{"id":17965,"date":"2011-08-31T11:12:00","date_gmt":"2011-08-31T11:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17965"},"modified":"2011-08-31T11:12:00","modified_gmt":"2011-08-31T11:12:00","slug":"livres-ou-facciosos-e-intolerantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/livres-ou-facciosos-e-intolerantes\/","title":{"rendered":"Livres ou facciosos e intolerantes?"},"content":{"rendered":"<p>Compreende-se que alguns acontecimentos da Igreja, e a pr\u00f3pria Igreja, em si mesma, provoquem inc\u00f3modos aos laicos ateus e a \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que andam por esses caminhos. Quem quiser viver como cidad\u00e3o livre num pa\u00eds democr\u00e1tico tem de fazer um esfor\u00e7o pessoal que lhe permita uma coabita\u00e7\u00e3o respeitadora e pac\u00edfica, incompat\u00edvel com facciosismos e intoler\u00e2ncias. Trata-se de uma exig\u00eancia de bom senso e de lucidez, que o agir de alguns  contraria a cada passo.<\/p>\n<p>F\u00e1tima incomoda, as jornadas mundiais de juventude incomodam, as centenas de jovens volunt\u00e1rios que d\u00e3o as suas f\u00e9rias \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de pa\u00edses com reduzidos meios de desenvolvimento incomodam, as institui\u00e7\u00f5es privadas de solidariedade social, que se desdobram, gratuitamente, na ajuda aos mais carenciados incomodam, a coragem do Papa ao denunciar os malef\u00edcios do relativismo intelectual e moral e ao apontar aos jovens caminhos de liberta\u00e7\u00e3o interior incomoda\u2026 Mas tudo isto, porqu\u00ea? Ser\u00e1 que as ideologias, quaisquer que elas sejam, t\u00eam mais import\u00e2ncia que as pessoas? Ser\u00e1 que a express\u00e3o livre da f\u00e9, traduzida em gestos comunit\u00e1rios e pessoais de amor fraterno e solid\u00e1rio, inquina o ambiente social? Ser\u00e1 que a uniformidade nas ideias e nos comportamentos \u00e9 mais rica que a liberdade de cada um se afirmar e tra\u00e7ar o seu caminho? Ser\u00e1 que os jovens que arrasam tudo e se destroem a si mesmos e, voluntariamente, se excluem da conviv\u00eancia familiar e social e de comportamentos normais, merecem mais considera\u00e7\u00e3o do que aqueles que t\u00eam um sentido na vida e procuram uma participa\u00e7\u00e3o na sociedade e uma conviv\u00eancia respeitosa e construtiva de bem? Ser\u00e1 que as mentiras, por mais evidentes, nunca desmentidas, s\u00e3o mais \u00fateis \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o da sociedade, do que o reconhecimento humilde dos erros a superar e o dar as m\u00e3os aos ca\u00eddos da vida, quando neles restam ainda alguns lampejos de esperan\u00e7a?<\/p>\n<p>Aceito que haja quem n\u00e3o goste de Deus, quem negue a Jesus Cristo a sua divindade, quem teime em ver a Igreja do s\u00e9culo XXI \u00e0 luz de alguns desvios e erros de s\u00e9culos passados, e, at\u00e9, quem insista na afirma\u00e7\u00e3o, velha e caduca, que diz que \u201cDeus morreu\u201d. N\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, de aceitar, pacificamente, que se negue a quem pensa de modo diferente, o direito de viver segundo as suas leg\u00edtimas convic\u00e7\u00f5es, e de opinar, publicamente, no mesmo sentido. O que diverge, quem quer que ele seja, por si mesmo, n\u00e3o \u00e9 um inimigo a abater. Os que negam, atacam e n\u00e3o respeitam as opini\u00f5es dos outros e de todos, s\u00e3o sempre os mais dogm\u00e1ticos e intransigentes na afirma\u00e7\u00e3o e imposi\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria opini\u00e3o, como se fosse a \u00fanica verdade aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 cada vez mais clara a verifica\u00e7\u00e3o de que o mal que envenena as rela\u00e7\u00f5es pessoais e sociais \u00e9 fruto da falta de cultura. \u00c0 teimosia nos preconceitos que geram facciosismo e n\u00e3o permitem sequer ver as consequ\u00eancias da intoler\u00e2ncia e da falta de respeito pelos outros, tamb\u00e9m se lhe poder\u00e1 chamar, no m\u00ednimo, falta de educa\u00e7\u00e3o e de civismo.<\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica, na sua vertente humana, n\u00e3o fez sempre tudo bem ao longo da sua hist\u00f3ria. Ela continua com defeitos, os dos seus membros, e sofrer\u00e1 sempre pelas suas limita\u00e7\u00f5es. Preveniu-a desta realidade o seu Fundador, marcando-lhe um rumo de procurada coer\u00eancia e de testemunho intr\u00e9pido da verdade do Evangelho. O Vaticano II assumiu que a Igreja santa, continuar\u00e1 sempre necessitada de purifica\u00e7\u00e3o. E a liturgia recomenda que, tanto os membros da hierarquia, como os fi\u00e9is, cada dia se proclamem pecadores, frente a Deus e aos irm\u00e3os, sempre abertos \u00e0 miseric\u00f3rdia de um Deus que \u00e9 Pai, a quem mais apraz perdoar e estimular nos caminhos do bem, que castigar ou condenar. N\u00e3o obstante esta realidade, a hist\u00f3ria da Igreja, ao longo de vinte s\u00e9culos, \u00e9 mais a hist\u00f3ria viva de quem n\u00e3o perdeu o rumo e deixou marcas de bem em todos os tempos e lugares, como a institui\u00e7\u00e3o que mais humanizou, reconciliou e abriu caminhos de progresso e de paz.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso fazer profiss\u00e3o de f\u00e9 crist\u00e3 para verificar que assim foi e assim \u00e9. Basta ler a hist\u00f3ria, sem preconceitos e com a preocupa\u00e7\u00e3o honesta de uma leitura correcta, para se ir descobrindo, mesmo nos desvios lament\u00e1veis, o sentido e a luta pela verdade e pelas pessoas. Certamente que esta leitura n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer-se com o cora\u00e7\u00e3o e a intelig\u00eancia dominados por intoler\u00e2ncias e por \u00f3dios de estima\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os olhos tortos, que entortam as coisas direitas.  <\/p>\n<p>No mais profundo de cada pessoa humana, independentemente da religi\u00e3o ou n\u00e3o religi\u00e3o, h\u00e1 sempre um cora\u00e7\u00e3o que quer o bem e uma intelig\u00eancia \u00e1vida de verdade. Quem for capaz de dar voz a este irreprim\u00edvel desejo interior experimentar\u00e1 a verdadeira liberdade e a alegria da possibilidade de uma conviv\u00eancia sadia com todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compreende-se que alguns acontecimentos da Igreja, e a pr\u00f3pria Igreja, em si mesma, provoquem inc\u00f3modos aos laicos ateus e a \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que andam por esses caminhos. Quem quiser viver como cidad\u00e3o livre num pa\u00eds democr\u00e1tico tem de fazer um esfor\u00e7o pessoal que lhe permita uma coabita\u00e7\u00e3o respeitadora e pac\u00edfica, incompat\u00edvel com facciosismos e intoler\u00e2ncias. 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