{"id":18020,"date":"2011-09-21T09:32:00","date_gmt":"2011-09-21T09:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18020"},"modified":"2011-09-21T09:32:00","modified_gmt":"2011-09-21T09:32:00","slug":"livro-de-georg-ratzinger-meu-irmao-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/livro-de-georg-ratzinger-meu-irmao-o-papa\/","title":{"rendered":"Livro de Georg Ratzinger &#8220;Meu irm\u00e3o, o Papa&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Foi lan\u00e7ado h\u00e1 dias, na Alemanha, antes da visita de Bento XVI ao pa\u00eds (22 a 25 de Setembro), o livro de Georg Ratzinger \u201cMein Bruder, der Papst\u201d (\u201cMeu irm\u00e3o, o Papa\u201d), escrito em colabora\u00e7\u00e3o com o jornalista e historiador Michael Hesemann. Neste livro, ainda sem tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas, Georg revela como se sentiu ao ver o seu irm\u00e3o mais novo ser eleito Papa, no dia 19 de Abril de 2005. \u201cTenho que dizer honestamente que nesse momento fiquei bastante deprimido ao pensar que o meu irm\u00e3o deixaria de ter tempo para mim\u201d. Contudo, o mais velho dos irm\u00e3os Ratzinger assegura que o Papa lhe d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de conservar um m\u00ednimo de vida normal, apesar das exig\u00eancias do Vaticano. De vez em quando o Papa encontra tempo para ver o \u201cComiss\u00e1rio Rex\u201d, uma s\u00e9rie policial austr\u00edaca em que um c\u00e3o desempenha o papal principal. \u201cN\u00f3s gostamos muito de c\u00e3es\u201d, diz Georg, que espera que o livro contribua para \u201caumentar o interesse pelo Papa e pela Igreja.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia cat\u00f3lica Zenit falou com Michael Hesemann, que escreveu o livro a partir das conversas com o irm\u00e3o do Papa. Entrevista conduzida por Jes\u00fas Colina.<\/p>\n<p>O livro ajuda a entender melhor a voca\u00e7\u00e3o de Joseph Ratzinger?<\/p>\n<p>Michael Hesemann &#8211; Esta \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o do livro, que foi escrito por causa do sexag\u00e9simo anivers\u00e1rio de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal de Sua Santidade e do irm\u00e3o dele, o padre Georg Ratzinger. O livro mostra a sua incr\u00edvel e totalmente inesperada \u201ccarreira\u201d, que segue uma esp\u00e9cie de plano escondido, que s\u00f3 pode ser obra da Divina Provid\u00eancia. Quando visitei a Escola de Evangeliza\u00e7\u00e3o da Comunidade do Emanuel, em Altoetting, um santu\u00e1rio mariano de import\u00e2ncia central na inf\u00e2ncia de Joseph Ratzinger, escutei o seguinte lema: \u201cD\u00e1 tudo e receber\u00e1s mais\u201d. E foi exactamente esse o princ\u00edpio que ele seguiu. Ele sempre deu tudo, serviu ao Senhor com todas as suas capacidades, e recebeu muito mais do que alguma vez teria imaginado ou desejado.<\/p>\n<p>O seu livro tem elementos novos da vida de Joseph e Georg Ratzinger?<\/p>\n<p>Claro. Pormenores pessoais da vida familiar. E podemos descobrir o valor de outro slogan: \u201cFam\u00edlia que reza unida, permanece unida\u201d. A fam\u00edlia Ratzinger foi uma esp\u00e9cie de baluarte contra as ondas de todos os per\u00edodos tempestuosos, incluindo o nazismo e os horrores da guerra. E eles encontraram for\u00e7a num profundo sentido religioso e na vida religiosa intensa. Hoje, quando muitas fam\u00edlias s\u00e3o dilaceradas por problemas e div\u00f3rcios, os Ratzinger poderiam representar um modelo positivo de fam\u00edlia. O segredo deles \u00e9 ser uma fam\u00edlia que segue a vontade de Deus, uma fam\u00edlia que \u00e9 c\u00e9lula fundamental da Igreja. Com mais fam\u00edlias assim, n\u00e3o ter\u00edamos esta falta de voca\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>O que o surpreendeu nas conversas com o irm\u00e3o do Papa?<\/p>\n<p>Muitas cosas, mas a maior surpresa foi descobrir o caminho que levou Ratzinger \u00e0 s\u00e9 de Pedro. O dia mais importante da vida dele foi a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, em 29 de Junho de 1951, quando entendeu tudo o que podia dar \u00e0s pessoas, permitindo que o Esp\u00edrito Santo trabalhasse atrav\u00e9s dele. Ele gostava de ser vig\u00e1rio numa par\u00f3quia de Munique! Mas depois, com aquela mente extraordinariamente brilhante, foi incentivado a ser professor de teologia. E gostou. N\u00e3o queria ser bispo. Tiveram que convenc\u00ea-lo. Depois, o Papa Paulo VI nomeou-o arcebispo de Munique. Quando Jo\u00e3o Paulo II o chamou para Roma, ele deu uma s\u00e9rie de motivos para ficar na Baviera, mas algu\u00e9m o convenceu de novo. E desta vez foi o pr\u00f3prio Papa quem teve que convenc\u00ea-lo: \u201cMunique \u00e9 importante, mas Roma \u00e9 mais importante\u201d.