{"id":18068,"date":"2011-09-21T10:44:00","date_gmt":"2011-09-21T10:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18068"},"modified":"2011-09-21T10:44:00","modified_gmt":"2011-09-21T10:44:00","slug":"o-caminho-e-a-estalagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-caminho-e-a-estalagem\/","title":{"rendered":"O caminho e a estalagem"},"content":{"rendered":"<p>Chega Setembro e damos por n\u00f3s a conjugar regressos. H\u00e1 duas maneiras de encarar este reencontro com o nosso quadro habitual de vida. Podemos entend\u00ea-lo como um retomar simples de um percurso que a pausa estival interrompeu. Voltamos aos mesmos lugares, ao mesmo ritmo, aos mesmos tiques rotineiros, como se a vida fosse um cont\u00ednuo inalterado. Ou podemos voltar, tendo ganho uma dist\u00e2ncia cr\u00edtica e criativa, em rela\u00e7\u00e3o ao modo como habitamos o real que nos cabe. Sentimos ent\u00e3o, como naquele verso de Rainer Maria Rilke, que temos de chegar ao que conhecemos e arriscar olh\u00e1-lo como se fosse a primeira vez. De facto, a vida, nas suas v\u00e1rias express\u00f5es (laborais, familiares, afectivas\u2026) precisa de recome\u00e7os que o sejam verdadeiramente. N\u00e3o nos podemos instalar simplesmente nas vit\u00f3rias de ontem, nos saberes adquiridos de um dia, nas experi\u00eancias de uma determinada etapa. O recome\u00e7o sup\u00f5e uma abertura esperan\u00e7ada em rela\u00e7\u00e3o ao hoje, encarando-o com a pobreza e a ousadia de quem aceita, depois de ter percorrido j\u00e1 uma estrada, considerar que est\u00e1 novamente, e que estar\u00e1 at\u00e9 ao fim, a viver sucessivos pontos de partida.<\/p>\n<p>Neste sentido, precisamos de jogar a vida no aberto, mantendo uma plasticidade interior que \u00e9 um grande investimento de confian\u00e7a no modo como Deus se vai manifestando a cada momento. Talvez precisemos todos escutar mais profundamente a vida para captar essa novidade que nos chega por dentro, esse refazer das disposi\u00e7\u00f5es interiores, essa rejuvenescida vontade de nos pormos \u00e0 estrada, quando a tenta\u00e7\u00e3o que nos sobrev\u00e9m, a dada altura, \u00e9 a de nos arrumarmos num canto qualquer.<\/p>\n<p>H\u00e1 aquela frase exigente e fant\u00e1stica que o D. Quixote repetia: \u201cvale mais o caminho do que a estalagem\u201d. Setembro abeira-se de n\u00f3s assim, desafiando-nos n\u00e3o a um regresso \u00e0 estalagem, \u00e0 zona de conforto, \u00e0 vida tornada mais ao menos maquinal, mas a expormo-nos aos rein\u00edcios aut\u00eanticos, ao refazer humilde e apaixonado do nosso labor, \u00e0s aprendizagens que nos avizinham silenciosamente do definitivo escondido no provis\u00f3rio que tacteamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chega Setembro e damos por n\u00f3s a conjugar regressos. H\u00e1 duas maneiras de encarar este reencontro com o nosso quadro habitual de vida. Podemos entend\u00ea-lo como um retomar simples de um percurso que a pausa estival interrompeu. Voltamos aos mesmos lugares, ao mesmo ritmo, aos mesmos tiques rotineiros, como se a vida fosse um cont\u00ednuo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-18068","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18068","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18068"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18068\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18068"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}