{"id":18041,"date":"2011-09-21T10:39:00","date_gmt":"2011-09-21T10:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18041"},"modified":"2011-09-21T10:39:00","modified_gmt":"2011-09-21T10:39:00","slug":"um-bocadinho-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-bocadinho-de-deus\/","title":{"rendered":"Um bocadinho de Deus"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Porque Deus se revela \u00abaos bocadinhos\u00bb. Nem podia ser de outra forma. Todas as coisas que existem e especialmente cada ser humano \u00e9 portador de uma perspectiva sobre Deus. E \u00e9 da maior import\u00e2ncia abrir estas janelas, que nos questionam e enriquecem. O pr\u00f3prio Jesus Cristo estava condicionado pelo tempo e espa\u00e7o em que veio ao mundo e limitou-se a lan\u00e7ar sementes capazes de levar a humanidade, ao longo dos tempos, a descobrir lentamente, num processo de cont\u00ednua reformula\u00e7\u00e3o feito de avan\u00e7os e recuos,  a realidade de Deus. <\/p>\n<p>O Deus de Jesus n\u00e3o se revela conceptualmente ou filosoficamente. A B\u00edblia e muitas outras experi\u00eancias religiosas atestam como est\u00e1 muito para al\u00e9m das categorias humanas. Em Jesus, Deus revela-se como um Pai que se compraz na boa rela\u00e7\u00e3o que consegue ter com os filhos. N\u00e3o \u00e9 verdade que, das nossas mem\u00f3rias, as mais gratificantes s\u00e3o as que nos alimentam com testemunhos de verdadeiro amor e amizade?<\/p>\n<p>A abund\u00e2ncia de par\u00e1bolas nos evangelhos, sobretudo nos de Mateus e Lucas, fala de como na vida de todos os dias podemos saborear ind\u00edcios da realidade divina e da igualmente misteriosa rela\u00e7\u00e3o entre o \u00abreino de Deus\u00bb e os reinos dos Homens.\t<\/p>\n<p>Muitas das par\u00e1bolas atacam a estagna\u00e7\u00e3o religiosa do povo judaico, sendo claramente referida a responsabilidade das classes sacerdotais. Embora sujeito ao imp\u00e9rio romano, a governa\u00e7\u00e3o local estava praticamente nas m\u00e3os dos altos funcion\u00e1rios do sistema religioso.  <\/p>\n<p>O evangelho de hoje compara dois filhos: um diz que faz mas n\u00e3o faz; o outro diz que n\u00e3o, mas depois realiza a vontade do pai. O primeiro tinha bom dizer mas mau fazer. O pai n\u00e3o se podia rever naquele filho. Por isso Jesus n\u00e3o hesita em provocar um grupo de judeus dos mais \u00abimportantes\u00bb, para lhes fazer sentir que a sabedoria \u00e9 muito mais do que palavras bonitas. E que o verdadeiro \u00abpovo eleito\u00bb \u00e9 aquele que se deixa escolher por Deus.<\/p>\n<p>Esta par\u00e1bola \u00e9 afim \u00e0 do \u00abfilho pr\u00f3digo\u00bb: ambas denunciam o perigo de uma religi\u00e3o instalada, onde pretendemos viver descansados porque \u00e0 sombra do que est\u00e1 escrito ou do poder de chefes quase idolatrados.<\/p>\n<p>O filho que diz \u00absim\u00bb automaticamente, \u00e9 quem se enredou no sistema, sem pensar nas raz\u00f5es do seu modo de viver \u2013 sejam \u00abgrandes chefes\u00bb ou \u00abgente simples\u00bb. Perdeu a sensibilidade para detectar o que \u00e9 melhor. <\/p>\n<p>O que tem o \u00abn\u00e3o\u00bb na boca vive mais de acordo com o que gosta e n\u00e3o gosta, reagindo a imposi\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o matou a capacidade de avaliar com independ\u00eancia o que se faz \u00e0 sua volta, o que ele pr\u00f3prio faz e o que vale mesmo a pena fazer. No que est\u00e1 certo e no que est\u00e1 errado, nas alegrias e na dor, apercebe-se dos \u00abbocadinhos de Deus\u00bb.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m S. Paulo percebeu em Jesus a estranh\u00edssima dimens\u00e3o de uma pessoa que deu exemplo de perfeita n\u00e3o resist\u00eancia a Deus. S\u00f3 uma profund\u00edssima intimidade com Deus pode sustentar a liberdade e frontalidade com que denunciou, sabendo que arriscava a vida, o apego a esquemas de dom\u00ednio sobre os outros em vez de esquemas de liberta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Conscientemente ou n\u00e3o, todos n\u00f3s desejamos um libertador \u2013 da doen\u00e7a, da guerra, da fome, da injusti\u00e7a, da ang\u00fastia de viver\u2026 A credibilidade do libertador mede-se pelo seu pr\u00f3prio exemplo. Jesus mostrou que n\u00e3o somos como \u00f3rf\u00e3os neste mundo, lan\u00e7ados \u00e0 morte, e que vale a pena viver e lutar contra tudo o que seja sofrimento, gerando uma vida mais plena para toda a humanidade. O seu interesse era \u00aba causa dos Homens\u00bb, \u00abtotalmente perme\u00e1vel\u00bb (um sentido de \u00abobediente\u00bb) ao esp\u00edrito de Deus. A sua vida foi sancionada e justificada por Deus, e por isso merece o nome de Senhor, como um filho pode ser investido de toda a honra do Pai.<\/p>\n<p>Deus comunica-se a cada qual na medida em que n\u00e3o lhe opomos resist\u00eancia. Mas os pretensiosos que se autoproclamam \u00abeleitos\u00bb perdem a sensibilidade para \u00abouvir\u00bb a \u00abvontade de Deus\u00bb \u2013 a vontade de perfei\u00e7\u00e3o escondida nos seres humanos. A imita\u00e7\u00e3o da \u00abobedi\u00eancia\u00bb de Cristo passa por \u00abouvir\u00bb, por estar atento, a todas as coisas como experi\u00eancias de \u00abbocadinhos de Deus\u00bb.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-18041","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18041","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18041"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18041\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18041"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18041"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18041"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}