{"id":18169,"date":"2011-01-12T11:43:00","date_gmt":"2011-01-12T11:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18169"},"modified":"2011-01-12T11:43:00","modified_gmt":"2011-01-12T11:43:00","slug":"a-criacao-continua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-criacao-continua\/","title":{"rendered":"A cria\u00e7\u00e3o continua"},"content":{"rendered":"<p>Em Setembro de 2010, o cientista ingl\u00eas Stephen Hawking publicou o livro \u201c\u201cThe Grand Design\u201d, afirmando que Deus n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para a cria\u00e7\u00e3o do Universo e que o Big Bang foi uma consequ\u00eancia inevit\u00e1vel das leis da f\u00edsica. O livro provocou os mais diversos coment\u00e1rios, quer de regozijo, da parte de ateus, quer de alertas para as indevidas afirma\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas a partir de dados da ci\u00eancia, da parte de cientistas e te\u00f3logos.<\/p>\n<p>Numa altura em que Bento XVI convida a \u201cperscrutar o c\u00e9u\u201d e a descobrir a \u201cracionalidade eterna\u201d do universo (ver p\u00e1gina 7), a entrevista ao padre jesu\u00edta e cientista Sabino Maffeo, membro da Specola Vaticana (observat\u00f3rio astron\u00f3mico dependente da Santa S\u00e9), ajuda a distinguir campos para evitar confus\u00f5es. A entrevista foi feita por Antonio Gaspari e Maurizio Tripi, da ag\u00eancia de not\u00edcias cat\u00f3lica Zenit. Na imagem, Sabino Maffeo com Jo\u00e3o Paulo II, numa foto gentilmente cedida pelo entrevistado ao \u201cCorreio do Vouga\u201d.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; Stephen Hawking afirma que Deus n\u00e3o serve para explicar o nascimento do universo, porque o Big Bang foi uma consequ\u00eancia inevit\u00e1vel das leis da f\u00edsica? Qual a sua opini\u00e3o, P.e Sabino Maffeo?<\/p>\n<p>SABINO MAFFEO: A raz\u00e3o humana pode enriquecer-se com conhecimentos de diferentes graus, quer dizer, em tr\u00eas n\u00edveis: com base na experi\u00eancia sens\u00edvel, mediante os instrumentos proporcionados pela f\u00edsica, a qu\u00edmica, a biologia e a matem\u00e1tica; com base ao racioc\u00ednio filos\u00f3fico, que n\u00e3o utiliza instrumentos materiais, mas que argumenta sobre a realidade seguindo as exig\u00eancias inatas da raz\u00e3o; e com base na Revela\u00e7\u00e3o por parte de Deus. Tem-se assim o conhecimento de coisas novas, devido \u00e0 f\u00e9 sobrenatural que \u00e9 um dom que Deus quer dar a todos.<\/p>\n<p>Nota importante: esses tr\u00eas n\u00edveis n\u00e3o s\u00e3o compartimentos fechados no sentido em que quando a mente humana trabalha no primeiro n\u00edvel, e estuda por exemplo o olho humano, ou a estrutura de um favo de mel, ou a ordem geom\u00e9trica de uma teia de aranha e tantas outras coisas maravilhosas, n\u00e3o pode deixar de maravilhar-se perante a ordem que h\u00e1 na natureza e passar ao n\u00edvel superior de conhecimento para se perguntar como explicar esta ordem, com o acaso ou com a finalidade devida a uma mente ordenadora, e daqui passar ao terceiro n\u00edvel para encontrar confirma\u00e7\u00e3o na f\u00e9 pelo que a revela\u00e7\u00e3o nos diz.<\/p>\n<p>Permanecendo no primeiro n\u00edvel, n\u00e3o se pode dizer nada sobre Deus, nem que existe nem que n\u00e3o existe. A busca de Deus \u2013 a sua exist\u00eancia, a cria\u00e7\u00e3o do mundo, etc. \u2013 n\u00e3o entra no primeiro n\u00edvel porque n\u00e3o \u00e9 uma realidade suscept\u00edvel de ser experimentada pelos sentidos.<\/p>\n<p>O erro de Hawking \u00e9 duplo: raciocina sobre Deus como se fosse uma realidade que se pode descobrir com argumentos da f\u00edsica e da matem\u00e1tica, que s\u00e3o instrumentos do primeiro n\u00edvel; tem um conceito err\u00f3neo de cria\u00e7\u00e3o ao falar de um Deus considerado por alguns crentes como apenas necess\u00e1rio para dar in\u00edcio ao mundo, que, uma vez criado, vai em frente por si s\u00f3 (um Deus relojoeiro).<\/p>\n<p>Qual o conceito de cria\u00e7\u00e3o a partir da f\u00e9?