{"id":17990,"date":"2011-09-14T10:20:00","date_gmt":"2011-09-14T10:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17990"},"modified":"2011-09-14T10:20:00","modified_gmt":"2011-09-14T10:20:00","slug":"notas-para-a-historia-de-s-jacinto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/notas-para-a-historia-de-s-jacinto\/","title":{"rendered":"Notas para a hist\u00f3ria de S. Jacinto"},"content":{"rendered":"<p>A pesca da x\u00e1vega, a avia\u00e7\u00e3o naval e os estaleiros navais foram os tr\u00eas factores que marcaram profundamente o povoamento e o desenvolvimento social e econ\u00f3mico de S\u00e3o Jacinto.<\/p>\n<p>No pr\u00ednc\u00edpio era a x\u00e1vega<\/p>\n<p>Com mais de cinco s\u00e9culos de hist\u00f3ria, a pesca da x\u00e1vega poder\u00e1 ter estado na origem do primitivo povoado, desenvolvido em torno da secular Capela de Nossa Senhora das Areias (actual Igreja Matriz), que remonta ao s\u00e9culo XVII, ainda que haja refer\u00eancias hist\u00f3ricas que aventem a hip\u00f3tese de ter existido um templo naqueles areais, no s\u00e9culo XV, e um cruzeiro no ano de 1584.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a abertura do canal da barra, em 1808, algumas companhas da pesca da x\u00e1vega que operavam em S. Jacinto e terras a norte mudaram-se para o sul do canal da barra, dando origem \u00e0 Costa Nova do Prado. Nessa altura, eram mais de cinco as companhas que operavam na costa de S. Jacinto, actividade que envolvia cerca de duas centenas de pessoas.           <\/p>\n<p>Actualmente, os pescadores de S. Jacinto j\u00e1 n\u00e3o se dedicam \u00e0 pesca da x\u00e1vega.<\/p>\n<p>Da Avia\u00e7\u00e3o Naval aos p\u00e1ra-quedistas<\/p>\n<p>Em Janeiro de 1918, em S. Jacinto, come\u00e7ou a ser instalado um dos tr\u00eas centros (bases) que a Avia\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima tinha previsto criar em Portugal (os outros dois eram em Lisboa e Faro). Em Abril desse ano chegaram as primeiras aeronaves (hidroavi\u00f5es) e um contingente de tropas francesas, sob o comando do tenente Maurice Larrouy, que a\u00ed permaneceu at\u00e9 ao final da Primeira Grande Guerra. No dia 8 de Dezembro de 1918, essa base foi formalmente entregue \u00e0 Avia\u00e7\u00e3o Naval, ficando ent\u00e3o sob o comando do tenente aviador Moreira de Carvalho.<\/p>\n<p>Em 1921, \u00e9 constru\u00eddo em S\u00e3o Jacinto o maior hangar da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Em 1927, \u00e9 instalada no centro a Escola de Avia\u00e7\u00e3o Naval Almirante Gago Coutinho. Em 1937, \u00e9 constru\u00edda uma pista terrestre que permite \u00e0 base, al\u00e9m dos hidroavi\u00f5es, passar a operar tamb\u00e9m avi\u00f5es convencionais. Esta pista \u00e9 tamb\u00e9m a primeira a ser iluminada eletricamente em Portugal, permitindo descolagens e pousos nocturnos em maior seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Foi na base de S. Jacinto que Sacadura Cabral treinou e preparou a primeira travessia a\u00e9rea do Atl\u00e2ntico Sul, entre Lisboa e o Rio de Janeiro, viagem que efectuou na companhia de Gago Coutinho, tal como j\u00e1 havia acontecido com a travessia Lisboa \u2013 Funchal.<\/p>\n<p>Com a cria\u00e7\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea Portuguesa a base de S. Jacinto passa a integrar este ramo das For\u00e7as Armadas, em 1953. Em 1978, a unidade passa a integrar uma base de tropas p\u00e1ra-quedistas, em conjunto com o aer\u00f3dromo militar j\u00e1 existente, altura em que os c\u00e9us da regi\u00e3o eram palco para os voos dos T6. <\/p>\n<p>Em 1992, a Base A\u00e9rea \u00e9 desactivada como unidade independente e, no ano seguinte, a Base Operacional de Tropas P\u00e1ra-quedistas passa para a tutela do Ex\u00e9rcito com a denomina\u00e7\u00e3o de \u201c\u00c1rea Militar de S. Jacinto\u201d. Em 2006 assume a designa\u00e7\u00e3o de Regimento de Infantaria n.\u00ba10.<\/p>\n<p>Estaleiros Navais <\/p>\n<p>Os Estaleiros Navais de S. Jacinto foram fundados em 1940, por iniciativa de Carlos Roeder, empres\u00e1rio ligado \u00e0 pesca do bacalhau, que estudou na Escola Polit\u00e9cnica de Lisboa e formado em engenharia na Alemanha.