<\/p>\n<p>Ele sonhava reformar-se e passar mais tempo com o irm\u00e3o, escrever livros, mas foi eleito papa. Isso lembrou-me as palavras que nosso Senhor disse a S\u00e3o Pedro: \u201cOutro te cingir\u00e1 e te levar\u00e1 para onde tu n\u00e3o queres\u201d (Jo\u00e3o 21,18). Foi uma profecia que se cumpriu com o mart\u00edrio do pr\u00edncipe dos ap\u00f3stolos. Mas descreve muito bem o que aconteceu a Joseph Ratzinger. Se analisar a vida dele, ver\u00e1 que \u201calgu\u00e9m\u201d o preparou para o minist\u00e9rio de Pedro desde o come\u00e7o. Tudo \u00e9 obra de Deus!<\/p>\n<p>Outra surpresa foi ver a oposi\u00e7\u00e3o incondicional da fam\u00edlia Ratzinger aos nazistas, desde o in\u00edcio. O pai deles, que tamb\u00e9m se chamava Joseph Ratzinger, era um leitor ass\u00edduo da publica\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica mais anti-nazista, \u201cDer gerade Weg\u201d (\u201cO caminho direito\u201d), cujo redactor, Fritz Michael Gerlich, foi um dos primeiros m\u00e1rtires cat\u00f3licos da Alemanha nazista. Ratzinger pai era chefe de pol\u00edcia numa cidade pequena, Tittmoning, e sofreu s\u00e9rias dificuldades mesmo antes da chegada do nazismo ao poder, porque tinha ordenado a suspens\u00e3o de v\u00e1rios encontros de nazistas e tinha entrado em confronto com os nazistas v\u00e1rias vezes. Por fim, foi obrigado a dar um passo para tr\u00e1s na sua carreira e continuar o servi\u00e7o num vilarejo, Aschau.<\/p>\n<p>A entrada de Georg e Joseph no semin\u00e1rio, a decis\u00e3o de serem padres, naquela \u00e9poca, era uma clara rejei\u00e7\u00e3o do nazismo, que se opunha fortemente \u00e0 Igreja. Eles foram ridicularizados e discriminados por causa dessa decis\u00e3o, mas seguiram a consci\u00eancia. O pai dos Ratzinger, que na \u00e9poca vivia de uma pobre pens\u00e3o, recusou as vantagens econ\u00f3micas de aderir ao partido nazista. O adolescente Joseph Ratzinger conseguiu n\u00e3o participar na juventude hitleriana, apesar de ser obrigat\u00f3rio. Simplesmente n\u00e3o participou. E quando foi obrigado a ser soldado, desertou e livrou-se por milagre da cadeia e da forca prevista para os desertores.<\/p>\n<p>Que lugar ocupa a m\u00fasica na vida de Georg? E o que dizer de Joseph?<\/p>\n<p>A m\u00fasica sempre desempenhou um papel importante na vida da fam\u00edlia Ratzinger. O seu pai n\u00e3o s\u00f3 cantava no coro infantil da sua par\u00f3quia, mas tamb\u00e9m tocava o \u201czither\u201d, uma c\u00edtara popular da m\u00fasica folcl\u00f3rica da Baviera. A m\u00e3e, que tinha sido governanta na casa de um maestro, esteve em contacto com a m\u00fasica cl\u00e1ssica desde jovem. Assim, quando Georg descobriu o seu enorme talento musical, contou com o incentivo dos seus pais. Era fascinado por harm\u00f3nica, por isso o seu pai comprou uma, e ele tocou t\u00e3o bem que quando tinha apenas 10 anos o pastor pediu para toc\u00e1-la durante a Missa das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Joseph compartilhava o seu amor pela m\u00fasica e teve aulas de piano. Ainda hoje, como Papa, ele toca piano, quando tem algum tempo. Encanta-lhe a m\u00fasica cl\u00e1ssica, especialmente Mozart. Os jovens Ratinzger uma vez conseguiram ir ao Festival de Salzburg e ouvir um grande concerto. Hoje, quando Georg Ratzinger vai ver o seu irm\u00e3o, o Santo Padre pede-lhe que toque piano, o que realmente lhe encanta.<\/p>\n<p>Como \u00e9 Georg Ratzinger?<\/p>\n<p>Cada encontro com ele foi realmente muito bonito. Ele tem um cora\u00e7\u00e3o de ouro. Em muito poucas ocasi\u00f5es vi um homem t\u00e3o humilde, am\u00e1vel e af\u00e1vel como ele. Ao mesmo tempo, fiquei impressionado com sua mem\u00f3ria, algo que ele compartilha com seu irm\u00e3o. \u00c9 um grande homem e, certamente, n\u00e3o apenas \u201co irm\u00e3o do Papa\u201d, porque ele tem feito uma carreira not\u00e1vel por sua conta, como director do coro juvenil da Catedral de Ratisbona (Regensburger Domspatzen em alem\u00e3o), conhecido em todo o mundo. Eles oferecem concertos no Jap\u00e3o e nos Estados Unidos e em muitas outras partes do mundo. \u00c9 tamb\u00e9m um compositor talentoso. Mas acima de tudo, um verdadeiro cavalheiro e um sacerdote de cora\u00e7\u00e3o grande, profunda f\u00e9 em Deus e agudo e sadio sentido de humor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi lan\u00e7ado h\u00e1 dias, na Alemanha, antes da visita de Bento XVI ao pa\u00eds (22 a 25 de Setembro), o livro de Georg Ratzinger \u201cMein Bruder, der Papst\u201d (\u201cMeu irm\u00e3o, o Papa\u201d), escrito em colabora\u00e7\u00e3o com o jornalista e historiador Michael Hesemann. 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