{"id":17854,"date":"2011-01-05T15:19:00","date_gmt":"2011-01-05T15:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17854"},"modified":"2011-01-05T15:19:00","modified_gmt":"2011-01-05T15:19:00","slug":"o-caloiro-mestre-do-mestre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-caloiro-mestre-do-mestre\/","title":{"rendered":"O caloiro mestre do mestre"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Mais coisa menos coisa, Jesus foi baptizado aos trinta anos por S. Jo\u00e3o (\u00abo baptista\u00bb). Como um caloiro ao entrar no novo campo do seu projecto de vida, submeteu-se a um rito de inicia\u00e7\u00e3o: sem passar por este, o novo membro n\u00e3o \u00e9 aceite nem se reconhece na comunidade em que se pretende inserir.<\/p>\n<p>Ao longo da vida, todos n\u00f3s recebemos um ou mais \u00abbaptismos de fogo\u00bb: s\u00e3o a prova da coragem e aptid\u00e3o para levar \u00e0 frente, com livre assentimento, aquilo para que nos sentimos e fomos chamados. Mas h\u00e1 frequentemente s\u00fabitas mudan\u00e7as de rumo, e de novo temos que nos p\u00f4r \u00e0 prova. S\u00f3 assim podemos acabar os nossos dias com a consci\u00eancia de termos feito o nosso melhor para cumprir o projecto, nascido ou n\u00e3o de uma esp\u00e9cie de chamamento transcendente.<\/p>\n<p>Se vasculharmos a vida das pessoas que sobressa\u00edram na hist\u00f3ria do Bem, encontraremos quase sempre um momento particularmente significativo \u2013 verdadeiros baptismos, que marcaram o in\u00edcio de uma actividade mais comprometida na \u00abvinha de Deus\u00bb.<\/p>\n<p>Mas a vida est\u00e1 cheia de baptismos menos solenes mas n\u00e3o menos eficazes: uma nova amizade, uma viagem, um novo amor, golpes de sofrimento&#8230; podem marcar a procura e descoberta de novas respostas e compromissos. <\/p>\n<p>Jesus insistiu em receber \u00abo baptismo de Jo\u00e3o\u00bb, que era um acto de arrependimento e de convers\u00e3o, apesar da reac\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Baptista, que afirmava ser ele quem devia ser baptizado por Jesus. Entrando nesse esquema, Jesus come\u00e7ou a cumprir a estranha voca\u00e7\u00e3o do \u00abservo de Jav\u00e9\u00bb: Na verdade, ele \u2013 o servo de Jav\u00e9 \u2013sofreu o resultado dos nossos crimes (Isa\u00edas 53, 4-5). E assim como Deus glorificou este \u00abservo\u00bb, tamb\u00e9m dotou Jesus do seu \u00abesp\u00edrito\u00bb (sopro divino que tudo renova), dando-lhe o estatuto de \u00abo filho muito amado\u00bb. <\/p>\n<p>Mas para isso teve que se misturar com o povo que pretendia servir. \u00c0 sua semelhan\u00e7a, na medida em que pretendemos servir os outros, todas as nossas experi\u00eancias nos levar\u00e3o a conhecer por dentro e viver os problemas \u00e0 nossa volta.<\/p>\n<p>(O primeiro dos quatro poemas do \u00abservo de Jav\u00e9\u00bb aparece na 1.\u00aa leitura: \u00e9 uma figura misteriosa, dif\u00edcil de identificar. O autor destes cantos n\u00e3o \u00e9 o profeta Isa\u00edas (que viveu no s\u00e9c. VIII antes de Cristo), mas algum seu disc\u00edpulo espiritual, muito mais recente (do s\u00e9culo VI, aproximadamente). Surgiu assim \u00abO Livro da Consola\u00e7\u00e3o\u00bb (cap\u00edtulos 40-55), em que o tema dominante \u00e9 Deus como salvador).<\/p>\n<p>Quantos pol\u00edticos, directores de empresas, altos dignit\u00e1rios religiosos, professores universit\u00e1rios&#8230; saber\u00e3o reconhecer, como Jo\u00e3o Baptista, os dons superiores de algu\u00e9m que venha ter com eles? Quantos ser\u00e3o capazes de ajudar os outros a multiplicar os talentos, sobretudo quando isso implica deixar para eles o primeiro plano? <\/p>\n<p>Na 2.\u00aa leitura, S. Pedro, o chefe dos ap\u00f3stolos, reconhece o erro do preconceito relativamente a crist\u00e3os n\u00e3o judeus, pois verifica como Deus d\u00e1 o seu Esp\u00edrito \u00absem acep\u00e7\u00e3o de pessoas\u00bb, e em qualquer na\u00e7\u00e3o. Precisou desta medita\u00e7\u00e3o, para entrar na casa do \u00abpag\u00e3o\u00bb Corn\u00e9lio (mas l\u00e1 teve que se justificar perante muitos crist\u00e3os de vistas estreitas&#8230;).<\/p>\n<p>E de novo entra em palco, como figura principal, a justi\u00e7a.<\/p>\n<p>A justi\u00e7a que \u00abn\u00e3o apaga a torcida que ainda fumega\u00bb, mas que se procura impor \u00absem desfalecer nem desistir\u00bb (1.\u00aa leitura). A justi\u00e7a que devemos tornar presente no mundo, se queremos agradar a Deus (2.\u00aa leitura). A justi\u00e7a, enfim, que \u00e9 o pr\u00f3prio plano de Deus a realizar dentro dos condicionalismos hist\u00f3ricos (evangelho), suportando os revezes com a coragem de quem colabora com Deus.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se passava no tempo de Jesus, hoje em dia \u00e9 mais tradicional o baptismo infantil: acaba por ser um rito social e religioso, em que os verdadeiros comprometidos s\u00e3o os pais, os padrinhos, e toda a comunidade envolvente.<\/p>\n<p>\u00c9 nesta comunidade que, particularmente nos momentos dif\u00edceis, de grande sofrimento ou como quando a morte se parece anunciar, dever\u00edamos encontrar o \u00abesp\u00edrito\u00bb de for\u00e7a e de amor para caminhar juntos no misterioso projecto da vida.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-17854","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17854\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}