{"id":18128,"date":"2011-09-29T10:23:00","date_gmt":"2011-09-29T10:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18128"},"modified":"2011-09-29T10:23:00","modified_gmt":"2011-09-29T10:23:00","slug":"familia-transmissao-e-educacao-da-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/familia-transmissao-e-educacao-da-fe\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia, transmiss\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral na Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 <!--more--> \u201cA fam\u00edlia \u00e9 a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades t\u00eam necessidade\u2026 A fam\u00edlia \u00e9 a primeira, mas n\u00e3o a \u00fanica e exclusiva comunidade educativa\u201d (Jo\u00e3o Paulo II, FC n.\u00bas 36 e 40).<\/p>\n<p>\u201cA fam\u00edlia, como a Igreja, tem por dever ser um espa\u00e7o onde o Evangelho \u00e9 transmitido e de onde o Evangelho irradia\u2026 Os pais n\u00e3o somente comunicam aos filhos o Evangelho, mas podem receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido\u201d (Paulo VI, EN n.\u00ba 71).<\/p>\n<p>1. O que entre n\u00f3s era uma realidade h\u00e1 umas dezenas de anos, tornou-se hoje uma preocupa\u00e7\u00e3o, muitas vezes sem grande eco nas pessoas mais respons\u00e1veis, dado o seu papel de interventores necess\u00e1rios num processo importante da vida. Trata-se da miss\u00e3o da fam\u00edlia crist\u00e3 no processo educativo dos filhos e na transmiss\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9, assumida como dever e encargo. Trata-se, ainda, de a fam\u00edlia assumir o seu lugar, como espa\u00e7o de valores morais, de ora\u00e7\u00e3o, reconcilia\u00e7\u00e3o, abertura a projetos de vida e a compromissos apost\u00f3licos.<\/p>\n<p>A sociedade mudou e, nela, o processo de mudan\u00e7a continua impar\u00e1vel. A fam\u00edlia, parte viva da sociedade, tamb\u00e9m mudou, e a mudan\u00e7a afeta o relacionamento dos seus membros, a compreens\u00e3o das suas tarefas, a ocupa\u00e7\u00e3o e o trabalho fora de casa, a disponibilidade de tempo e de vontade para os servi\u00e7os normais do seu dia a dia, o embate com leis civis que n\u00e3o a respeitam, antes a agridem, a dificuldade de reagir, de modo ativo e em rede organizada com outras fam\u00edlias, \u00e0 invas\u00e3o opressora de ideias e de comportamentos que lhes s\u00e3o alheios. Sem deixarem de influir em todos, as mudan\u00e7as tocam, de modo especial, os mais novos.<\/p>\n<p>Deste modo, a fam\u00edlia tem mais dificuldade em se encontrar como fam\u00edlia, e, tamb\u00e9m, como fam\u00edlia crist\u00e3, diminuindo, sempre mais, a sua capacidade para responder aos novos desafios que se lhe p\u00f5em e para realizar as suas tarefas fundamentais. Se este processo n\u00e3o for contrariado, a fam\u00edlia vai-se tornando, pouco a pouco, uma institui\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil, desagregada e socialmente irrelevante.<\/p>\n<p>2.  A Igreja acredita no des\u00edgnio de Deus sobre a fam\u00edlia, sabe o significado e o alcance do sacramento do Matrim\u00f3nio, conhece e defende a import\u00e2ncia da fam\u00edlia em ordem \u00e0 vida dos seus membros, o seu papel na sociedade e a sua miss\u00e3o na Igreja, considerando a institui\u00e7\u00e3o familiar como c\u00e9lula fundamental da sociedade, e a fam\u00edlia crist\u00e3 como uma \u201cIgreja dom\u00e9stica\u201d. Em virtude desta f\u00e9 e desta convic\u00e7\u00e3o, no contexto social e cultural atual, a Igreja olha a fam\u00edlia com amor e aten\u00e7\u00e3o, luta pela sua defesa, empenha-se na reconstru\u00e7\u00e3o da sua identidade e verdade, ajuda-a a realizar, por meios diversos, as suas tarefas essenciais.<\/p>\n<p>Uma destas tarefas da fam\u00edlia, de import\u00e2ncia decisiva para a sociedade e para a Igreja, \u00e9 o dever irrenunci\u00e1vel dos pais da educa\u00e7\u00e3o dos seus filhos em todos os aspetos e da transmiss\u00e3o da f\u00e9, n\u00e3o s\u00f3 no seu espa\u00e7o pr\u00f3prio, mas at\u00e9 onde se pode estender a sua capacidade de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p> A tarefa educativa, nos aspetos fundamentais, a fam\u00edlia nunca a realizou sozinha. Por isso, n\u00e3o pode estar ausente onde ela se processa, seja nos espa\u00e7os normais do lar, na escola e na comunidade crist\u00e3. A\u00ed se deve sentir a sua colabora\u00e7\u00e3o efetiva, dada e aceite, com os muitos intermedi\u00e1rios indispens\u00e1veis, professores e demais educadores de todos os n\u00edveis.<\/p>\n<p>3.  A educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9, iniciada no seio da fam\u00edlia crist\u00e3, como abertura a Deus e primeira aprendizagem de palavras e gestos religiosos significativos, \u00e9 continuada, depois, nos outros espa\u00e7os de vida da crian\u00e7a que vai crescendo: o jardim de inf\u00e2ncia, a catequese paroquial, a escola dos diversos ciclos. Para muitas crian\u00e7as, adolescentes e jovens, tamb\u00e9m se faz nos movimentos e grupos apost\u00f3licos de sentido eclesial. A\u00ed se transmitem valores morais para a vida, se proporciona ocasi\u00e3o para o aprofundamento da f\u00e9, a abertura ao apostolado, a op\u00e7\u00e3o vocacional e o servi\u00e7o aos outros, dimens\u00e3o normal e indispens\u00e1vel da vida crist\u00e3.