 reparar e escutar com aten\u00e7\u00e3o as not\u00edcias boas das pessoas \u00e0 nossa volta. Liguem uma antena especial \u00e0 procura de boas not\u00edcias e quando as ouvirem, respondam activamente, de forma construtiva. Parem, entusiasmem-se e pe\u00e7am detalhes sobre essa boa not\u00edcia. Aproveitem qualquer boa not\u00edcia, de qualquer pessoa \u00e0 vossa volta e ponham fermento, fa\u00e7am-na crescer.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 registar diariamente, pelo menos, tr\u00eas b\u00ean\u00e7\u00e3os do dia. Identificar e fazer um di\u00e1rio positivo dos acontecimentos do dia que fizeram sentir bem. S\u00e3o estrat\u00e9gias que a ci\u00eancia estuda e indica que podem aumentar a felicidade.<\/p>\n<p>Para terceira sugeria um investimento na gratid\u00e3o que \u00e9 uma \u00e1rea de grande potencial e com grandes efeitos cardiovasculares. Escolham uma pessoa a quem tenham algo a agradecer, escrevam uma carta e fa\u00e7am uma visita de gratid\u00e3o para ler a carta. \u00c9 estranhamente dif\u00edcil. \u00c9 muito f\u00e1cil olhar nos olhos e criticar mas t\u00e3o dif\u00edcil olhar nos olhos e dizer tudo o que temos para agradecer. Est\u00e1 na altura de mudar esta cultura e tornar mais f\u00e1cil dizer o bom e menos o mal.<\/p>\n<p>Eu acrescentava uma quarta: arranjem ped\u00f3metros, contadores de passos, e passem a fazer 10 mil passos di\u00e1rios se quiserem ter sa\u00fade f\u00edsica, pois n\u00e3o h\u00e1 felicidade sem um corpo cuidado, 13 mil passos di\u00e1rios se quiserem perder peso, mas assegurem-se que diariamente fazem, no m\u00ednimo acima de cinco mil passos. Muita investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mostra que abaixo dos cinco mil passos, o risco cardiovascular \u00e9 elevad\u00edssimo e uma boa forma de saber se estamos em risco \u00e9 atrav\u00e9s de um contador de passos.<\/p>\n<p>Ter como meta cuidar da nossa sa\u00fade e mudar de uma sociedade inactiva para formas de ac\u00e7\u00e3o generosas, de rela\u00e7\u00f5es positivas e de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m formas de promover a felicidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A felicidade pode ser uma op\u00e7\u00e3o e uma pedagogia, mesmo em tempo de crise. Quem o explica \u00e9 Helena Marujo, psic\u00f3loga e especialista em psicologia positiva, que sugere formas de caminhar para a felicidade e deixa dicas para tornar os dias mais positivos. Entrevista conduzida por L\u00edgia Silveira, da Ag\u00eancia Ecclesia. 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