{"id":17894,"date":"2011-08-31T10:35:00","date_gmt":"2011-08-31T10:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17894"},"modified":"2011-08-31T10:35:00","modified_gmt":"2011-08-31T10:35:00","slug":"boneca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/boneca\/","title":{"rendered":"Boneca"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 92 <!--more--> Hoje em dia faltam, na Igreja e fora dela, palavras am\u00e1veis. Falamos das pessoas em termos cr\u00edticos e dirigimo-nos a elas como se cada uma tivesse culpa por a vida nos correr mal. Os casais n\u00e3o trocam gestos de carinho e delicadeza. Os espanh\u00f3is chamam, e muito bem, \u201cdetalles que tuviste conmigo\u201d. Os detalhes. Se damos uma rosa a pessoa responde: \u201cQue detalle!!!\u201d Sempre achei que a l\u00edngua castelhana exprime, como nenhuma, os aspectos mais delicados do sentir humano e, no campo m\u00edstico, supera a todas.<\/p>\n<p>No Brasil, quando se tratam bem, pois isso de nos tratarmos mal \u00e9 universal, as pessoas chamam \u00e0s outras j\u00f3ia, boneca\u2026 Em Portugal soa estranho, como a antiga confus\u00e3o entre o tu e o voc\u00ea, quando come\u00e7aram as novelas brasileiras. Eu tenho esse h\u00e1bito e j\u00e1 me dei mal. Mas, n\u00e3o o perdi, nem o perco. Na Igreja, ou\u00e7o sempre que \u00e9 preciso acolher. Mas na hora de uma pessoa se dirigir ao cart\u00f3rio, muitas vezes sai de l\u00e1 t\u00e3o humilhada como se tivesse cometido um crime.<\/p>\n<p>Isto de acolher exige da parte de quem serve, na Igreja, desprendimento, valoriza\u00e7\u00e3o da pessoa acima das leis humanas que a Igreja tem, por fun\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica claro, mas que por vezes velem mais que o bem-estar de uma pessoa. Claro que o nosso mundo \u00e9 insatisfeito. Por vezes, os casamentos, baptizados e funerais s\u00e3o ocasi\u00f5es para espect\u00e1culo. E querem que o padre seja  marionete dos caprichos e exibicionismos. A Igreja tem a\u00ed um longo caminho a percorrer\u2026 Mas n\u00e3o podemos, em fun\u00e7\u00e3o disto, meter todos no mesmo saco. Sobretudo o padre, mais que pastor, tem de aprender a ser pai. A freira deveria aprender a ser m\u00e3e. Quanta frieza das religiosas nos hospitais, escolas, para com os animais. Conhecemos hist\u00f3rias e j\u00e1 as experimentamos. O mesmo acontece com leigos que est\u00e3o \u00e0 frente de minist\u00e9rios e servi\u00e7os paroquiais, para quem o cargo parece ser poder e os outros apenas servidores, quando o cargo deveria ser s\u00f3 puro servi\u00e7o. Aqui a Igreja tem um caminho mais longo a percorrer.<\/p>\n<p>Isto tudo para dizer que trato os meus velhinhos do Lar por \u201cj\u00f3ias\u201d e \u201cbonecos\u201d. Ao ver uma velhinha, digo-lhe: \u201cOl\u00e1, Boneca!\u201d Ela, \u00e0 boa maneira portuguesa, que s\u00f3 v\u00ea o mal de cada coisa, responde-me: \u201cAi, Boneca\u2026 aonde isso j\u00e1 l\u00e1 vai\u201d. E eu digo sempre: \u201cToda a mulher ser\u00e1 sempre uma boneca linda\u201d. Tomei nota disso atrav\u00e9s de uma freira. A Irm\u00e3 Let\u00edcia, j\u00e1 falecida de cancro, no M\u00e9xico. Veio colaborar na funda\u00e7\u00e3o da casa das Misson\u00e1rias Marianas de Nossa Senhora de Guadalupe, em Ouca, Vagos. Sempre alegre, dizia-me que \u201ctoda a mulher \u00e9 boneca para Deus\u201d. E deixou-me como presente esta poesia, antes de morrer, que eu vos ofere\u00e7o, a ti mulher s\u00f3, abandonada, que te consideras velha, in\u00fatil, feia, gorda\u2026 ou simplesmente feliz. Casada, vi\u00fava, freira, solteira, divorciada\u2026 L\u00ea. Uma mulher idosa e feliz na dor da sua doen\u00e7a declamava isto a toda a mulher triste que se aproximava dela:<\/p>\n<p> Quando te dizem: Amo-te!<\/p>\n<p> Pelos teus olhos de Luzeiro<\/p>\n<p>Pela tua boca de mel.<\/p>\n<p>Quando te gritam: Formosa<\/p>\n<p>Pelas bochechas de rosa<\/p>\n<p>E pelos l\u00e1bios de C\u00e9u.<\/p>\n<p>Pensa que as coisas boas,<\/p>\n<p>Mel, c\u00e9u e rosas&#8230;<\/p>\n<p>S\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p>Que a vida, amor e formosura<\/p>\n<p>S\u00e3o dons da Sua ternura<\/p>\n<p>Que Ele te d\u00e1 como Luz!<\/p>\n<p>E, quando chegar o dia <\/p>\n<p>No qual ningu\u00e9m te sorri<\/p>\n<p>Porque envelhecestes\u2026.<\/p>\n<p>Ele continuar\u00e1 a ser fiel!<\/p>\n<p>E, ao deixares de ser boneca,<\/p>\n<p>J\u00e1 com a bochecha seca<\/p>\n<p>E cheia de rugas a tua pele\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o troques o riso pela tristeza.<\/p>\n<p>Nem as tuas do\u00e7uras por fel<\/p>\n<p>Pois continuar\u00e1s a ser boneca <\/p>\n<p>Para Ele!<\/p>\n<p>E Ele, que te amou sem medida,<\/p>\n<p>Bonequinha dolorida<\/p>\n<p>Ele que por ti deu a vida<\/p>\n<p>N\u00e3o te esquece nem te deixa,<\/p>\n<p>Como este mundo cruel!<\/p>\n<p>Tu ver\u00e1s, ainda que n\u00e3o queiras<\/p>\n<p>&#8211; pelo menos quando morreres &#8211;<\/p>\n<p>Que quem te amou de verdade<\/p>\n<p>Nesta vida e mais al\u00e9m\u2026 Foi s\u00f3 Ele!<\/p>\n<p>P.e Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 92<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-17894","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17894"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17894\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}