{"id":17967,"date":"2011-09-07T09:40:00","date_gmt":"2011-09-07T09:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17967"},"modified":"2011-09-07T09:40:00","modified_gmt":"2011-09-07T09:40:00","slug":"os-jovens-gostaram-de-ouvir-o-papa-dizer-vivemos-juntos-esta-aventura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-jovens-gostaram-de-ouvir-o-papa-dizer-vivemos-juntos-esta-aventura\/","title":{"rendered":"Os jovens gostaram de ouvir o Papa dizer: &#8220;Vivemos juntos esta aventura&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Ondina Matos, natural de Esgueira, \u00e9 enfermeira e professora convidada na ESSUA (Escola Superior de Sa\u00fade da Universidade de Aveiro). Desde h\u00e1 um ano \u00e0 frente da pastoral juvenil da Diocese, fala dos efeitos positivos da participa\u00e7\u00e3o dos jovens de Aveiro no encontro mundial com o Papa, em Madrid, e faz um balan\u00e7o do seu trabalho, apontando como desejo a cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o para jovens \u201conde se promova o sentido de Igreja afectiva, que acolhe, escuta e ajuda a crescer e a fazer op\u00e7\u00f5es\u201d. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; O SDPJV (Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil e Vocacional) optou por participar na JMJ (Jornada Mundial da Juventude) com uns dias de pr\u00e9-jornadas em C\u00f3rdoba, numa clara inten\u00e7\u00e3o de envolver mais os jovens e fazer deste evento um encontro transformador. Valeu a pena esta modalidade? Os objectivos foram alcan\u00e7ados?<\/p>\n<p>ONDINA MATOS &#8211; A possibilidade de pr\u00e9-jornadas surgiu a partir das JMJ de Paris, em 1997, e entendemo-la como uma mais-valia na viv\u00eancia das JMJ. Os 243 jovens inscritos pelo SDPJV viveram de 11 a 15 de Agosto na Diocese de C\u00f3rdoba, acolhidos nas Par\u00f3quias da Trindade, Assun\u00e7\u00e3o, Carmen, Almedinilla e Carcabuey, no Arciprestado de Priego. Estes foram os dias da proximidade, da partilha, do interc\u00e2mbio cultural. O grupo de Aveiro solidificou o esp\u00edrito de grupo diocesano, experimentou a viv\u00eancia de Igreja num contexto cultural diferente e viveu o acolhimento das fam\u00edlias e volunt\u00e1rios que nos receberam, num ambiente muito mais restrito do que o grande anonimato dos dias em Madrid. Estas s\u00e3o as grandes vantagens dos dias de pr\u00e9-jornadas.<\/p>\n<p>Tendo participado mais 300 jovens da Diocese de Aveiro \u2013 os que foram com o Secretariado mais os que se integraram em movimentos apost\u00f3licos \u2013,  espera algum efeito na pastoral juvenil diocesana ou fica tudo encerrado na vida de cada jovem e de cada grupo paroquial de jovens (o que j\u00e1 n\u00e3o pouco)?<\/p>\n<p>Como coloc\u00e1mos no t\u00edtulo da not\u00edcia do nosso regresso, \u201cUma jornada desponta \u00e0 chegada\u201d. Aquilo que cada um viveu nestas JMJ teve muito de viv\u00eancia de grupo, mas seguramente teve muito de experi\u00eancia pessoal de Jesus Cristo para cada um dos participantes, nas eucaristias que celebr\u00e1mos, nas prociss\u00f5es em que particip\u00e1mos, nos testemunhos partilhados ou em cada ora\u00e7\u00e3o da noite que fizemos no \u201cnosso\u201d pavilh\u00e3o em Madrid. Seguramente nas suas vidas a experi\u00eancia ficar\u00e1 marcada, mas esperamos mais. Enraizarmo-nos em Cristo era o objectivo e isso concretiza-se no compromisso paroquial, diocesano e social. No entanto, os animadores assumem um papel fundamental para ajudar a firmar aquilo que cada um experimentou. O SDPJV vai promover, a 16 de Outubro, um reencontro para todos os participantes nestas JMJ, assumindo tamb\u00e9m este papel de est\u00edmulo ao compromisso eclesial.