{"id":18075,"date":"2011-09-29T09:34:00","date_gmt":"2011-09-29T09:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18075"},"modified":"2011-09-29T09:34:00","modified_gmt":"2011-09-29T09:34:00","slug":"liberdade-e-religiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/liberdade-e-religiao\/","title":{"rendered":"Liberdade e religi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O Papa Bento XVI \u00e9 surpreendentemente oportuno nas suas interven\u00e7\u00f5es, subejamente profundo, sem descurar a universalidade da sua compreens\u00e3o. Foi o que mais uma vez aconteceu no sue breve discurso, na cerim\u00f3nia de boas-vindas, ocorrida no Castelo de Bellevue, em Berlim.<\/p>\n<p>A tem\u00e1tica central \u00e9 a intr\u00ednseca rela\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o e liberdade. E isto porque a crescente indiferen\u00e7a religiosa leva as sociedades a desprezarem a verdade ou considr\u00e1-la mesmo um obst\u00e1culo \u00e0s suas decis\u00f5es, que acabem por ser determinadas por considera\u00e7\u00f5es utilitaristas.<\/p>\n<p>\u201cA liberdade precisa duma liga\u00e7\u00e3o primordial a uma inst\u00e2ncia superior. O facto de haver valores que n\u00e3o s\u00e3o de modo algum manipul\u00e1veis, \u00e9 a verdadeira garantia da nossa liberdade\u201d. Os jogos de interesses pessoais ou de grupos tornam imposs\u00edvel uma efectiva liberdade, faltando esta \u201cautoridade reguladora externa\u201d, \u00fanico garante de uma conjugada interac\u00e7\u00e3o de direitos e deveres. <\/p>\n<p>Sem uma base vinculativa para a nossa conviv\u00eancia, degladiam-se os ego\u00edsmos e prevalece o individualismo selvagem. Um dos \u201cfundamentos para uma conviv\u00eancia bem sucedida \u00e9 a religi\u00e3o\u201d. E o Santo Padre cita o grande bispo e reformador social Wilhelm von Ketteler: \u201cAssim como a religi\u00e3o precisa da liberdade, assim tamb\u00e9m a liberdade precisa da religi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que os esp\u00edritos anarquistas &#8211; e essa aragem passa por uma imensa multid\u00e3o de contempor\u00e2neos, avessos a qualquer \u201cautoridade\u201d &#8211; rejeitar\u00e3o qualquer forma de regra superior. A sociedade da anomia est\u00e1 instalada no cora\u00e7\u00e3o de muita gente, jovem e menos jovem, porque \u00e9 muito mais conveniente ser regra de si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>\u201cO homem que se sente vinculado \u00e0 verdade e ao bem estar\u00e1 imediatamente de acordo com isto: a liberdade s\u00f3 se desenvolve na responsabilidade face a um bem maior. Um tal bem s\u00f3 existe para todos juntos; por conseguinte, devo interessar-me sempre tamb\u00e9m pelos meus vizinhos. A liberdade n\u00e3o pode ser vivida na aus\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Quantas consequ\u00eancias brotam destas s\u00e1bias palavras: para o relacionamento familiar, para as rela\u00e7\u00f5es de proximidade, para o desenvolvimento do voluntariado, para os projectos educativos, para a concerta\u00e7\u00e3o social\u2026 E, em momentos de crise, a voz de Bento XVI deveria ser tomada a s\u00e9rio, como o conselho amigo, como o rumo apontado, para desanuviar o presente e desenhar o futuro sob um sol radioso.<\/p>\n<p>O contributo de todos, a cr\u00edtica, a discord\u00e2ncia s\u00e3o importantes e necess\u00e1rios. Mas \u00e9 indispens\u00e1vel o concerto definitivo, liberto de interesses pessoais ou corporativistas, limpo de jogos ocultos e sub-rept\u00edcias clientelas. \u201cNa conviv\u00eancia humana, a liberdade n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem a solidariedade\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa Bento XVI \u00e9 surpreendentemente oportuno nas suas interven\u00e7\u00f5es, subejamente profundo, sem descurar a universalidade da sua compreens\u00e3o. Foi o que mais uma vez aconteceu no sue breve discurso, na cerim\u00f3nia de boas-vindas, ocorrida no Castelo de Bellevue, em Berlim. A tem\u00e1tica central \u00e9 a intr\u00ednseca rela\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o e liberdade. 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