<\/p>\n<p>4.  Nesta Semana Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, queremos sublinhar a import\u00e2ncia da liga\u00e7\u00e3o entre fam\u00edlia e educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Sabemos que muitos pais continuam, neste campo, atentos e colaborantes, conscientes do seu dever de educadores principais dos seus filhos. Queremos apoi\u00e1-los e dizer-lhes quanto nos alegra este seu empenhamento, pedindo-lhes que n\u00e3o desistam nunca e que ajudem outros pais a agir de igual modo.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixamos, por\u00e9m, de estar atentos \u00e0s fam\u00edlias que continuam a dizer-se crist\u00e3s, mas que, conservando uma express\u00e3o religiosa tradicional, deixaram empobrecer a sua liga\u00e7\u00e3o a Deus e \u00e0 Igreja, uma atitude que, em alguns a aspetos, acaba por atingir os seus filhos. Chegam agora \u00e0 catequese crian\u00e7as sem qualquer inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, e sentem-se, a partir da\u00ed, omiss\u00f5es em ordem ao seu acompanhamento e ao cuidado da sua forma\u00e7\u00e3o moral e religiosa nas escolas. Catequese na par\u00f3quia e aula de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa nas escolas s\u00e3o atos complementares, que n\u00e3o se substituem um ao outro. N\u00e3o esquecemos que o dia a dia de muitas fam\u00edlias \u00e9 hoje complexo e dif\u00edcil, por raz\u00e3o dos hor\u00e1rios de trabalho e do trabalho longe de casa que proporcionam pouco tempo com os filhos, das exig\u00eancias materiais, indispens\u00e1veis para ir ao encontro das necessidades familiares. Uma ordena\u00e7\u00e3o das prioridades, o aproveitamento dos fins de semana para a fam\u00edlia, o recurso a outros membros da fam\u00edlia, como os av\u00f3s quando est\u00e3o por perto, podem ajudar na educa\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o da f\u00e9. Os filhos que frequentam a catequese e as aulas de educa\u00e7\u00e3o moral e religiosa podem ser tamb\u00e9m uma ocasi\u00e3o para que os pais reatem a vida crist\u00e3 e se integrem na vida da Igreja.<\/p>\n<p>5.  O programa da catequese paroquial, ao longo de dez anos, e o do ensino religioso nas escolas ao longo de doze anos, precedidos ambos do despertar da f\u00e9 no seio da fam\u00edlia e no Jardim de Inf\u00e2ncia, n\u00e3o dispensam a participa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel dos pais no processo educativo, bem como a sua colabora\u00e7\u00e3o com os agentes diretos desta a\u00e7\u00e3o, catequistas, professores,  educadores e animadores. Vamos agora dar uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 catequese familiar, com a preocupa\u00e7\u00e3o de apoiarmos os pais e os filhos nesta tarefa. Se falarmos, mais concretamente, do Ensino Religioso nas Escolas, o contexto atual exige m\u00fatua colabora\u00e7\u00e3o entre pais e professores de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa e a pr\u00f3pria escola. Torna-se, ent\u00e3o, mais exigente a aten\u00e7\u00e3o a prestar ao processo das matr\u00edculas, ao desenvolver do projeto educativo, \u00e0 qualidade dos valores que nele se transmitem ou n\u00e3o, bem como \u00e0s iniciativas complementares promovidas na escola.<\/p>\n<p>Os filhos s\u00e3o a maior riqueza dos pais e a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o meio indispens\u00e1vel para os ajudar a crescer e a prepararem-se para uma vida feliz, como protagonistas respons\u00e1veis e participativos. O dever da presen\u00e7a e do est\u00edmulo no tempo da forma\u00e7\u00e3o humana e religiosa dos filhos, \u00e9, para os pais, uma express\u00e3o de fidelidade ao amor que os gerou e os educa.<\/p>\n<p>6.  \u00c9 fundamental que as necessidades educativas e espirituais das fam\u00edlias sejam consideradas nos projetos pastorais das comunidades crist\u00e3s e nos projetos educativos das escolas, concretamente na perseveran\u00e7a e criatividade colocadas no acolhimento, no acompanhamento e nas oportunidades de forma\u00e7\u00e3o oferecidas aos pais e outros familiares.<\/p>\n<p>Saudamos, com alegria, todas as fam\u00edlias e todos quantos, nas escolas e nas par\u00f3quias, se d\u00e3o por inteiro \u00e0 causa da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desejamos que esta Semana Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 constitua um est\u00edmulo e um contributo para as fam\u00edlias crist\u00e3s e para as comunidades educativas, par\u00f3quia e escola, de modo a que a catequese e o ensino religioso, com a colabora\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria dos pais, dos catequistas e dos professores de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa, constituam um contributo valioso na forma\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3 das crian\u00e7as e dos jovens.<\/p>\n<p>Lisboa, 15 de Setembro de 2011<\/p>\n<p>Comiss\u00e3o Episcopal da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3<\/p>\n<p>(Texto escrito segundo as regras do novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral na Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-18128","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18128\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}