<\/p>\n<p>O Papa deixou aos jovens muitos apelos. Qual o que teve mais acolhimento ou foi mais comentado no grupo de Aveiro?<\/p>\n<p>O mau tempo que se abateu sobre Cuatro Vientos durante a vig\u00edlia com o Santo Padre foi um momento especialmente duro nestas jornadas. O Papa n\u00e3o abandonou a vig\u00edlia e, no final, agradeceu aos jovens a sua resist\u00eancia, mais forte que a chuva e afirmou: \u201cVivemos juntos esta aventura\u201d. Estas foram as palavras mais comentadas pelos jovens, para al\u00e9m do apelo ao di\u00e1logo pessoal com Cristo e ao testemunho da alegria de ser crist\u00e3o, que o Papa dirigiu aos jovens em l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima JMJ ser\u00e1 no Rio de Janeiro, j\u00e1 em 2013. O SDPJV vai promover a participa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>2013 ser\u00e1 um ano grande de festa e de desafios. A nossa Diocese estar\u00e1 a celebrar a alegria dos 75 anos da sua restaura\u00e7\u00e3o e o Papa convida os jovens a celebrar a alegria de ser crist\u00e3o no Brasil. O SDPJV vai naturalmente promover a participa\u00e7\u00e3o nessas JMJ, conscientes do peso econ\u00f3mico que elas ter\u00e3o para os jovens. Ser\u00e1 necess\u00e1rio um envolvimento muito maior das comunidades paroquiais e uma motiva\u00e7\u00e3o acrescida do clero de Aveiro para possibilitar ao maior n\u00famero poss\u00edvel de jovens a participa\u00e7\u00e3o neste encontro, respondendo ao lema escolhido, do Evangelho de S. Mateus, \u201cIde e fazei disc\u00edpulos de todos os povos\u201d.<\/p>\n<p>Que balan\u00e7o faz do seu primeiro ano \u00e0 frente de um secretariado diocesano, tanto mais que \u00e9 a primeira mulher e leiga a dirigir uma pastoral juvenil diocesana? <\/p>\n<p>O balan\u00e7o deste primeiro ano como directora do SDPJV \u00e9 bastante positivo, na avalia\u00e7\u00e3o j\u00e1 feita, n\u00e3o s\u00f3 por mim mas tamb\u00e9m pela equipa de coordena\u00e7\u00e3o deste secretariado, tendo em conta os objectivos tra\u00e7ados. Apesar de fazer parte da equipa coordenadora h\u00e1 seis anos, assumir a responsabilidade de directora \u00e9 substancialmente diferente e um enorme desafio. Nas estruturas nacionais e diocesanas onde represento este servi\u00e7o n\u00e3o me sinto em nada diminu\u00edda pelo facto de ser mulher e leiga, apesar de sentir por vezes alguma estranheza e retic\u00eancia nos primeiros contactos. A n\u00edvel pessoal, as dificuldades t\u00eam sobretudo a ver com a necessidade de coordenar esta miss\u00e3o com o compromisso laboral como enfermeira e docente. Senti necessidade, por exemplo, de passar mais pelas reuni\u00f5es arciprestais do clero, mas a concilia\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rios dificulta este objectivo. Ser mulher e leiga pode abrir perspectivas novas \u00e0 Igreja, num caminho cada vez mais alargado, abrangente e de compromisso eclesial, numa Igreja menos hier\u00e1rquica e mais de comunh\u00e3o. <\/p>\n<p>Quais os grandes projectos e linhas de ac\u00e7\u00e3o para 20011-12?<\/p>\n<p>Estamos ainda numa fase de reestrutura\u00e7\u00e3o da equipa e de programa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica dos objectivos para este ano, devido \u00e0 grande actividade de Agosto, as JMJ. No entanto, parece-nos importante manter um dos objectivos deste ano de promo\u00e7\u00e3o de uma ac\u00e7\u00e3o pastoral de proximidade, este ano com uma aten\u00e7\u00e3o espec\u00edfica \u00e0s equipas arciprestais de pastoral juvenil e vocacional. Temos equipas que come\u00e7aram este ano, outras a quererem iniciar neste novo ano, outras a precisarem de serem revitalizadas e arciprestados onde ainda n\u00e3o existem. Cada uma destas equipas precisa do acompanhamento permanente, consistente e motivador de um sacerdote assistente, em plena sintonia com a pastoral juvenil diocesana, o que nem sempre tem sido f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Concretizar a 4.