<\/p>\n<p>Na realidade, a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um acto cont\u00ednuo de Deus, que deu in\u00edcio ao mundo do nada e o mant\u00e9m no ser (continua a cri\u00e1-lo) em todos os instantes para que continue a existir (cria\u00e7\u00e3o cont\u00ednua). Tudo isso podemos dizer que o sabemos pela raz\u00e3o, mas n\u00e3o s\u00f3, porque esta \u00e9 muit\u00edssimo ajudada pela f\u00e9. S\u00f3 pela f\u00e9 sabemos que o mundo n\u00e3o foi criado \u201cab aeterno\u201d, mas no tempo.<\/p>\n<p>Pode indicar-nos quais s\u00e3o as raz\u00f5es pelas quais cr\u00ea na exist\u00eancia de um criador?<\/p>\n<p>Convencem-me as Vias de S\u00e3o Tom\u00e1s, que, em princ\u00edpio, deveriam bastar para convencer s\u00f3 a raz\u00e3o, mas, de facto, dada a debilidade causada pelo pecado original, n\u00e3o convencem como \u201cdois mais dois s\u00e3o quatro\u201d.<\/p>\n<p>Neste sentido, o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, nos n\u00fameros 36 e 37, sustenta que \u201cDeus, princ\u00edpio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza com a luz natural da raz\u00e3o humana, partindo das coisas criadas\u201d, citando o I Conc\u00edlio Vaticano.<\/p>\n<p>O nosso planeta \u00e9 o \u00fanico que tem vida no sistema solar. E est\u00e1 povoado n\u00e3o s\u00f3 por flora e fauna mas tamb\u00e9m por seres humanos. Como explica esta unicidade?<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sabe como se originou a vida. Nasceu por si s\u00f3 ou foi necess\u00e1ria uma interven\u00e7\u00e3o de Deus? Os ateus devem dizer que nasceu por si s\u00f3, mas n\u00e3o t\u00eam provas. Estas aparecer\u00e3o s\u00f3 no dia em que a vida surgir no laborat\u00f3rio a partir de mat\u00e9ria n\u00e3o viva.<\/p>\n<p>Eu, crente, tenho duas possibilidades: a vida apareceu por si s\u00f3, ou por interven\u00e7\u00e3o de Deus. Mas no que diz respeito ao ser humano, a f\u00e9 diz-me que na transi\u00e7\u00e3o do n\u00e3o homem para o homem, \u00e9 necess\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o de Deus. Todo o ser humano \u00e9 criatura de Deus.<\/p>\n<p>A respeito da vida noutros corpos do sistema solar, parece demonstrado que suas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e qu\u00edmicas n\u00e3o permitem a vida que conhecemos. Talvez tenha sido poss\u00edvel em Marte, em tempos muito remotos, o que se poder\u00e1 demonstrar com futuras explora\u00e7\u00f5es do planeta. Permanece sempre, no entanto, o problema de saber se a vida veio por si s\u00f3 ou por interven\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Algumas pessoas pensam que um crente n\u00e3o pode fazer nem falar de ci\u00eancia. Pode dar algum exemplo de cientistas crentes?<\/p>\n<p>Quase todos os observat\u00f3rios astron\u00f3micos italianos tiveram sua origem em semin\u00e1rios e ordens religiosas e eram dirigidos por astr\u00f3nomos que eram tamb\u00e9m sacerdotes. Pode-se ver informa\u00e7\u00e3o sobre isso no s\u00edtio http:\/\/www.disf.org\/altriTesti\/Chinnici.asp. Um exemplo actual \u00e9 a Specola Vaticana, onde os astr\u00f3nomos s\u00e3o todos padres jesu\u00edtas. Pode-se ver tamb\u00e9m o livro de Ivan Tagliaferri e Elio Gentili: \u201cScienza e Fede &#8211; I Protagonisti\u201d (De Agostini), de cerca de 300 p\u00e1ginas, com centenas de cientistas crentes. V\u00eam-me \u00e0 mente alguns dos cientistas de fama mundial: Nicola Cabibbo, f\u00edsico; Ennio de Giorgi, matem\u00e1tico; Max Plank, f\u00edsico; Johan Gregor Mendel, geneticista; e depois Galileo Galileo; Isaac Newton; Kepler; Cop\u00e9rnico; Lema\u00eetre; Antonio Stoppani, e Angelo Secchi.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Setembro de 2010, o cientista ingl\u00eas Stephen Hawking publicou o livro \u201c\u201cThe Grand Design\u201d, afirmando que Deus n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para a cria\u00e7\u00e3o do Universo e que o Big Bang foi uma consequ\u00eancia inevit\u00e1vel das leis da f\u00edsica. 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