<\/p>\n<p>At\u00e9 1945, e devido \u00e0 falta de materiais provocada pela Segunda Guerra Mundial, os estaleiros de S. Jacinto dedicaram-se exclusivamente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o met\u00e1lica e constru\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas. O seu primeiro grande trabalho de engenharia foi o hangar da Base de S. Jacinto, com 60 metros de v\u00e3o e que teria de suportar nas asnas dois hidroavi\u00f5es.<\/p>\n<p>O primeiro navio a ser reparado nos estaleiros de S. Jacinto foi o \u201cS\u00e3o Gon\u00e7alo\u201d, propriedade da firma Bag\u00e3o Nunes e Machado. <\/p>\n<p>Em 1945, teve in\u00edcio a constru\u00e7\u00e3o dos navios \u201cCaramulo\u201d e \u201cNereus\u201d, os primeiros a serem constru\u00eddos na freguesia aveirense. De real\u00e7ar que esses navios foram os primeiros em Portugal a receberem soldadura el\u00e9ctrica em grande escala, tecnologia introduzida em Portugal por Carlos Roeder.<\/p>\n<p>Os Estaleiros de S. Jacinto foram os primeiros em Portugal, e talvez mesmo a n\u00edvel nacional, a efectuarem um \u201cjumboizing\u201d, ou seja cortar um navio ao meio e aument\u00e1-lo, melhorando-lhe a capacidade de carga, que teve como alvo o navio \u201cRui Alberto\u201d, propriedade do armador gafanhense Jo\u00e3o dos Santos.<\/p>\n<p>Em 1955, com a constru\u00e7\u00e3o do navio \u201cJo\u00e3o Ferreira\u201d, os estaleiros aveirenses voltam a inovar a n\u00edvel nacional, projectando um navio com caracter\u00edsticas totalmente novas no que se refere \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o dos seus espa\u00e7os, para al\u00e9m de ser o primeiro navio em Portugal a beneficiar de ilumina\u00e7\u00e3o e for\u00e7a motriz com corrente alterna, em substitui\u00e7\u00e3o da corrente cont\u00ednua usada at\u00e9 ai.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi em S. Jacinto que foi constru\u00eddo o primeiro arrast\u00e3o portugu\u00eas de arrasto pela popa, o \u201cAtrevido\u201d, para a empresa Pescarias Beira Litoral, para a pesca costeira. Em 1964, foi entregue o primeiro arrast\u00e3o portugu\u00eas de arrasto pela popa para a pesca long\u00ednqua, o \u201cSanta Isabel\u201d para a Empresa de Pesca de Aveiro (EPA), tamb\u00e9m constru\u00eddo em S\u00e3o Jacinto.<\/p>\n<p>Na segunda metade da d\u00e9cada de 1980, os Estaleiros de S. Jacinto constru\u00edram alguns dos mais modernos navios de pesca da Noruega, incluindo dois \u201cquebra-gelos\u201d.<\/p>\n<p>Foram estes estaleiros que, em Portugal, projectaram e constru\u00edram os primeiros navios palangreiros para o palangre de superf\u00edcie, o \u201cParalelo\u201d e o \u201cMeridiano\u201d. Igualmente, foram os \u00fanicos estaleiros navais portugueses a construir, com projecto \u201cCampbell\u201d de San Diego, atuneiros oce\u00e2nicos.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1970, os estaleiros empregavam mais de meio milhar de trabalhadores.<\/p>\n<p>Apesar desse historial, os Estaleiros de S. Jacinto foram desactivados e deles pouco resta, n\u00e3o havendo qualquer museu que preserve e divulgue projectos, maquetas e equipamentos desses gloriosos tempos.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesca da x\u00e1vega, a avia\u00e7\u00e3o naval e os estaleiros navais foram os tr\u00eas factores que marcaram profundamente o povoamento e o desenvolvimento social e econ\u00f3mico de S\u00e3o Jacinto. No pr\u00ednc\u00edpio era a x\u00e1vega Com mais de cinco s\u00e9culos de hist\u00f3ria, a pesca da x\u00e1vega poder\u00e1 ter estado na origem do primitivo povoado, desenvolvido em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-17990","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-regioes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17990","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17990"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17990\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17990"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17990"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17990"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}