{"id":18073,"date":"2011-09-21T10:48:00","date_gmt":"2011-09-21T10:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18073"},"modified":"2011-09-21T10:48:00","modified_gmt":"2011-09-21T10:48:00","slug":"janelas-estreiras-e-relacoes-limitadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/janelas-estreiras-e-relacoes-limitadas\/","title":{"rendered":"Janelas estreiras e rela\u00e7\u00f5es limitadas"},"content":{"rendered":"<p>Cada vez me impressiona mais a maneira como \u00e9 lida a Igreja em Portugal pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Porque a maioria dos jornalistas prefere as janelas estreitas, logo reduzem os seus horizontes. Porque s\u00e3o limitadas as suas rela\u00e7\u00f5es com gente da Igreja, depressa se convencem que a Igreja se reduz aos seus conhecidos. <\/p>\n<p>A boca do palco n\u00e3o \u00e9 lugar para muita gente e est\u00e1 habitualmente ocupada. Tamb\u00e9m na Igreja, uns t\u00eam voca\u00e7\u00e3o de trabalhar nos bastidores, outros de longe se habituaram a ser esquecidos ou a s\u00f3 serem lembrados quando algum facto grotesco, real ou ficcionado, directa ou indirectamente, lhes toca de algum modo. Assim, para os profissionais dos media, h\u00e1 na Igreja os gurus que s\u00e3o ouvidos por tudo e por nada, e os que, por si ou pelas terras onde se gastam na constru\u00e7\u00e3o do Reino, nunca s\u00e3o not\u00edcia que interesse. Dizia-me um bispo de uma diocese discreta: \u201cA gente de Lisboa pensa que s\u00f3 l\u00e1 \u00e9 que h\u00e1 Igreja?\u201d Conhecia-o, sabia da sua obra e entendi.<\/p>\n<p>H\u00e1 meios de comunica\u00e7\u00e3o social que, n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja, mas tamb\u00e9m \u00e0 pol\u00edtica e a outras realidades sociais importantes, \u201cadoram o conflito\u201d, a divis\u00e3o e o confronto, ainda que in\u00fatil, quando n\u00e3o mesmo rid\u00edculo. \u00c9 seu gosto preferido explorar o que pode dividir e provocar fric\u00e7\u00e3o. \u00c9 isto o que se vende a leitores ou ouvintes superficiais, sempre \u00e1vidos de novidades que choquem. Ser\u00e1 esta a sua miss\u00e3o?<\/p>\n<p>\u00c9 erro crasso pensar-se que a Igreja, em Portugal, s\u00e3o apenas alguns bispos mais medi\u00e1ticos, quer o sejam pelo seu valor, quer pelo empenho de amigos em os mostrarem e promoverem. Ser\u00e1 sempre empobrecedor reduzir a vida, o pensamento e a pron\u00fancia da Igreja apenas \u00e0 opini\u00e3o, pedida ou aproveitada, dos mais conhecidos e escutados. Certamente, quando falam ou escrevem nunca pensam ir al\u00e9m da sua opini\u00e3o, pr\u00f3pria e leg\u00edtima. Por\u00e9m, a vis\u00e3o mutiladora das janelas estreitas e das rela\u00e7\u00f5es restritas, logo transforma opini\u00f5es em dogmas e sil\u00eancios em omiss\u00f5es. Quando os crit\u00e9rios de ju\u00edzo s\u00e3o pobres e limitados, e o conhecimento da realidade e da vida eclesial pouco mais que nulo, procuram-se logo sintonias ou disson\u00e2ncias para contrapor ideias, pessoas e interven\u00e7\u00f5es. O realce de uma primeira p\u00e1gina ou a abertura de um notici\u00e1rio em tempo nobre, enriquecem a moldura do quadro pretendido ou forjado. Tamb\u00e9m assim se vendem jornais e sobem audi\u00eancias.<\/p>\n<p>Dificilmente dar\u00e1 da Igreja e da sua ac\u00e7\u00e3o uma ideia exacta quem s\u00f3 a conhece de fora, ainda que fa\u00e7a do adro do templo, lugar de conv\u00edvio e de conversa. Se entrasse sem preconceitos, sentiria talvez o inc\u00f3modo dos bancos duros, das longas e, por vezes, mon\u00f3tonas prega\u00e7\u00f5es, dos c\u00e2nticos pouco modernos e at\u00e9 do modo diverso de estar e de participar de alguns dos presentes. Mas s\u00f3 dentro, como acontece nas mais belas catedrais, se pode ver a beleza do que a\u00ed existe e s\u00f3, e a partir de dentro, atrav\u00e9s dos art\u00edsticos vitrais, se poder\u00e1 ver com olhos lavados o que \u00e9 e o que faz a Igreja.<\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria recente podem ver-se homens da Igreja que sabem espelhar, com verdade, a sua vida e ac\u00e7\u00e3o, sem preocupa\u00e7\u00e3o de apagar defici\u00eancias ou de explorar valores. Muitos fazem-no num concerto social plural. Outros, alcandorados talvez num narcisismo doentio, aproveitam temas em que se pode beliscar a Igreja e a f\u00e9 dos mais simples, procurando incurs\u00f5es pessoais que os levem ou mantenham na luz da ribalta.<\/p>\n<p>Do adro da Igreja tanto se podem atirar pedras para o telhado do templo, como lan\u00e7ar foguetes para anunciar festas de pouca dura. Por a\u00ed, tanto passam cortejos de louvor e de gente crente a caminho das assembleias da fam\u00edlia dos filhos de Deus e dos irm\u00e3os em Cristo. Mas, tamb\u00e9m, passa gente indiferente ao que se passa l\u00e1 dentro ou apenas interessada em perturbar a vida de quem reza, serve e ama.<\/p>\n<p>Tal como nas fam\u00edlias, na Igreja, h\u00e1 filhos dedicados e outros que o n\u00e3o s\u00e3o. H\u00e1 quem zele pelo patrim\u00f3nio familiar e quem o delapide. H\u00e1 gente para quem Deus \u00e9 tudo e gente para quem Ele est\u00e1 distante do seu horizonte de vida. E todos, normalmente, s\u00e3o baptizados\u2026 Paulo VI, com olhos de profeta e cora\u00e7\u00e3o de filho e de irm\u00e3o, deixou-nos um conselho luminoso: \u201cS\u00f3 pode curar as feridas da Igreja, quem a amar de verdade\u201d. \u00c9 sobretudo um conselho para os de dentro. Ser\u00e3o tamb\u00e9m estes, quando mais medi\u00e1ticos por valor pr\u00f3prio ou por favor dos amigos, que devem testemunhar, em todas as circunst\u00e2ncias o seu amor e compreens\u00e3o para com a M\u00e3e Igreja, n\u00e3o se juntando, nem dando tom ao coro dos que lhe atiram pedras e lhe sujam o rosto. Para um crist\u00e3o, aberto e esclarecido, diminuir a Igreja \u00e9 prejudicar a sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada vez me impressiona mais a maneira como \u00e9 lida a Igreja em Portugal pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Porque a maioria dos jornalistas prefere as janelas estreitas, logo reduzem os seus horizontes. 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