{"id":18040,"date":"2011-09-21T10:37:00","date_gmt":"2011-09-21T10:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18040"},"modified":"2011-09-21T10:37:00","modified_gmt":"2011-09-21T10:37:00","slug":"cinco-motivos-para-nao-rezar-1-a-parte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cinco-motivos-para-nao-rezar-1-a-parte\/","title":{"rendered":"Cinco motivos para n\u00e3o rezar (1.\u00aa parte)"},"content":{"rendered":"<p>1. \u201cRezar \u00e9 cansativo\u201d<\/p>\n<p>Objec\u00e7\u00e3o antiga. Rezar \u00e9 uma luta (Ex 17,8-16; Gn 32,23-33), na qual os olhos se consomem (Sl 11,123) e a garganta seca (Sl 22.16). \u00c9 uma objec\u00e7\u00e3o real, porque na ora\u00e7\u00e3o o corpo imp\u00f5e-se, faz-se sentir em toda a sua materialidade. Foi cansativo em todos os tempos e \u00e9 ainda mais no nosso, porque a ora\u00e7\u00e3o comporta condi\u00e7\u00f5es contrariadas pelos actuais ritmos da vida. Quer sil\u00eancio. Quer solid\u00e3o. Quer inactividade. Mas tudo \u00e0 volta \u00e9 excesso de palavras, tarefas e sons desafinados.<\/p>\n<p>Ultrapassa-se esta dificuldade com a decis\u00e3o de se colocar perante a Presen\u00e7a silenciosa a invis\u00edvel. \u201cNo esfor\u00e7o que cada um enfrenta sozinho diante de Deus \u00e9 de grande conforto a certeza de estarmos rodeados pela comunh\u00e3o dos santos do C\u00e9u e da terra. Os que nos precederam no caminho da f\u00e9 e os irm\u00e3os que nos rodeiam todos os dias garantem-nos uma ora\u00e7\u00e3o incessante, capaz de suprir os nossos momentos de dificuldade ou de vazio espiritual: esta \u00e9 uma grande consola\u00e7\u00e3o, um est\u00edmulo a n\u00e3o abandonarmos a fadiga da ora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>2. \u201cN\u00e3o tenho tempo\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 a dificuldade mais comum, quase como um refr\u00e3o: \u201cN\u00e3o tenho tempo. N\u00e3o tenho tempo\u201d. E em parte \u00e9 verdade, sobretudo na vida urbana, marcada pela velocidade, ritmos laborais fren\u00e9ticos, compromissos m\u00faltiplos, dispers\u00e3o dos espa\u00e7os. Mas tamb\u00e9m \u00e9 uma m\u00e1 desculpa: quanto tempo se passa diante da televis\u00e3o ou na Internet? Afinal, encontramos sempre tempo para o que nos interessa. \u201cAquele que afirma que n\u00e3o tem tempo para rezar \u00e9 um id\u00f3latra\u201d porque o tempo \u00e9 que o domina, esquece-se dos primeiros mandamentos, que implicam saber coordenar o tempo.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00e3o. Primeiro: ter consci\u00eancia de que \u201ca escuta de Deus \u00e9 t\u00e3o s\u00e9ria como o trabalho e, portanto, n\u00e3o se podem dedicar \u00e0 ora\u00e7\u00e3o apenas retalhos de tempo\u201d. Segundo: Saber que oferecer tempo a Deus \u00e9 dar-lhe o bem mais preciso possu\u00eddo na terra; dar tempo \u00e0 ora\u00e7\u00e3o \u00e9 dar \u201cum pouco da pr\u00f3pria vida pelo Senhor\u201d. Terceiro: \u00c9 preciso estabelecer tempos determinados e ser-lhes fiel, de modo a rezar n\u00e3o s\u00f3 quando temos vontade ou quando nos sentimos emocionalmente induzidos a faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>3. \u201cDistraio-me muito\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 a objec\u00e7\u00e3o natural, porque ter distrac\u00e7\u00f5es faz parte da psique humana. \u00c9 preciso muito exerc\u00edcio para aprender a concentrar-se, unificando os pensamentos, a mente, o cora\u00e7\u00e3o e o corpo. Ora, na ora\u00e7\u00e3o, aparecem as preocupa\u00e7\u00f5es, os rumores, as imagens, os sons da vida do dia-a-dia\u2026 Por vezes, essas coisas emergem imperiosamente logo que entramos na condi\u00e7\u00e3o nas condi\u00e7\u00f5es da ora\u00e7\u00e3o, principalmente a solid\u00e3o e o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Como fazer? Poder\u00e1 ser preciso lutar contras as distrac\u00e7\u00f5es, mas sem fazer disso uma obsess\u00e3o. Muitas vezes \u00e9 preciso saber integr\u00e1-las na ora\u00e7\u00e3o, \u201ccoloc\u00e1-las nas m\u00e3os de Deus\u201d (1 Pd 5,7). As distrac\u00e7\u00f5es podem ser transformadas em ocasi\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 que evitar dois erros comuns: 1) Pensar que \u00e9 preciso \u201ccriar o vazio em si pr\u00f3prio\u201d. Na verdade, o sil\u00eancio requerido \u201cn\u00e3o \u00e9 pura negatividade, mas sim abertura \u00e0 escuta da Palavra e \u00e0 presen\u00e7a de Deus em n\u00f3s\u201d; 2) Pensar que pode vencer as distrac\u00e7\u00f5es para sempre. O importante \u00e9 \u201cn\u00e3o perder a coragem, n\u00e3o deixar de rezar\u201d.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima semana:<\/p>\n<p>4. \u201cN\u00e3o sou constante\u201d<\/p>\n<p>5. \u201cTrabalhar j\u00e1 \u00e9 rezar\u201d<\/p>\n<p>Este texto \u00e9 adaptado das p\u00e1ginas 96 a 107 de \u201cPorque rezar, como rezar\u201d, de Enzo Bianchi (ed. Paulus). Tendo consci\u00eancia dos motivos pessoais que habitualmente s\u00e3o apontados para n\u00e3o rezar, cada um poder\u00e1 prosseguir com mais determina\u00e7\u00e3o na sua caminhada espiritual. A ora\u00e7\u00e3o, diz Bianchi, \u00e9 o nosso desejo de amor.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. \u201cRezar \u00e9 cansativo\u201d Objec\u00e7\u00e3o antiga. Rezar \u00e9 uma luta (Ex 17,8-16; Gn 32,23-33), na qual os olhos se consomem (Sl 11,123) e a garganta seca (Sl 22.16). \u00c9 uma objec\u00e7\u00e3o real, porque na ora\u00e7\u00e3o o corpo imp\u00f5e-se, faz-se sentir em toda a sua materialidade. 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