{"id":18214,"date":"2011-10-06T10:21:00","date_gmt":"2011-10-06T10:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18214"},"modified":"2011-10-06T10:21:00","modified_gmt":"2011-10-06T10:21:00","slug":"o-monopolio-da-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-monopolio-da-palavra\/","title":{"rendered":"O monop\u00f3lio da palavra"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e1 dito e redito que estamos em crise. Ditas e analisadas est\u00e3o causas e consequ\u00eancias. At\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o. Como agir, avan\u00e7ar, ultrapassar, parece mat\u00e9ria menos \u00f3bvia. N\u00fameros, c\u00e1lculos, hip\u00f3teses, tamb\u00e9m abundam. Horizontes nebulosos, dados sobre todas as mesas parecem n\u00e3o faltar. Muitas das explica\u00e7\u00f5es, todavia, n\u00e3o passam de conversa de adivinhos que se querem fazer passar por cientistas. H\u00e1, em consequ\u00eancia, abundantes palavras simplesmente in\u00fateis. Nem palavras s\u00e3o. Apenas desabafos.<\/p>\n<p>Mas neste todo a palavra ganha uma din\u00e2mica e uma responsabilidade decisivas. A palavra que se diz, que se grita, que se escreve e se ilustra com imagem. Palavra do cidad\u00e3o an\u00f3nimo que est\u00e1 nos pequenos palcos de cada casa, cada empresa e at\u00e9 cada esquina. Palavras sobre tudo e sobre nada, explos\u00f5es de vencedores e vencidos, governados e governantes, humilhados e ofendidos, escondidos, novos soberanos da economia, da finan\u00e7a, da explora\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m a palavra de homens e mulheres justos que n\u00e3o encontram sa\u00eddas para os novos becos que a cada esquina se montam, sem se saber bem quem os desenhou na vida de tanta gente.<\/p>\n<p>H\u00e1 um anonimato refinado por detr\u00e1s de muitas decis\u00f5es que est\u00e3o a abalar o nosso mundo. Estreitados aqui, pensamos que aqui come\u00e7a e acaba o mundo. Quase n\u00e3o se fala dos pa\u00edses em car\u00eancia total, dos refugiados da guerra e da fome, das crian\u00e7as que morrem de subnutri\u00e7\u00e3o, dos sobressaltos que acontecem em \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina ou \u00c1sia.<\/p>\n<p>Para abrir os olhos temos de fechar mais os ouvidos. A infla\u00e7\u00e3o da palavra e da opini\u00e3o pode minar esperan\u00e7as e desnortear b\u00fassolas. Vagueia na incontin\u00eancia verbal de t\u00e9cnicos, especialistas, professores, religiosos, vedetas, vips, governantes, profissionais de poder e oposi\u00e7\u00e3o, cr\u00edticos embebidos em vinagre. H\u00e1 senten\u00e7as a mais sobre cada acontecimento e cada mat\u00e9ria. Sem pensar no povo que somos, que anda perdido nas suas solid\u00f5es com tantos saberes, senten\u00e7as, dogmas e previs\u00f5es. Tudo constru\u00eddo sobre a areia movedi\u00e7a da opini\u00e3o ocasional, da vaidade que n\u00e3o se permite arrumar-se atr\u00e1s do pano. A torrente de palavras n\u00e3o \u00e9 a express\u00e3o plural dum pa\u00eds que procura caminhos. \u00c9 uma sinfonia dissonante de quem n\u00e3o pensa no que diz e diz tudo o que mal chegou a pensar. E chega-se a alguma ditadura da palavra com o desrespeito por quem n\u00e3o se consegue fazer ouvir. N\u00e3o se pede a ningu\u00e9m que ponha ordem nisto. Mas pede-se e exige-se que seja respeitado quem escuta tanta palavra sem poder sequer replicar de forma a tamb\u00e9m se fazer ouvir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 dito e redito que estamos em crise. Ditas e analisadas est\u00e3o causas e consequ\u00eancias. At\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o. Como agir, avan\u00e7ar, ultrapassar, parece mat\u00e9ria menos \u00f3bvia. N\u00fameros, c\u00e1lculos, hip\u00f3teses, tamb\u00e9m abundam. Horizontes nebulosos, dados sobre todas as mesas parecem n\u00e3o faltar. 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