\u00aa etapa do plano pastoral diocesano ser\u00e1 outro dos grandes objectivos, perspectivando os jovens em contexto familiar. Este ser\u00e1 tamb\u00e9m um ano para repensar a pastoral vocacional, atrav\u00e9s do seu sector espec\u00edfico. Termin\u00e1mos, este ano, a passagem do F\u00f3rum Voca\u00e7\u00e3o e Voca\u00e7\u00f5es + por todos os arciprestados. \u00c9 altura de encontrar caminhos novos. <\/p>\n<p>Pensamos ainda em algumas altera\u00e7\u00f5es nas propostas formativas para os animadores diocesanos. O perfil do animador est\u00e1 a mudar, aparecendo gente mais nova a assumir este servi\u00e7o e as respostas precisam de ser ajustadas \u00e0 leitura que vamos fazendo desta realidade.<\/p>\n<p>Ser jovem e cat\u00f3lico, nos dias que correm, \u00e9 uma conjuga\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel ou tem viabilidade?<\/p>\n<p>Se fosse uma conjuga\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel n\u00e3o faria qualquer sentido a miss\u00e3o que assumi \u00e0 frente do SDPJV. Ser jovem e cat\u00f3lico \u00e9 desafiante, mas absolutamente poss\u00edvel. N\u00e3o podemos querer criar a sociedade ideal onde o jovem tenha as condi\u00e7\u00f5es ideias para ser cat\u00f3lico. As propostas juvenis em Igreja t\u00eam, isso sim, que ir ao encontro dos sinais dos tempos, possibilitando aos jovens a experi\u00eancia de serem cat\u00f3licos na vida de todos os dias. As estruturas paroquiais, diocesanas e nacionais t\u00eam que fazer apostas claras na pastoral juvenil, para impregnar a Igreja da vitalidade que os jovens podem trazer.<\/p>\n<p>O Secretariado tem apontado a necessidade de um espa\u00e7o de acolhimento juvenil e vocacional. Continua a ser um objectivo?<\/p>\n<p>Penso que \u00e9 uma das propostas que poderia encarnar na realidade juvenil. Faz falta um espa\u00e7o onde a Igreja se encontre cara-a-cara com cada jovem. Um espa\u00e7o onde se promova o sentido de Igreja afectiva, que acolhe, escuta e ajuda a crescer e a fazer op\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s de pessoas concretas que s\u00e3o elas pr\u00f3prias testemunho vivo de Jesus Cristo, um espa\u00e7o que os jovens sintam como a \u201csua casa\u201d. Seria uma mais-valia para a diocese encontrar este espa\u00e7o, onde pud\u00e9ssemos fazer crescer este sentido de perten\u00e7a.<\/p>\n<p>Nota-se esfor\u00e7o na promo\u00e7\u00e3o do Conselho Diocesano de Pastoral Juvenil e Vocacional. Passa por a\u00ed a coordena\u00e7\u00e3o do trabalho da Igreja em favor dos jovens?<\/p>\n<p>Este \u00e9 por excel\u00eancia o espa\u00e7o de representatividade de todos os grupos, movimentos e servi\u00e7os que na diocese trabalham com jovens. No f\u00f3rum nacional das voca\u00e7\u00f5es do ano passado falou-se muito de uma \u201cpastoral de conjunto\u201d. Este conselho pode e deve ser o ponto de partida para que esta ideia se concretize. Penso que ainda temos um longo caminho a percorrer. Esta representa\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 assumida com o valor que lhe deveria estar subjacente. Os conselheiros, nomeados pelos grupos, movimentos e servi\u00e7os, nem sempre t\u00eam esta consci\u00eancia do conjunto e da import\u00e2ncia de nos reunirmos tr\u00eas vezes por ano para perspectivarmos os caminhos da pastoral juvenil e vocacional com os contributos de todos.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ondina Matos, natural de Esgueira, \u00e9 enfermeira e professora convidada na ESSUA (Escola Superior de Sa\u00fade da Universidade de Aveiro). 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