{"id":18163,"date":"2011-01-05T15:02:00","date_gmt":"2011-01-05T15:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18163"},"modified":"2011-01-05T15:02:00","modified_gmt":"2011-01-05T15:02:00","slug":"precisamos-duma-fe-mais-pratica-participativa-de-rosto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/precisamos-duma-fe-mais-pratica-participativa-de-rosto-alegre\/","title":{"rendered":"&#8220;Precisamos duma f\u00e9 mais pr\u00e1tica, participativa, de rosto alegre&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s nove anos de trabalho mission\u00e1rio no Brasil, como padre associado da Sociedade Mission\u00e1ria Boa Nova, o P.e Pedro Jos\u00e9 Lopes Correia est\u00e1 de novo na Diocese de Aveiro, tendo sido nomeado para vig\u00e1rio paroquial da Gafanha da Nazar\u00e9 e da Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o e membro da Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz.<\/p>\n<p>Pedro Jos\u00e9, 38 anos, ordenado em 1997, fala nesta entrevista da experi\u00eancia brasileira (que em parte pode ser lida no seu blogue pessoal, http:\/\/pedrojosemyblog.wordpress.com) e da import\u00e2ncia de trabalhar em equipa. Real\u00e7a, antes de mais, a f\u00e9 \u201cmais pr\u00e1tica\u201d, desprendida, mais prof\u00e9tica, de rosto alegre, acolhedor. Como nos evangelhos. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; Esteve nove anos no Brasil, de Setembro de 2001 a Outubro de 2010. Que balan\u00e7o pessoal faz deste per\u00edodo? O que houve de novo para si como pessoa e como padre?<\/p>\n<p>PEDRO CORREIA &#8211; O balan\u00e7o \u00e9 um saldo positivo. Foi um processo lento de compreens\u00e3o duma realidade e mentalidades muito diferentes. A novidade como pessoa vem do conhecimento da cultura. Havia diferen\u00e7as que tinham rela\u00e7\u00e3o com imposi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, mas depois verificava, com certa perplexidade, que na nossa natureza, nas necessidades mais b\u00e1sicas, somos muito iguais em termos do que nos faz humanos. Nesta aprendizagem constante, o padre tende a tornar-se mais sereno, menos precipitado, mais dispon\u00edvel e mais criterioso. Gostaria que essa postura de olhar pelo lado \u201cavesso\u201d permanecesse\u2026<\/p>\n<p>Contactou com outra realidade eclesial. Quais foram as principais diferen\u00e7as no modo de ser igreja que encontrou em Chapadinha e Mata-Roma?<\/p>\n<p>O trabalho paroquial nas exig\u00eancias sacramentais e nos desafios de evangeliza\u00e7\u00e3o foram muito diversificados, como tamb\u00e9m acontece c\u00e1. No entanto, h\u00e1 um colorido festivo mais intenso em tudo, uma participa\u00e7\u00e3o mais espont\u00e2nea das pessoas, menos organizada (para o bem e para o mal\u2026), uma participa\u00e7\u00e3o que gerava mais sentido de perten\u00e7a. A experi\u00eancia das CEB (Comunidades Eclesiais de Base), no interior rural, em ambas as par\u00f3quias, com grandes dist\u00e2ncias, onde havia uma autonomia, responsabilidade pelo ser igreja e fazer-se a igreja na catequese, na liturgia, na partilha profundamente solid\u00e1ria, foi uma grande novidade.<\/p>\n<p>Pode enumerar em tr\u00eas ou quatro pontos em que a Diocese de Aveiro \u2013 ou as par\u00f3quias \u2013 tem a aprender com as comunidades brasileiras em que trabalhou?<\/p>\n<p>Diria que precisamos duma f\u00e9 \u201cmais pr\u00e1tica\u201d (ela j\u00e1 o \u00e9, mas n\u00f3s esquecemos!), desprendida, mais prof\u00e9tica\u2026 que se comunica de forma experimental, participativa, de rosto alegre, acolhedor. Mas isso n\u00e3o \u00e9 novidade nenhuma, est\u00e1 nos evangelhos. Sinto dificuldade em responder. A f\u00e9 dos evangelhos \u00e9 simples e profunda. Procurei viver c\u00e1 e l\u00e1 isso. O discurso oficial e a linguagem, os nossos compromissos t\u00eam ser \u201cexistenciais\u201d, isto \u00e9, como trabalhamos com f\u00e9, como constru\u00edmos fam\u00edlias de f\u00e9, como vemos TV e lemos jornais com f\u00e9\u2026 a f\u00e9 \u00e9 que \u00e9 o fermento e sal. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, mas exige generosidade e intelig\u00eancia de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O seu trabalho na diocese brasileira do Brejo foi o primeiro de um padre diocesano de Aveiro por um per\u00edodo relativamente prolongado. \u00c9 importante que as igrejas fomentem este tipo de colabora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Considero que sim. Simultaneamente comigo, padre diocesano associado com a Sociedade Mission\u00e1ria Boa Nova (SMBN), outras dioceses faziam a mesma viv\u00eancia, nomeadamente, Braga, com dois padres em Mo\u00e7ambique, Porto, com um padre no Jap\u00e3o. H\u00e1 mais tempo, as dioceses da Guarda e Leiria-F\u00e1tima tamb\u00e9m fizeram. Um total de cinco dioceses e seis padres, se n\u00e3o erro. \u00c9 um dado que merece ser reflectido e potenciado. L\u00e1, onde trabalhei, no Maranh\u00e3o, tamb\u00e9m trabalharam os Leigos Boa Nova (LBN) e comunidades religiosas, s Mission\u00e1rias da Bao Nova, h\u00e1 mais de 25 anos, e as Criaditas dos Pobres, desde 2007, se n\u00e3o erro. Foi uma experi\u00eancia de comunh\u00e3o muito rica. A colabora\u00e7\u00e3o pode ser entendida como interc\u00e2mbio alargado, no sentido de ter m\u00e3o dupla, como vasos intercomunicantes.<\/p>\n<p>Est\u00e1 h\u00e1 pouco mais de dois meses em Portugal. Tem saudades do Brasil?<\/p>\n<p>Muitas saudades, sem saudosismos, olho para a frente. Saudade do calor, da vegeta\u00e7\u00e3o, das frutas, da simplicidade das pessoas. Do poder comunicativo, da criatividade. Fiquei novamente triste com as not\u00edcias mais recentes sobre a viol\u00eancia urbana, mas h\u00e1 horizontes e avan\u00e7os, conquistas sociais que tendem a consolidar em mais justi\u00e7a e desenvolvimento. L\u00e1 dizia-se que o Brasil n\u00e3o era mais o pa\u00eds do futuro adiado, o eterno emergente, mas o pa\u00eds do presente empreendedor.<\/p>\n<p>Afirmou publicamente que n\u00e3o se imagina a trabalhar na Igreja sem ser numa equipa de padres. Porqu\u00ea?<\/p>\n<p>O padre torna-se mais equilibrado, rende mais, d\u00e1 um testemunho mais coerente. Sofre menos a solid\u00e3o afectiva e funcional. \u00c9 uma receita que experimento em mim com resultados.<\/p>\n<p>Como leitor compulsivo que \u00e9, conte-nos o que tem lido com gosto e proveito\u2026<\/p>\n<p>O \u00faltimo livro \u201creligioso\u201d foi o livro-entrevista ao papa Bento XVI. Li recentemente um romance muito bom, de Roberto Bola\u00f1o, \u201c2666\u201d. Fa\u00e7o releituras atrasadas de Ernst J\u00fcnger, literatura, e Paul Beauchamp, exegese b\u00edblica.<\/p>\n<p>Como encara os dois novos trabalhos que lhe foram pedidos (vig\u00e1rio paroquial na Gafanha da Nazar\u00e9 e na Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a Paz)?<\/p>\n<p>Vou trabalhar em equipa e isso vai diminuir dificuldades e poupar mais desgastes necess\u00e1rios. Em equipa, conseguimos programar melhor e isso significa servir melhor. Nos novos trabalhos vou descobrir pessoas e valores.  Isso \u00e9 um incentivo grande.<\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o na par\u00f3quia da Gafanha da Nazar\u00e9, afirmou: \u201cO sentido da vida \u00e9 a amizade. O sentido da amizade \u00e9 a f\u00e9\u201d. O que pretendeu dizer com estas frases?<\/p>\n<p>\u00c9 uma afirma\u00e7\u00e3o que pretende traduzir um \u201cc\u00edrculo de virtude\u201d, penso que normalmente funcionamos, e no caso mal, sob a influ\u00eancia de c\u00edrculos viciosos. A descoberta da vida e a defesa da mesma comportam amizade. Na experi\u00eancia do sentido da amizade, sem darmos saltos, entramos na experi\u00eancia de f\u00e9, como confian\u00e7a e ades\u00e3o, acto de liberdade no que h\u00e1 de \u201cmais humano\u201d. A quest\u00e3o do \u201cSentido\u201d \u00e9 a quest\u00e3o que se imp\u00f5e na filosofia actual. Mas o Sentido est\u00e1 tamb\u00e9m na revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica (a B\u00edblia \u00e9 uma longa hist\u00f3ria de amizade) e a hist\u00f3ria completa de Jesus Cristo lan\u00e7a uma luz plena sobre a mesma reflex\u00e3o. Jesus anunciou, viveu e morreu confirmando que \u201cn\u00e3o h\u00e1 maior prova do que dar a vida pelos amigos\u201d. As frases s\u00e3o uma s\u00edntese pessoal, uma disposi\u00e7\u00e3o, um caminho de espiritualidade. N\u00e3o tem nada de novo&#8230; apenas est\u00e1 arrumado nesta redac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s nove anos de trabalho mission\u00e1rio no Brasil, como padre associado da Sociedade Mission\u00e1ria Boa Nova, o P.e Pedro Jos\u00e9 Lopes Correia est\u00e1 de novo na Diocese de Aveiro, tendo sido nomeado para vig\u00e1rio paroquial da Gafanha da Nazar\u00e9 e da Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o e membro da Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz. 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