{"id":18014,"date":"2011-09-14T11:08:00","date_gmt":"2011-09-14T11:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18014"},"modified":"2011-09-14T11:08:00","modified_gmt":"2011-09-14T11:08:00","slug":"a-classe-media","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-classe-media\/","title":{"rendered":"A classe m\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<p>Mais que um enfraquecimento econ\u00f3mico, foi debilidade de alma com depend\u00eancia viciosa da banalidade, mau gosto, futilidade de vida e perda de valores humanos e patrimoniais.<\/p>\n<p>Cada vez mais se v\u00e3o vendo e ouvindo not\u00edcias, debates, declara\u00e7\u00f5es, senten\u00e7as avulsas, sobre uma crise que desaba sobre todos, e onde todos parecem querer fugir na hora de assumir gestos concretos para a solu\u00e7\u00e3o. Os verdadeiramente pobres j\u00e1 n\u00e3o sabem que dizer e fazer. Os chamados ricos n\u00e3o sentem altera\u00e7\u00e3o apreci\u00e1vel. Tal como est\u00e1 a impatrialidade do dinheiro, facilmente se arranja um colch\u00e3o an\u00f3nimo em qualquer recanto do planeta e a\u00ed se faz descansar em paz os milh\u00f5es, escapando ao mais rigoroso sistema fiscalizante. Assim ignoram a crise dos outros aquietando a consci\u00eancia com doa\u00e7\u00f5es ou funda\u00e7\u00f5es que pouco remendam os andrajos ou saram as feridas. A crise, mais cedo ou mais tarde, vai passar e tudo continuar\u00e1 como dantes.<\/p>\n<p>O novo discurso parece centrar-se agora naquilo a que se chama a classe m\u00e9dia. No presente contexto n\u00e3o se sabe bem o que seja, mas deve tratar-se de novos pobres que j\u00e1 foram quase ricos e se sentiram ludibriados pela publicidade, pelos empr\u00e9stimos, pelos juros, pelas promessas, pela ascens\u00e3o social que deu carro de luxo, muitos topos de gama, vivenda, piscina, decorador, alfaiate, segundo carro, segunda casa e uma infinidade de quinquilharias de marca que nada t\u00eam a ver com sa\u00fade, cultura, qualidade de vida ou dignidade. Foi uma esp\u00e9cie de vol\u00fapia do pequeno e grande luxo, o culto do sup\u00e9rfluo, o estatuto social como alvo primordial da vida. Tudo isso, mais que um enfraquecimento econ\u00f3mico, foi debilidade de alma com depend\u00eancia viciosa da banalidade, mau gosto, futilidade de vida e perda de valores humanos e patrimoniais. <\/p>\n<p>\u00c9 essa classe m\u00e9dia que est\u00e1 amea\u00e7ada?<\/p>\n<p>H\u00e1 muito ferro velho ou pl\u00e1stico ou plasma que \u00e9 preciso deitar fora. E se a crise ajudar a essa depura\u00e7\u00e3o num regresso ao essencial, acaba por ser ben\u00e9fica.<\/p>\n<p>Porventura pouco interessa que tudo passe para voltarmos ao mesmo. Todas as classes precisam fazer uma reflex\u00e3o mais que econ\u00f3mica. Como dizia Bento XVI no voo de Roma para Madrid, \u201ca economia n\u00e3o pode funcionar apenas com uma auto-regula\u00e7\u00e3o mercantil mas tem necessidade de uma raz\u00e3o \u00e9tica para servir o homem\u201d. O p\u00e3o de cada dia \u00e9 sagrado em qualquer mesa. \u00c9 mais que um objecto, \u00e9 imagem do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais que um enfraquecimento econ\u00f3mico, foi debilidade de alma com depend\u00eancia viciosa da banalidade, mau gosto, futilidade de vida e perda de valores humanos e patrimoniais. Cada vez mais se v\u00e3o vendo e ouvindo not\u00edcias, debates, declara\u00e7\u00f5es, senten\u00e7as avulsas, sobre uma crise que desaba sobre todos, e onde todos parecem querer fugir na hora de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-18014","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18014"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18014\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}